A Revelação do Coração

O vento da manhã entrou pelas janelas abertas do castelo, carregando consigo o aroma doce das flores que começavam a desabrochar nos jardins. Lucas estava sentado no mesmo banco onde tivera sua primeira conversa com Sofia. O sol ainda não havia se elevado totalmente, e o silêncio do amanhecer parecia convidá-lo a refletir.

Ele fechou os olhos por um momento, permitindo que o ar fresco o envolvesse. Sua mente estava longe, nas palavras de Clara, na pressão de sua família e, mais intensamente, no sentimento que havia surgido dentro dele, algo que ele nunca imaginou que poderia sentir por alguém como Sofia.

A verdade era clara agora. Ele não conseguia parar de pensar nela. A visão do seu sorriso, a leveza de suas palavras e o brilho genuíno que ela trazia a cada olhar tornaram-se a única coisa que ele realmente desejava. Mas havia algo em sua vida que o prendia, uma responsabilidade que ele não podia ignorar.

Os passos suaves de Sofia o tiraram de seus pensamentos. Ele a viu caminhando pelo jardim, com os cabelos soltos ao vento, o vestido branco esvoaçando como se ela fosse uma daquelas figuras etéreas que ele só vira em contos antigos. Ela parecia tão à vontade no castelo, tão distante das expectativas que pesavam sobre ele. Era quase como se ela fosse uma parte do próprio ar, uma liberdade que ele jamais conheceu.

"Oi, Lucas," Sofia disse, sua voz doce e acolhedora. “Pensando na vida novamente?”

Lucas sorriu fraco, mas o sorriso não era suficiente para esconder a tensão que sentia. “Mais ou menos… Pensando em como minha vida virou um labirinto sem saída.”

Sofia se sentou ao seu lado, observando o horizonte. Ela parecia entender mais do que ele gostaria. Havia algo em seu olhar que transmitia uma empatia silenciosa, como se ela soubesse exatamente o que ele estava enfrentando, mesmo sem ele dizer uma palavra.

“E o que você encontrou nesse labirinto?” ela perguntou com leveza, mas sua pergunta tinha uma profundidade que Lucas não esperava.

Ele hesitou antes de responder, a batalha interna intensificando-se a cada palavra que ele tentava formar. “Eu encontrei... obrigação, Sofia. Expectativas. Minha família me empurra para um futuro que não escolhi, e parece que todos esperam que eu aceite isso sem questionar. Eu estou preso a algo que não é meu desejo.”

Sofia ficou em silêncio por um momento, suas mãos entrelaçadas no colo. Ela sabia que não podia dar respostas fáceis para ele, sabia que suas palavras tinham que ser escolhidas com cuidado. Mas não era disso que ele precisava, não era de uma resposta pronta. Ele precisava de algo mais. Ele precisava de alguém que o compreendesse de verdade.

“Eu posso imaginar o peso que você sente,” Sofia disse, sua voz calma e firme. “Mas o que você não pode esquecer, Lucas, é que você tem o direito de escolher. O direito de viver a sua própria vida, de seguir o seu coração.”

Essas palavras caíram sobre ele como um bálsamo. Lucas a olhou, sentindo uma onda de alívio, mas também de medo. Ele sabia que seguir seu coração significaria enfrentar tudo o que ele havia sido ensinado a acreditar. Significaria desafiar sua família, o futuro que eles haviam planejado para ele. E o medo de falhar, de ser incompreendido, o envolvia de tal forma que ele mal conseguia respirar.

“Mas e o meu futuro?” ele perguntou, a voz carregada de incerteza. “Eu tenho responsabilidades. Minha família… minha linhagem…”

Sofia o encarou com um olhar intenso, como se estivesse tentando ver através dele. “E quem disse que o futuro precisa ser algo imposto, Lucas? O que você faz agora, o que você escolhe para a sua vida, é o que vai definir o seu destino. Não é a sua linhagem. Não é o que os outros querem de você. É o que você escolhe ser.”

Ele se perdeu no olhar dela, uma chama de algo novo acendendo dentro dele. Sofia tinha a coragem que ele desejava, a liberdade que ele ainda não conseguia encontrar. E, naquele momento, ele se deu conta de que talvez, apenas talvez, ela fosse a chave para sua liberdade.

“Eu não sei o que fazer,” Lucas confessou, a angústia em sua voz evidente. “Eu não sei se sou forte o suficiente para romper com tudo o que esperam de mim. Não sei se posso abrir mão de tudo.”

“Você não precisa abrir mão de tudo,” ela disse suavemente. “Só precisa ser verdadeiro consigo mesmo.”

A resposta dela o tocou de uma maneira que ele não sabia como explicar. Ele fechou os olhos por um momento, absorvendo as palavras, o significado delas ecoando dentro de sua mente. O que Sofia dizia fazia sentido, mas o medo de falhar ainda o paralisava. Ele tinha medo de perder tudo. Medo de perder a família, de perder o que ele pensava que era seu lugar no mundo.

“Eu gostaria de ter a sua coragem,” ele disse baixinho.

Sofia sorriu, um sorriso gentil e cheio de compreensão. “Você tem, Lucas. Às vezes, só precisamos de alguém para nos mostrar que temos a força que precisamos.”

A conversa entre eles continuou, mas agora havia uma nova tensão no ar, uma tensão que ambos sabiam que não poderia ser ignorada. Eles estavam dançando na borda de algo muito maior, algo que poderia mudar tudo. Mas o que Lucas faria? Ele estava pronto para seguir seu coração e correr o risco de perder tudo o que conhecia?

No final daquela manhã, quando o sol estava mais alto no céu, Lucas se despediu de Sofia com um abraço, um gesto simples, mas que parecia carregar um peso enorme. Ele sabia que o futuro o aguardava, mas não sabia mais o que esperar dele. Tudo o que ele sabia era que o coração não poderia ser ignorado para sempre.

Enquanto caminhava de volta para o castelo, as palavras de Sofia ainda ressoavam em sua mente. Ela estava certa. Ele precisava ser fiel ao que sentia, mesmo que isso significasse abandonar a segurança que sua família oferecia. Mas ele estava pronto para isso? A resposta ainda estava por vir.

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