O silêncio que dominou o jardim assim que entrei foi ensurdecedor.
Cada olhar estava em mim.
Cada suspiro contido.
Cada expressão oscilando entre choque e fascínio.
Passei os olhos pela multidão. Vi Cristian Martinéz com uma mulher que provavelmente, seria sua esposa, e filhos. Além dos amigos do noivo e da família, estavam meus amigos da faculdade e da natação. Mas foi do outro lado que meu olhar encontrou algo muito mais interessante.
Ramón Martinéz.
O desgraçado me olhava como se tivesse visto um fantasma.
Ah, que visão maravilhosa.
Ele não piscou. Aquele olhar intenso dele era uma visão prazerosa. O maxilar trincado, as narinas infladas, o olhar escuro percorrendo cada detalhe do meu corpo coberto por negro e sombras.
Continuei andando, sentindo a tensão se espalhar pelo lugar como uma tempestade prestes a desabar.
E quando parei diante dele, cada centímetro de seu corpo irradiava algo que eu não soube definir.
Fascínio?
Desejo?
Ódio?
Talvez tudo ao mesmo tempo.
E por que diabos eu o achava tão parecido com alguém? Talvez fossem as lembranças daquela tarde sombria, ou talvez fosse uma memória esquecida...
— Que bela surpresa, querida noiva. — Sua voz era baixa, rouca, carregada de provocação e algo mais. Algo denso e perigoso. — Não esperava menos de você… mas preciso admitir, superou até as minhas expectativas.
Sorri de canto, afiada como uma lâmina recém-afiada.
— Eu sabia que você ia gostar, querido. — Arrastei as palavras, inclinando a cabeça levemente, me divertindo ao vê-lo cerrar os olhos por um breve instante. — Fiz especialmente para você… Para que saiba exatamente com quem está lidando.
Os lábios dele se curvaram em um meio sorriso carregado de algo que me fez sentir um arrepio descer pela espinha.
— Eu já sei com quem estou lidando, cariño (querida). A questão é… será que você sabe com quem está se casando?
O juiz pigarreou, tentando cortar a tensão densa que se espalhava entre nós, e então a cerimônia começou.
Mas eu mal conseguia prestar atenção no que ele dizia.
Porque o olhar de Ramón queimava minha pele.
Ele olhava para mim como se visse algo além. Algo escondido. Algo que ele tentava decifrar. Ele não deixava de olhar para meus olhos.
Segurei o buquê com mais força, sentindo uma irritação latente crescer.
Ele que vá para o inferno.
— Se continuar me olhando assim, vou começar a pensar que está se apaixonando. — soltei, carregada de veneno e ironia.
Ramón sorriu, sem desviar o olhar, mas fingiu interesse no juiz, como se minhas palavras fossem apenas uma piada insignificante.
— Paixão? — Ele soltou um riso baixo, sacana, sombrio. — Essa é uma palavra forte e completamente inexistente no meu vocabulário, Mi Lobita (minha lobinha). Digamos que eu estou…
Seu olhar desceu pelo meu corpo, lento, íntimo, como se já tivesse me explorado antes. E então voltou para meu rosto, cheio de uma fome descarada.
— Atiçado.
Minha garganta secou, mas não deixei transparecer.
Apenas sorri. Um sorriso amargo, cortante.
— Tome cuidado, Ramón. O que começa com fogo pode terminar em cinzas. E pare de me chamar assim!
Ele inclinou o rosto, divertido.
— E quem disse que eu me importo em queimar, mi lobita? — Ele fez questão de ressaltar a última parte.
O juiz chamou nossa atenção, nos trazendo de volta à cerimônia. Era hora das alianças.
Ele pegou a minha primeiro.
Ramón segurou minha mão com firmeza, a ponta dos dedos quente contra minha pele.
— Luna… — Sua voz soou grave, carregada de promessas ocultas. — Diante de Dios e do inferno que nos espera, prometo te proteger… te honrar… e nunca te deixar esquecer que você pertence a mim.
O anel deslizou por meu dedo, e algo dentro de mim gritou em protesto.
Mas eu não recuei.
Peguei a aliança dele, sentindo um peso enorme nas mãos.
Levantei o olhar, encontrando os dele, que pareciam me desafiar com uma intensidade que quase me fez recuar. Mas eu não disse nada. Não prometi nada.
As palavras que eu guardava eram pesadas demais, sombrias demais para serem ditas ali, na frente de todos. Ele sorriu, lento e satisfeito, como se apreciasse minha resistência, minha recusa em me render facilmente.
Deslizei o anel sem delicadeza por seu dedo, e naquele momento, soube que minha vingança começava ali.
O juiz nos declarou casados, e então veio o momento do beijo.
Meu coração bateu mais rápido. Não por nervosismo, mas por ódio.
Ramón sorriu ao perceber.
Desgraçado.
Ele se aproximou lentamente, como um predador encurralando sua presa.
Levantei o queixo, desafiadora.
Mas no instante em que sua mão deslizou para minha nuca, puxando-me contra ele, meu ar vacilou. Sua mão firme em volta da minha cintura me fez arfar.
Ele me tomou.
Não foi um beijo casto.
Não foi um selinho insignificante.
Foi um beijo voraz. Fome. Pecado. Domínio.
Seu corpo estava colado ao meu, quente, duro, sólido. A língua deslizou contra a minha, e por um instante, meu mundo girou.
Lembre-se da sua vingança, Luna.
Lembre-se do que ele é.
Me forcei a afastar, o peito subindo e descendo em um ritmo acelerado.
Ramón lambeu os lábios, os olhos brilhando com pura malícia.
— Tá nervosa, Lobita?
Engoli em seco.
— Claro que não. — Menti.
Ele sorriu. Um sorriso de leão diante da presa.
E então, do nada, sacou a pistola do coldre.
O som do primeiro disparo ecoou pelo jardim, seguido por dezenas de outros.
Homens puxaram suas armas e atiraram para o alto, celebrando a tradição.
Eu apenas fiquei ali, olhando para aquele homem que agora era meu marido.
Meu inimigo.
Meu destino.
Ramón inclinou a cabeça, segurando a pistola com um ar despreocupado.
— Bem-vinda ao inferno, Luna.
Eu apenas sorri.
Mal sabe ele, que eu serei seu inferno.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Lottie 🌺
É Luna se prepare por que esse inferno vai queimar de tanto 🔥 kkkkk
2025-03-24
20
Maria Cruz
Lobinha, Pandinha amo ❤️ esses apelidos!!!! Qual será o apelido da noiva do Gabriel?? Será pombinha lagartinha?🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2025-03-25
4
Lottie 🌺
Já tá chamando de minha kkk amei esse apelido lobinha kkkk
2025-03-24
7