CAPÍTULO 14

Na manhã seguinte

   Acordei e, ao virar para o lado, senti a cama vazia. Franzi o cenho.

A Luna tinha saído sem que eu notasse?

Passei a mão pelo rosto, irritado. Essa mulher estava me testando. Ainda de pijama, caminhei pelo quarto, o cheiro dela ainda impregnado nos lençóis. Ela poderia fugir de mim no momento, mas cedo ou tarde entenderia seu lugar.

     Após alguns minutos, já estava pronto para sair. O terno impecável, o relógio ajustado no pulso. Caminhei até a cozinha, onde o café da manhã já estava servido. Mas nem sinal da minha esposa.

Paciência nunca foi meu forte.

— Teresa! — Chamei a governanta, minha voz firme, cortando o silêncio.

Ela apareceu rapidamente, os olhos baixos, postura tensa.

— Diga-me onde está minha esposa.

Ela hesitou por um segundo antes de responder.

— Senhor, ela saiu cedo, como faz todas as manhãs. Vai à natação logo ao amanhecer e depois segue para a faculdade.

Cruzei os braços, absorvendo aquela informação.

Natação? Faculdade?

     Eu não sabia nada sobre essa mulher. Dois anos noivos e eu nunca me dei ao trabalho de conhecê-la de verdade. A verdade era que, até aquele casamento, Luna não passava de um acordo para mim.

    Mas agora... agora ela era minha esposa. E minha esposa não sairia por aí sem que eu soubesse exatamente cada passo que dava.

Peguei minha xícara de café, tomando um gole enquanto minha mente já trabalhava. Isso ia mudar. Tudo ia mudar. Eu não iria deixá-la agir nas sombras.

— Teresa, a partir de agora, qualquer movimentação dela passa por mim primeiro. E é bom que me obedeça, ou serei obrigado a mandá-la para o olho da rua.

Ela assentiu rapidamente, e eu me levantei. Hora de trabalhar.

A água sempre foi meu refúgio.

Cada braçada, cada mergulho... Tudo desaparecia quando eu estava ali. A tensão, o medo, a raiva. Era um lugar onde ninguém podia me tocar, onde eu podia respirar sem sentir o peso da minha realidade.

— Vamos, Luna! Última volta, mais rápido! — A voz firme do meu treinador ecoou pelo espaço.

Eu não desobedecia ordens na piscina. Meu corpo respondeu automaticamente, cortando a água com velocidade, cada músculo trabalhando no limite.

Ao tocar a borda, emergi, respirando fundo.

— Bom tempo, mas dá pra melhorar. Você andou relaxando, hein? — O treinador lançou um olhar crítico, mas divertido.

Revirei os olhos.

— Relaxando? Pode apostar que não.

Ele sorriu de canto, mas não insistiu. Peguei a toalha e me sequei rapidamente.

Minutos depois, após me vestir, peguei as chaves do meu Bentley e saí do clube. As ruas de San Sebastián estavam tranquilas àquela hora da manhã, mas minha mente estava longe de qualquer calmaria.

Acelerei um pouco mais do que o necessário. Era uma sensação boa, como se pudesse fugir da realidade por alguns minutos.

Assim que estacionei na faculdade, desci do carro e caminhei pelo campus, sentindo os olhares curiosos de alguns alunos.

— Demorou, hein? — Úrsula comentou, os braços cruzados e um olhar avaliador sobre mim.

Soltei um suspiro e ajustei a alça da bolsa no ombro.

— Meu treinador resolveu pegar no meu pé hoje. Achou que eu estava ficando lenta.

Ela arqueou uma sobrancelha, um sorriso de canto surgindo nos lábios.

— E você deixou?

Soltei uma risada curta.

— Claro que não. Fiz questão de mostrar que ele estava errado.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Essa é a Luna que eu conheço.

Seguimos pelo corredor em direção à sala de aula, mas antes que pudéssemos entrar, uma figura conhecida apareceu à nossa frente.

Diego La Cerda.

Bonito, arrogante, sempre com aquele sorriso presunçoso no rosto. Um dos caras mais populares da faculdade. E, ao que parecia, interessado no novo status da minha vida.

Ele me analisou por um segundo, os olhos cheios de diversão.

— Luna Martinéz. — Ele arrastou meu novo sobrenome de propósito, o tom carregado de ironia. — Ouvi dizer que você finalmente foi laçada.

Cruzei os braços, sustentando o olhar dele.

— As notícias correm rápido por aqui. Mas, sinceramente? Esperava que você tivesse assuntos mais interessantes para se preocupar.

Ele soltou uma risada baixa.

— Nem todos os dias uma das garotas mais cobiçadas da faculdade se casa com um Martinéz. Isso meio que virou um evento, sabia?

Revirei os olhos.

— Lamento ter decepcionado as expectativas.

Ele sorriu de canto, claramente se divertindo.

— Bom, se ainda restar algum resquício da velha Luna... A galera da faculdade vai se reunir hoje à noite lá em casa. Uma festa como nos velhos tempos. Que tal?

Não hesitei.

— Com certeza eu e a Úrsula estaremos lá.

Ele arqueou as sobrancelhas, parecendo levemente surpreso.

— Então está combinado. Te vejo lá, Luna.

Ele piscou para mim antes de se afastar pelo corredor. Úrsula soltou um suspiro pesado ao meu lado.

— Você tem certeza disso? Sei lá... seu marido pode não gostar nem um pouco.

Dei de ombros, abrindo a porta da sala de aula.

— Isso é um problema dele, não meu.

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Comments

Katia Mendes

Katia Mendes

DEPOIS A ALTURA QUER QUE A GENTE TENHA DÓ DA LUNA AFF PELO AMOR NÉ ISSO NÃO É MOTIVO QUE A FAMÍLIA DELA FOI MORTA NA FRENTE DELA QUE SE O CARA MATOU SE A FAMÍLIA DELA É TRAIDORES ISSO NÃO QUER DIZER NADA E EU NÃO ESTOU JULGANDO ELA MAS ESSE COMPORTAMENTO DELA É COMPLETAMENTE INFANTIL . TÁ SENDO CHATA MIMADA INFANTIL 😒

2025-03-28

3

Mclaudia Oliveira

Mclaudia Oliveira

Logo,logo vai se tornar seu problema também Lobinha 🐺😁👀

2025-03-26

5

Joselma Trajano

Joselma Trajano

a luna vai querer mexer com algo que o Ramon não tem ,paciência .

2025-03-30

0

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