CONTÉM CENAS DE VIOLÊNCIA ❗
O sol começava a se pôr quando deixei a empresa e segui direto para o galpão onde realizávamos as execuções. O dia tinha sido longo, mas ainda não tinha acabado.
Não quando havia um traidor esperando para sangrar.
O motor do carro roncava enquanto eu cruzava as ruas de San Sebastián, o cigarro pendendo dos meus lábios. Meus pensamentos estavam focados no que vinha a seguir. Na mensagem que íamos mandar essa noite.
Quando parei em frente ao galpão, Gabriel já estava lá, encostado contra o capô de um dos carros, tragando um cigarro enquanto olhava para a porta de ferro enferrujada.
— Demorou, cabrón — ele murmurou, soltando a fumaça pelo nariz.
— Negócios — respondi, jogando a guimba no chão e pisando nela. — O filho da puta já tá pronto?
Gabriel riu, passando uma mão pelo cabelo.
— Preso na cadeira, gritando feito una perra (uma vadia). Orlando e Álvaro deram um jeito de deixar ele consciente o suficiente pra sentir tudo.
Assenti, sentindo um sorriso cínico puxar meus lábios.
— Vamos acabar logo com essa merda.
Cruzamos a porta do galpão, e a primeira coisa que senti foi o cheiro. Sangue, ferrugem e medo. Um cheiro familiar. Um cheiro de casa.
No centro do espaço, a luz do pendente tremeluzia, lançando sombras na parede de concreto. A cadeira de metal estava posicionada no meio do cômodo, e nela, o filho da puta que ousou roubar de mim.
Miguel Peña.
Um dos químicos que produziam nossa mercadoria. Inteligente, eficiente... e estúpido o suficiente para tentar meter a mão no dinheiro da família Martinéz.
O sangue escorria da boca dele, o nariz já quebrado. Suas mãos tremiam, amarradas aos braços da cadeira.
Me aproximei devagar, meu olhar passeando pela cena como se eu estivesse admirando uma obra de arte.
— Olha só, Miguelito... — minha voz saiu calma, quase amistosa. — Por que, carajo (porra)?
Ele tossiu, cuspindo sangue no chão.
— Eu... Eu só... Eu precisava...
Gabriel riu, se encostando na mesa onde nossas ferramentas estavam dispostas. Facas, alicates, um maçarico. Tudo no lugar.
— Precisava de mais dinheiro? — Gabriel arqueou a sobrancelha. — Já não pagamos bem o suficiente?
Miguel balançou a cabeça, desesperado.
— Não era suficiente! Eu tenho família! Filhos!
Soltei uma risada baixa, puxando uma cadeira e me sentando de frente para ele. Cruzei os dedos, observando seu rosto inchado.
— E nós temos um império. Um império que sustenta centenas de famílias. Mas não podemos sustentar traidores, Peña.
O pavor cresceu nos olhos dele.
— Ramón, por favor...
Minha paciência se esgotou.
Levantei da cadeira, e em um movimento rápido, acertei um soco no rosto dele, ouvindo o som da cartilagem rachando de novo. O grito dele ecoou pelo galpão, mas foi abafado pelo barulho do meu punho encontrando sua mandíbula mais uma vez.
Peguei a faca da mesa e passei a lâmina devagar pelo braço dele, apenas o suficiente para fazer a pele arder.
— Sabes o que acontece com quem rouba da gente? — perguntei, apertando o cabo da faca.
— Por favor, por favor, eu...
Gabriel bufou, pegando o maçarico.
— Sempre a mesma merda — ele murmurou, acendendo o fogo e o observando com um brilho sádico nos olhos. — Eles sempre imploram quando já é tarde demais.
Miguel se debateu na cadeira, lágrimas escorrendo pelo rosto ensanguentado.
— Eu faço qualquer coisa! Eu posso compensar!
Me ajoelhei na frente dele, segurando seu rosto com força, meus dedos cravando em sua carne.
— Pode? — minha voz saiu baixa, quase gentil. — Então me diz, Miguel, como você pretende devolver a confiança que destruiu?
Ele soluçou, tremendo.
— Eu... Eu...
— Exatamente. — Soltei seu rosto com um empurrão, me levantando.
Gabriel se aproximou com o maçarico, e eu observei quando ele encostou a chama na coxa do desgraçado.
Os gritos de Miguel preencheram o galpão, altos, desesperados.
O cheiro de carne queimada invadiu o ar, e eu traguei o momento como um bom vinho.
Peguei o alicate da mesa, girando-o entre os dedos antes de me abaixar e segurar a mão de Miguel com força.
— Dedo por dedo — anunciei.
O suor escorria pelo rosto dele, seus olhos arregalados de puro terror.
Coloquei o alicate na base do dedo mindinho e apertei.
O estalo foi alto.
O grito dele foi ainda mais.
O pedaço de carne caiu no chão com um baque surdo, e eu sorri.
— Isso é pelo primeiro lote que você roubou.
Coloquei o alicate no próximo dedo.
— Esse é pelo segundo.
Outro estalo. Outro grito. Outro dedo no chão.
Repeti o processo até que sua mão não fosse mais nada além de carne mutilada.
— Por favor... — ele choramingou, a cabeça tombando para frente.
Suspirei, limpando a lâmina da faca na manga do meu terno.
Peguei a pistola do coldre, girando-a nos dedos antes de apontar para a testa de Miguel.
— Diga olá para o inferno, Peña.
O tiro ecoou, e tudo ficou em silêncio.
Guardei a arma, passando uma mão pelos cabelos.
Gabriel chutou o corpo caído e bufou.
— Filho da puta deu trabalho.
Orlando e Álvaro apareceram para limpar a bagunça, e saímos do galpão, acendi outro cigarro enquanto sentia o peso da noite sobre meus ombros.
— Que tal terminarmos essa noite no clube? Um bom whisky e umas boas mulheres para desestressar um pouco? — Sugeriu Gabriel.
— Estou mesmo precisando... — Respondi.
Entramos no Porsche e partimos em direção ao El Templo, o clube que Cristian administrava.
A noite estava quente, e a brisa que entrava pela janela só piorava a sensação sufocante no meu peito.
Meu vestido preto abraçava cada curva, o tecido deslizando como uma segunda pele enquanto eu ajeitava a maquiagem diante do espelho. Meus cabelos prateados caíam em ondas sobre os ombros, e o batom vermelho sangue realçava o corte afiado dos meus lábios.
Eu estava pronta para sair. Mas, é claro, Teresa não ia facilitar.
Ela me observava com um olhar aflito, torcendo as mãos sobre o uniforme.
— Mi niña, você tem certeza disso? — A voz dela saiu tensa, quase suplicante. — Seu marido não vai gostar… Vai ser um problema.
Soltei um riso curto, sem humor.
— Ele tem a vida dele, Teresa. E eu tenho a minha. — Minha voz saiu firme, cortante. — Ele pode ser meu marido, mas não é meu carcereiro. Não pode me prender nessa casa como se eu fosse uma prisioneira.
Ela respirou fundo, desviando o olhar. Algo em sua expressão me incomodou.
— O que você está me escondendo? — Cruzei os braços, estreitando os olhos.
Ela hesitou.
— O senhor Ramón… Ele ordenou que eu informasse cada passo seu. — As palavras saíram quase em um sussurro. — Se eu não fizer isso, ele me coloca para fora.
Meus olhos se fecharam por um instante, e um ódio frio subiu pelo meu corpo.
Ele ousava ameaçar Teresa? Minha Teresa? Ele que tentasse. Ele que ousasse tocar nela ou em Edgar. Se ele fizesse isso, eu mostraria a ele o verdadeiro inferno.
Respirei fundo, tentando domar o turbilhão dentro de mim. Olhei nos olhos dela e segurei suas mãos com firmeza.
— Não se preocupe. Faça o que tiver que fazer, avise a ele, se precisar. — Meus lábios se curvaram em um sorriso frio. — Quanto a Ramón… deixe ele comigo.
Ela assentiu, relutante.
Peguei minha bolsa e saí pela porta sem olhar para trás.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Geilza Maria Silva
5.50 da amanhã, eu me preparando para ir trabalhar e ansiosa pelo próximo capítulo, o bicho vai pegar kkkk/Chuckle//Smirk/
2025-03-26
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Lottie 🌺
Aí é por isso que eu amo a Luna o Ramon vai para a boate então ela também vai se divertir só eu acho que os planos do Ramon para essa noite não vai dar certo por que quando ele ficar sabendo que a Luna foi numa festa ele vai surta kkkkk estou ansiosa para mais capítulos
2025-03-26
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Mônica
Amo a Luna, ela tem sangue nos olhos, destemida, atrevida, resolvida .
Autora não mude o jeito dela, quem q se arratar pra ter ela é o Ramon, sei q é difícil com a personalidade dele, ele tem q saber q ela não faz parte do puteiro q ele frequenta.
2025-03-26
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