A escuridão dentro do carro era quase sufocante, mas nada comparado ao peso da irritação que eu sentia. O saco preto sobre minha cabeça limitava meus sentidos, mas a voz de Ramón ainda era clara como um maldito sino no inferno.
— Mierda! Olha só onde você nos meteu! — Ele bufou ao meu lado, e eu senti uma vontade incontrolável de dar um soco nele, mesmo amarrada.
Revirei os olhos, mesmo que ele não pudesse ver.
— Ah, claro! Agora a culpa é minha? Se você não tivesse tido aquele surto patético de ciúmes e se comportado como um animal irracional, não estaríamos aqui agora! — rosnei, sentindo meu peito subir e descer de raiva.
Ramón soltou uma risada baixa, cheia de escárnio, como se essa merda toda fosse só mais um jogo para ele.
— Ciúmes? — A risada dele ficou mais profunda. — Não seja ridícula, mi lobita. Você não é tão importante assim para mim a ponto de despertar algo tão insignificante quanto ciúmes.
Uma onda quente de raiva subiu pelo meu peito. Eu sabia que era mentira. Podia sentir isso na forma como ele explodiu naquela festa, como um maldito furacão.
— Certo, senhor Martínez. Então isso significa que a sua pequena demonstração de possessividade na festa foi apenas... o quê? Um surto psicótico aleatório?
Ele suspirou, impaciente.
— Se você não tivesse bancado a garota rebelde e se metido naquela maldita festa, não estaríamos com armas apontadas para nossas cabeças agora.
Soltei uma risada amarga.
— Ah, não se preocupe, cariño (querido). Eu já estou acostumada com armas apontadas para minha cabeça.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Quase pude sentir o impacto das minhas palavras atingindo-o como um soco no estômago. Mas, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, uma voz áspera interrompeu nossa pequena troca de farpas.
— Dá pra calarem a porra da boca? — rosnou um dos sequestradores. — Se não vou amordaçar vocês dois.
Fiz um biquinho sarcástico, mesmo que ele não pudesse ver.
— Ah, que pena. E justo quando nossa conversa estava ficando tão produtiva.
Ramón soltou um som de diversão abafado, mas ficou em silêncio.
Minutos depois, já estávamos jogados em cadeiras velhas, presos em algum lugar desconhecido, sozinhos, pelo menos por enquanto. Meus cabelos estavam bagunçados, minha maquiagem devia estar uma desgraça, e para piorar, eu estava com sono.
Ramón, ao meu lado, se remexia nas cordas, impaciente. Mas o olhar que ele lançou para mim foi o que mais me irritou.
— Sabia que você fica ainda mais interessante assim?! — murmurou, um sorriso sacana se formando nos lábios. — Mas, claro, em outras circunstâncias...
Eu revirei os olhos.
— Você é um cretino. Em vez de ficar me secando, que tal pensar em um jeito de nos tirar daqui?
Ele inclinou a cabeça, divertido.
— Ah, mas eu estou pensando, esposa... Só que você não vai gostar do plano que está na minha cabeça agora.
Meu olhar estreitou.
— Você só pode estar de sacanagem.
Ramón sorriu de canto, os olhos brilhando com pura malícia.
— Não me venha com essa carinha, lobita. Ainda não consumamos nosso casamento... Temos que resolver isso, não?!
Soltei um suspiro exasperado.
— Meu Deus, como eu fui me enfiar nessa merda...
Ignorei suas provocações e me concentrei no mais importante: sair dali. Minhas mãos estavam amarradas, mas não impossibilitadas de se moverem.
Tive uma ideia.
Aproveitando o momento a sós, com esforço, comecei a mover minha cadeira com pequenos saltos, aproximando-me dele aos poucos. A madeira rangia levemente a cada impulso, mas continuei até estar perto o suficiente.
Ramón me observou com uma mistura de curiosidade e diversão.
— Ok, agora eu preciso saber... que diabos você tá fazendo?
Não respondi. Apenas me inclinei, abaixando a cabeça para tentar morder as cordas que prendiam o desgraçado. Minha cara estava perto demais de lugares... Perigosos.
Mas foi aí que ele interpretou tudo errado.
Um assobio baixo escapou dele.
— Uuuh, eu sei que você está ansiosa por isso tanto quanto eu, corazón, mas acho que esse não é o momento apropriado.
Eu congelei.
Então levantei o rosto lentamente, trincando os dentes.
— Não é o que você tá pensando, seu idiota! Eu estava tentando morder as cordas! — rosnei, furiosa.
Ele sorriu como se isso fosse a melhor coisa que já acontecera no dia dele.
— Mi lobita esperta... Tô começando a gostar disso.
Antes que eu pudesse retrucar, Ramón ergueu as pernas, mesmo com os tornozelos amarrados, e me empurrou com força.
A cadeira perdeu o equilíbrio.
— Ramón, seu desgraç...!
O impacto veio rápido, e a cadeira se despedaçou quando atingi o chão.
Soltei um gemido de dor e xinguei cada geração da maldita família dele mentalmente.
— Pronto. Agora você consegue se soltar.
Minha respiração saiu pesada.
— Você é um psicopata, eu juro por Deus.
Ramón apenas deu um sorriso presunçoso.
Com a cadeira quebrada, a amarra dos meus pulsos ficou mais frouxa, e consegui me soltar. Minhas pernas foram as próximas.
Levantei-me num pulo e fui até ele. Por um segundo, considerei deixá-lo amarrado ali, só para me vingar.
Mas, no final, soltei um suspiro pesado e comecei a desatar suas cordas.
Mas foi nesse momento que os passos dos sequestradores ecoaram pelo cativeiro.
— Eles estão voltando.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Lottie 🌺
Aiii eu tô tendo mini infartos aqui ele chamou ela de coração aiii não falei ele é apaixonado por ela só não sabe ainda kkkkk
2025-03-28
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Francisca Gomes
maís mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais por favor atualizar
2025-03-28
0
Carolina Luz
tô achando ele muito a vontade na situação carajo será que foi ele mesmo que planejou tudo isso pra dar uma lição nela? autora meu corazon vai parar volte antes disso acontecer hum 😬
2025-03-28
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