O sol castigava San Sebastián, e o vento quente fazia meus longos cabelos negros dançarem enquanto eu caminhava pelo cemitério, segurando um buquê de lírios brancos.
Meu uniforme de luto já era uma segunda pele. O preto tinha se tornado minha cor desde aquele dia. Desde que minha vida foi manchada de sangue.
Me ajoelhei diante dos três túmulos alinhados e passei os dedos sobre a superfície fria do mármore, limpando qualquer resquício de poeira.
Minha família. Meu passado.
Deixei o buquê sobre a lápide do meu pai, inspirando profundamente, buscando encontrar forças.
— Eu vim, papá... — minha voz saiu baixa, embargada. — Como sempre, como todas as semanas. Como todas as malditas vezes em que eu acordo e percebo que vocês não estão mais aqui.
Fechei os olhos e, por um instante, me permiti lembrar.
Meu pai sempre dizia que o nome Sánchez carregava poder.
"Somos guerreiros, Luna. Nunca se esqueça disso."
Ele era implacável, perigoso, um homem que fez muitos inimigos. Mas para mim? Ele era o pai que me ensinou a andar de bicicleta, que me abraçava quando eu chorava, que me fazia sentir segura em um mundo de monstros.
Eu tinha acabado de completar dezesseis anos quando ele me levou para o Caribe, apenas nós dois. Foi uma das últimas lembranças felizes que tive.
E então tudo desmoronou.
O cheiro metálico do sangue.
Os gritos sufocados.
O olhar morto do meu irmão.
E meu pai... caindo de joelhos, derrotado.
Uma parte de mim morreu naquela tarde.
E a outra... bem, a outra foi deixada viva apenas para sofrer.
Apertei os punhos e fechei os olhos, sentindo a fúria pulsar em minhas veias.
— Eles vão pagar, papá. Eu juro. — Minha voz era um sussurro carregado de promessas sombrias. — Eu vou fazê-los sangrar. Cada um deles.
O vento soprou forte, como se respondesse à minha jura silenciosa.
Ouvi passos se aproximando e me virei. Edgar estava ali, me observando.
Ele era o único que restou. O único que não me abandonou. Com seu olhar firme, sua postura rígida, ele era mais que um segurança. Ele era a única família que me restava.
— Hora de ir, pequeña.
Respirei fundo e me levantei. Lancei um último olhar às lápides antes de dar as costas.
— Vamos.
Na mansão
Assim que entrei, o peso da casa me atingiu como uma avalanche.
Os corredores ecoavam lembranças, os móveis guardavam histórias. Mas não as boas. As boas tinham morrido com eles.
— Luna, estava te esperando.
A voz de Úrsula, minha amiga, me trouxe de volta à realidade.
Ela estava encostada no batente da porta da sala, os braços cruzados, o olhar preocupado.
— Teresa disse que voltaria logo — continuou.
Assenti, suspirando.
— Fui visitar meu pai. Vamos para o meu quarto. Quero tomar banho e daí conversamos.
Ela apenas assentiu, me acompanhando escada acima.
No quarto
Soltei um suspiro pesado ao me jogar na poltrona. Úrsula se sentou na cama, me observando.
— Como você está, amiga? Tem tomado seus remédios?
Trinquei o maxilar antes de mentir.
— Sim... estou tomando.
A verdade? Não tomava há semanas. Aqueles remédios me mantinham funcional, anestesiavam a dor. Mas eu não queria ser anestesiada. Eu queria sentir.
Sentir o ódio. A raiva. O desejo de vingança queimando em minhas entranhas.
— E o casamento? — A voz dela veio hesitante. — Já escolheu o vestido?
Meu estômago revirou.
O casamento.
Minha sentença.
Ser forçada a me unir ao irmão daquele desgraçado.
A primeira e última vez que vi Ramón Martinéz, eu tinha dezesseis anos. Ele estava lá. Ele assistia a tudo friamente.
— Luna? — A voz de Úrsula me trouxe de volta.
Pisquei, respirando fundo.
— Ah... eu... deixei Teresa cuidar disso.
Ela me estudou por um momento antes de soltar um suspiro.
— Você precisa ser forte, amiga. Não deixe que eles te quebrem.
Soltei uma risada amarga.
— Eles já me quebraram, Úrsula. Eles destruíram a antiga Luna. Mataram minha inocência, minha vida... tudo que eu era.
Ela baixou o olhar, mordendo o lábio.
O silêncio se estendeu até que ela mudou de assunto.
— Amanhã é seu aniversário. O que pretende fazer?
Dei de ombros.
— Ainda não sei... Talvez sair, me divertir... se isso ainda for possível.
— E...? — ela arqueou uma sobrancelha.
Mordi o lábio antes de soltar, sem rodeios:
— Eu quero transar com alguém.
Úrsula engasgou.
— O quê?!
— Eu não vou entregar minha pureza àquele desgraçado — cuspi. — Prefiro morrer. Então, antes que essa maldita cerimônia aconteça, eu vou resolver isso com qualquer um. O primeiro que aparecer. Não vou dar esse gosto ao meu noivo.
Úrsula arregalou os olhos antes de soltar uma risada incrédula.
— Até que enfim, amiga! Você demorou demais para tomar essa decisão.
Minha expressão endureceu.
— Guarde bem as lembranças da antiga Luna, porque depois de amanhã... eu não serei nem sombra do que fui.
Ela me observou por um momento antes de mexer no celular.
— Acho que tenho algo que pode te interessar.
Estreitei os olhos quando ela virou a tela para mim.
Um convite digital brilhava na tela:
"Baile de Máscaras. Amanhã. Local exclusivo. Apenas para convidados."
Franzi o cenho.
— Um baile de máscaras? Que coisa mais ultrapassada.
— Eu fui convidada, mas não poderei ir porque minha mãe me arrastará para uma viagem de última hora — explicou. — Mas você pode ir.
Cruzei os braços, considerando.
Uma noite para me perder antes de estar presa a um casamento que eu odiava.
— Pensando bem... Acho que vou aceitar.
Ela sorriu, me enviando o convite.
E naquele momento, eu soube.
Naquela noite, eu começaria a enterrar a Luna do passado.
E antes de me casar com meu inimigo... eu perderia minha virgindade.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Lottie 🌺
Assim eu entendo a Luna por ela querer vingança mais eu acho que a Luna deveria ver que tudo isso foi culpa daquela safada da irmã dela e do pai que se juntou ao inimigo para tirar a vida da Kiara , e consequentemente arrastou o irmão dela para a morte e quase que ela também, ela sabe que na máfia traição não tem perdão e também ela deveria agradecer pelo Cristian ter arranjado um homem tão gostoso para ela , # quero ver qual desses dois vai se apaixonar primeiro, quem mais quer?
2025-03-21
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Lottie 🌺
Aiii ela vai perder a virgindade com o Ramon aiiii, só quero ver a cara deles no dia do casamento quando ela descobri que perdeu a virgindade com o noivo kkkkk
2025-03-21
9
Mclaudia Oliveira
Ela só está esquecendo que tudo isso foi culpa do Pai e da irmã que foram mexer com quem estava quieto.😡
A esse baile promete 👀🍿🔥😁
2025-03-21
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