A ponta do pincel deslizou suavemente sobre minha pele, depositando os últimos traços da maquiagem. O espelho à minha frente refletia uma mulher que, até pouco tempo atrás, eu mesma não reconheceria. A pele impecável, os olhos marcados por um esfumado profundo que realçava o tom prateado dos cabelos, e os lábios tingidos de um vermelho tão intenso quanto o sangue que corria em minhas veias.
Mas não era a maquiagem que me transformava.
Era o que queimava dentro de mim.
Ódio.
Desprezo.
Determinação.
O vestido negro abraçava minhas curvas como uma segunda pele, as rendas escuras se misturando ao tule pesado, criando um contraste brutal com as rosas vermelhas em minhas mãos.
O som de um suspiro pesado me fez desviar o olhar para Úrsula.
Minha amiga me encarava com os braços cruzados, os olhos correndo por cada centímetro do tecido tingido.
— Dios… Luna. — Ela balançou a cabeça, um meio sorriso puxando seus lábios. — Eu não sei se te chamo de louca ou de genial. Você acabou de destruir a tradição mais sagrada de um casamento… e transformou isso em uma obra-prima.
Meus lábios se curvaram em um sorriso afiado.
— Era essa a intenção, cariño (querida). — Me levantei lentamente, sentindo a seda deslizar contra minha pele. — Chocar. Provocar. Fazer o desgraçado entender que ele não está se casando com uma esposa… mas sim com um pesadelo.
Úrsula soltou uma risada seca, mas havia algo mais nos olhos dela. Uma mistura de fascínio e preocupação. Ela sabia que isso não era apenas rebeldia.
Era uma declaração de guerra.
— E o que você acha que Ramón vai fazer quando te vir assim?
Deslizei as mãos pelo vestido e ajeitei o cabelo
— Que se dane.
Deixei Úrsula para trás e caminhei pelo corredor, encontrando Edgar e Teresa à minha espera.
Teresa arregalou os olhos ao me ver e cobriu a boca com uma das mãos.
— Mi niña… Santa Madre…
Um brilho úmido surgiu em seus olhos, e meu peito apertou por um breve instante.
Ela sabia que essa cerimônia não significava amor.
Significava vingança.
Ergui a mão e limpei a lágrima solitária que escorreu por seu rosto.
— Não chore, Teresa. Isso não é o fim… é só o começo.
Ela sorriu com ternura, mesmo que seus olhos ainda carregassem um traço de receio.
Edgar me lançou aquele olhar de admiração que falava mais que mil palavras.
Sem mais delongas, saímos dali.
O destino?
A casa de Javier Martinéz. Meu sogro.
O palco da minha sentença.
E Ramón Martinéz não fazia ideia do que lhe esperava.
A mansão de meu pai estava lotada. A elite criminosa de toda a Espanha circulava pelos jardins, brindando, rindo, se regozijando com essa merda de casamento que, para mim, mais parecia uma emboscada.
Os Martinéz estavam presentes, claro. Meus irmãos, minha cunhada e sobrinhos, meus amigos e aliados. Cada um se divertindo às custas da minha desgraça iminente.
Inclinei-me contra a grade da sacada, tragando um cigarro lentamente enquanto analisava tudo ao meu redor.
Uma armadilha bem montada.
Foi então que Gabriel se aproximou, o sorriso cínico estampado na cara.
— Parece que você está indo para uma execução, cabrón.
Soltei a fumaça lentamente e virei para ele, um riso seco escapando dos meus lábios.
— Porque talvez seja exatamente isso, joder.
O desgraçado riu. Ele estava se divertindo com essa merda toda.
Cristian, que estava escorado contra a mesa, pegou um copo de whisky e ergueu na minha direção.
— Relaxa, carajo. Já enfrentou uma porra de inimigos ao mesmo tempo. Tá com medo de uma mujer (mulher)?
Lhe lancei um olhar afiado.
— Medo? Não fode, hermano.
Ele apenas sorriu e piscou para mim.
Suspirei, sentindo o peso daquele dia se instalar em meus ombros. O único motivo para eu estar tolerando essa merda era o olhar orgulhoso de meu pai.
Para Javier Martinéz, esse casamento era um símbolo de responsabilidade. Um sinal de que eu finalmente estava assumindo um papel de liderança.
Minutos depois
A música começou e todos se levantaram.
O momento chegou.
Me endireitei e direcionei o olhar para a entrada do jardim, esperando ver uma mulher estranha, pálida, apática, vestida de branco, caminhando como se estivesse indo para o matadouro.
Mas então…
Carajo.
O ar foi arrancado dos meus pulmões.
Não havia uma mulher vestida de branco.
Havia um fogo negro entrando no salão.
O vestido era um mar de sombras, o tecido negro abraçando seu corpo de uma forma que fazia cada maldito homem ali prender a respiração. Em suas mãos, rosas vermelhas sangravam entre os dedos.
Os cabelos prateados caiam em ondas luxuosas, moldando um rosto que… puta que pariu.
Isso não era a Luna Sánchez que eu conheci há dois anos atrás.
Isso era um monumento de pecado.
Meus olhos correram por cada detalhe, absorvendo aquela mudança absurda.
Ela andava devagar, cada passo medido, como se estivesse ditando o ritmo do inferno. Sua expressão era serena, mas seus olhos… aqueles olhos... Puta merda, eram tão parecidos com os de alguém...
Um silêncio sepulcral tomou conta do lugar.
Todos estavam estáticos.
Até mesmo Cristian me lançou um olhar divertido antes de dar um gole no whisky e piscar de olho. O desgraçado já esperava essa reação.
Ao meu lado, Simón parecia incapaz de fechar a boca.
E eu?
Eu só conseguia pensar em uma coisa.
Essa mujer está brincando com fogo.
E a porra é que eu nem sabia se queria apagá-lo…
Ou me queimar junto.
O jogo mudou.
E eu não fazia ideia do que viria a seguir.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Dayane
espero que ela entenda o que o pai e a irmã fizeram e sabia o preço,que ela deixe essa vingança de lado e só faça o coitado morrer de ciúmes kkkkkkkk
2025-03-23
17
Lottie 🌺
Aiiiii sabia que ele não iria lembrar agora, eu acho que a pulseira vai ser a chave principal para eles lembrarem daquela noite
2025-03-23
10
Dayane
eitaaaa
tomara que ele descubra que foi ela a mlh da noite anterior e seja ainda mas possessivo que o irmão kkkkkkkk
2025-03-23
1