O jantar estava prestes a começar no castelo dos Almeida, e Lucas se sentia completamente deslocado. A grande mesa estava repleta de familiares e convidados ilustres, todos sorrindo, conversando e trocando olhares carregados de expectativa. Mas, no fundo, ele só conseguia pensar em Sofia, em suas palavras, no brilho nos olhos dela e na sensação de liberdade que ela havia despertado nele.
Clara, sentada ao seu lado, observava cada movimento de Lucas. Ela sabia que algo estava diferente, algo que ela não conseguia controlar. Ele estava distante, absorto em pensamentos, e isso a incomodava. Ela havia esperado que, com o passar dos dias, ele se acostumasse com a ideia do casamento arranjado, mas algo parecia não se encaixar.
Após o jantar, quando os convidados começaram a se dispersar, Clara o puxou para uma conversa. Eles se afastaram da sala de jantar, caminhando pelos corredores frios do castelo. O eco dos passos de ambos parecia intensificar a tensão que crescia entre eles.
“Lucas,” Clara começou, a voz suave, mas com um tom firme. “Nós precisamos conversar.”
Lucas olhou para ela, os olhos ainda carregados de um conflito interno. “Sobre o quê, Clara?”
Ela parou, virando-se para ele. “Sobre você e Sofia.”
A menção de Sofia fez um calafrio percorrer a espinha de Lucas. Ele sabia que não poderia esconder o que estava sentindo por ela por muito mais tempo. Mas a última coisa que queria era causar mais problemas com Clara, ainda mais quando o futuro deles estava praticamente decidido.
“Não há nada entre mim e Sofia,” Lucas respondeu rapidamente, sua voz tentando soar convincente. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que não conseguia mentir para si mesmo. As palavras de Sofia, suas risadas, seus olhos... tudo o que ele sentia por ela estava muito além do que qualquer promessa feita a Clara.
“Não minta para mim,” Clara disse, sua voz mais baixa, mas cheia de intensidade. “Eu sei o que está acontecendo entre vocês dois.”
Lucas sentiu uma pressão no peito, a culpa e o medo tomando conta de sua mente. Mas, antes que pudesse responder, Clara continuou:
“Eu sei que você sente algo por ela, Lucas. Eu vi no seu olhar. E você não pode negar isso. Não posso permitir que você destrua tudo o que nós construímos, tudo o que a nossa família espera de nós.”
Lucas estava sem palavras. Clara estava certa. Ele sentia algo por Sofia, algo que ele não conseguia entender, algo que não se encaixava com tudo o que ele sabia ser o certo. E, no entanto, o peso da responsabilidade de sua família ainda pesava sobre ele.
“Eu... não sei o que fazer, Clara,” ele admitiu, a voz trêmula. “Eu não queria que isso acontecesse. Eu não pedi para me apaixonar por Sofia. Mas, com ela, tudo parece diferente. Eu me sinto... eu me sinto vivo de uma maneira que nunca me senti antes.”
Clara o encarou, o olhar dela agora mais sombrio. “Então você está disposto a jogar tudo o que construímos fora por causa de uma diversão passageira com ela? Você está disposto a arriscar seu futuro, Lucas?”
O tom de Clara não era apenas de dor, mas de uma possessividade silenciosa, algo que ele nunca tinha notado até agora. Ela sempre fora a primogênita, a escolha óbvia para ele, mas agora ele sentia que ela não estava apenas pedindo que ele se casasse com ela por obrigação. Ela o queria, e não como uma obrigação. Clara queria o controle de tudo, e isso o assustava.
“Eu não sei o que está acontecendo, Clara,” Lucas disse, sentindo a pressão aumentar. “Eu estou em conflito. E, às vezes, não sei se estou fazendo o que é certo ou o que é esperado de mim.”
Clara suspirou, mais calma agora, mas ainda assim determinada. “Eu entendo que você esteja confuso. Mas precisa entender que as nossas famílias têm uma história. E, nesse jogo, não há espaço para sentimentos. A honra e o legado são o que importa.”
Ele a observou por um momento, vendo a frieza em seus olhos. Clara estava certa, de certa forma. Ele era o herdeiro dos Almeida, e ela era a filha que estava sendo preparada para ser sua esposa. O que ele sentia por Sofia não fazia parte dessa história. Mas, por dentro, ele sabia que havia algo mais profundo, algo que desafiava todas as convenções. Algo que ele não podia simplesmente ignorar.
“Eu não sei se posso ignorar isso, Clara,” ele disse, os olhos desviando para o chão. “Eu não sei se posso seguir com um casamento que nunca será meu desejo, não importa o quanto você tente convencer-me de que isso é o melhor para todos.”
Clara se aproximou mais dele, seu tom agora suave, mas com um olhar fixo que não deixava espaço para dúvidas. “Você não tem escolha, Lucas. Não há saída. O casamento entre nós é inevitável. E você vai aprender a aceitá-lo.”
Lucas sentiu um nó se formar na garganta. Ele sabia que não podia simplesmente seguir o caminho que Clara havia traçado para ele. Mas também sabia que qualquer outra escolha que fizesse colocaria em risco tudo o que sua família havia construído.
“Eu... vou pensar sobre isso,” Lucas murmurou, sem saber mais o que dizer.
Clara o observou por um momento, seus olhos frios e calculistas. “Eu espero que pense bem, Lucas. O tempo está se esgotando.”
Enquanto ela se afastava, Lucas sentiu um peso enorme se instalar em seu peito. Ele sabia que precisava tomar uma decisão, mas sua mente estava em uma tempestade de emoções. De um lado, havia Clara, a obrigação, o futuro traçado. Do outro, havia Sofia, com seu sorriso radiante e a promessa de algo mais.
O que ele faria agora? Ele estava pronto para enfrentar as consequências do que realmente queria?
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Atualizado até capítulo 45
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