CAPÍTULO 15

CONTÉM CENAS DE VIOLÊNCIA ❗

    O sol começava a se pôr quando deixei a empresa e segui direto para o galpão onde realizávamos as execuções. O dia tinha sido longo, mas ainda não tinha acabado.

Não quando havia um traidor esperando para sangrar.

O motor do carro roncava enquanto eu cruzava as ruas de San Sebastián, o cigarro pendendo dos meus lábios. Meus pensamentos estavam focados no que vinha a seguir. Na mensagem que íamos mandar essa noite.

    Quando parei em frente ao galpão, Gabriel já estava lá, encostado contra o capô de um dos carros, tragando um cigarro enquanto olhava para a porta de ferro enferrujada.

— Demorou, cabrón — ele murmurou, soltando a fumaça pelo nariz.

— Negócios — respondi, jogando a guimba no chão e pisando nela. — O filho da puta já tá pronto?

Gabriel riu, passando uma mão pelo cabelo.

— Preso na cadeira, gritando feito una perra (uma vadia). Orlando e Álvaro deram um jeito de deixar ele consciente o suficiente pra sentir tudo.

Assenti, sentindo um sorriso cínico puxar meus lábios.

— Vamos acabar logo com essa merda.

    Cruzamos a porta do galpão, e a primeira coisa que senti foi o cheiro. Sangue, ferrugem e medo. Um cheiro familiar. Um cheiro de casa.

No centro do espaço, a luz do pendente tremeluzia, lançando sombras na parede de concreto. A cadeira de metal estava posicionada no meio do cômodo, e nela, o filho da puta que ousou roubar de mim.

Miguel Peña.

Um dos químicos que produziam nossa mercadoria. Inteligente, eficiente... e estúpido o suficiente para tentar meter a mão no dinheiro da família Martinéz.

O sangue escorria da boca dele, o nariz já quebrado. Suas mãos tremiam, amarradas aos braços da cadeira.

Me aproximei devagar, meu olhar passeando pela cena como se eu estivesse admirando uma obra de arte.

— Olha só, Miguelito... — minha voz saiu calma, quase amistosa. — Por que, carajo (porra)?

Ele tossiu, cuspindo sangue no chão.

— Eu... Eu só... Eu precisava...

Gabriel riu, se encostando na mesa onde nossas ferramentas estavam dispostas. Facas, alicates, um maçarico. Tudo no lugar.

— Precisava de mais dinheiro? — Gabriel arqueou a sobrancelha. — Já não pagamos bem o suficiente?

Miguel balançou a cabeça, desesperado.

— Não era suficiente! Eu tenho família! Filhos!

Soltei uma risada baixa, puxando uma cadeira e me sentando de frente para ele. Cruzei os dedos, observando seu rosto inchado.

— E nós temos um império. Um império que sustenta centenas de famílias. Mas não podemos sustentar traidores, Peña.

O pavor cresceu nos olhos dele.

— Ramón, por favor...

Minha paciência se esgotou.

    Levantei da cadeira, e em um movimento rápido, acertei um soco no rosto dele, ouvindo o som da cartilagem rachando de novo. O grito dele ecoou pelo galpão, mas foi abafado pelo barulho do meu punho encontrando sua mandíbula mais uma vez.

Peguei a faca da mesa e passei a lâmina devagar pelo braço dele, apenas o suficiente para fazer a pele arder.

— Sabes o que acontece com quem rouba da gente? — perguntei, apertando o cabo da faca.

— Por favor, por favor, eu...

Gabriel bufou, pegando o maçarico.

— Sempre a mesma merda — ele murmurou, acendendo o fogo e o observando com um brilho sádico nos olhos. — Eles sempre imploram quando já é tarde demais.

Miguel se debateu na cadeira, lágrimas escorrendo pelo rosto ensanguentado.

— Eu faço qualquer coisa! Eu posso compensar!

Me ajoelhei na frente dele, segurando seu rosto com força, meus dedos cravando em sua carne.

— Pode? — minha voz saiu baixa, quase gentil. — Então me diz, Miguel, como você pretende devolver a confiança que destruiu?

Ele soluçou, tremendo.

— Eu... Eu...

— Exatamente. — Soltei seu rosto com um empurrão, me levantando.

Gabriel se aproximou com o maçarico, e eu observei quando ele encostou a chama na coxa do desgraçado.

Os gritos de Miguel preencheram o galpão, altos, desesperados.

O cheiro de carne queimada invadiu o ar, e eu traguei o momento como um bom vinho.

Peguei o alicate da mesa, girando-o entre os dedos antes de me abaixar e segurar a mão de Miguel com força.

— Dedo por dedo — anunciei.

O suor escorria pelo rosto dele, seus olhos arregalados de puro terror.

Coloquei o alicate na base do dedo mindinho e apertei.

O estalo foi alto.

O grito dele foi ainda mais.

O pedaço de carne caiu no chão com um baque surdo, e eu sorri.

— Isso é pelo primeiro lote que você roubou.

Coloquei o alicate no próximo dedo.

— Esse é pelo segundo.

Outro estalo. Outro grito. Outro dedo no chão.

Repeti o processo até que sua mão não fosse mais nada além de carne mutilada.

— Por favor... — ele choramingou, a cabeça tombando para frente.

Suspirei, limpando a lâmina da faca na manga do meu terno.

Peguei a pistola do coldre, girando-a nos dedos antes de apontar para a testa de Miguel.

— Diga olá para o inferno, Peña.

O tiro ecoou, e tudo ficou em silêncio.

Guardei a arma, passando uma mão pelos cabelos.

Gabriel chutou o corpo caído e bufou.

— Filho da puta deu trabalho.

Orlando e Álvaro apareceram para limpar a bagunça, e saímos do galpão, acendi outro cigarro enquanto sentia o peso da noite sobre meus ombros.

— Que tal terminarmos essa noite no clube? Um bom whisky e umas boas mulheres para desestressar um pouco? — Sugeriu Gabriel.

— Estou mesmo precisando... — Respondi.

Entramos no Porsche e partimos em direção ao El Templo, o clube que Cristian administrava.

    A noite estava quente, e a brisa que entrava pela janela só piorava a sensação sufocante no meu peito.

    Meu vestido preto abraçava cada curva, o tecido deslizando como uma segunda pele enquanto eu ajeitava a maquiagem diante do espelho. Meus cabelos prateados caíam em ondas sobre os ombros, e o batom vermelho sangue realçava o corte afiado dos meus lábios.

Eu estava pronta para sair. Mas, é claro, Teresa não ia facilitar.

Ela me observava com um olhar aflito, torcendo as mãos sobre o uniforme.

— Mi niña, você tem certeza disso? — A voz dela saiu tensa, quase suplicante. — Seu marido não vai gostar… Vai ser um problema.

Soltei um riso curto, sem humor.

— Ele tem a vida dele, Teresa. E eu tenho a minha. — Minha voz saiu firme, cortante. — Ele pode ser meu marido, mas não é meu carcereiro. Não pode me prender nessa casa como se eu fosse uma prisioneira.

Ela respirou fundo, desviando o olhar. Algo em sua expressão me incomodou.

— O que você está me escondendo? — Cruzei os braços, estreitando os olhos.

Ela hesitou.

— O senhor Ramón… Ele ordenou que eu informasse cada passo seu. — As palavras saíram quase em um sussurro. — Se eu não fizer isso, ele me coloca para fora.

Meus olhos se fecharam por um instante, e um ódio frio subiu pelo meu corpo.

   Ele ousava ameaçar Teresa? Minha Teresa? Ele que tentasse. Ele que ousasse tocar nela ou em Edgar. Se ele fizesse isso, eu mostraria a ele o verdadeiro inferno.

Respirei fundo, tentando domar o turbilhão dentro de mim. Olhei nos olhos dela e segurei suas mãos com firmeza.

— Não se preocupe. Faça o que tiver que fazer, avise a ele, se precisar. — Meus lábios se curvaram em um sorriso frio. — Quanto a Ramón… deixe ele comigo.

Ela assentiu, relutante.

Peguei minha bolsa e saí pela porta sem olhar para trás.

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Comments

Geilza Maria Silva

Geilza Maria Silva

5.50 da amanhã, eu me preparando para ir trabalhar e ansiosa pelo próximo capítulo, o bicho vai pegar kkkk/Chuckle//Smirk/

2025-03-26

13

Lottie 🌺

Lottie 🌺

Aí é por isso que eu amo a Luna o Ramon vai para a boate então ela também vai se divertir só eu acho que os planos do Ramon para essa noite não vai dar certo por que quando ele ficar sabendo que a Luna foi numa festa ele vai surta kkkkk estou ansiosa para mais capítulos

2025-03-26

4

Mônica

Mônica

Amo a Luna, ela tem sangue nos olhos, destemida, atrevida, resolvida .
Autora não mude o jeito dela, quem q se arratar pra ter ela é o Ramon, sei q é difícil com a personalidade dele, ele tem q saber q ela não faz parte do puteiro q ele frequenta.

2025-03-26

1

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