A noite se derramava sobre mim como um feitiço proibido. O vestido vermelho abraçava meu corpo como uma segunda pele, O tecido acetinado deslizando contra minha pele quente. Meus olhos percorreram meu reflexo no espelho. Eu estava diferente esta noite. Mais ousada. Mais viva.
Teresa me olhava com olhos marejados, um sorriso terno nos lábios enrugados.
— Está radiante, mi niña... — Sua voz era um sussurro carregado de emoção. — Faz tanto tempo que não te vejo vestindo algo tão... vibrante.
Passei os dedos pelo decote, sentindo a excitação e o medo travando uma batalha dentro de mim.
— Esta noite, eu me permito viver, Teresa... — murmurei, sem desviar os olhos do espelho. — E depois disso... serei outra pessoa. Mais forte.
Teresa hesitou, seus dedos enrugados apertando os próprios braços.
— Cuidado com o que deseja, Luna. O mundo pode ser cruel com aqueles que buscam mudanças abruptas.
Sorri, mas o sorriso não alcançou meus olhos.
— Ele já foi cruel o suficiente. Está na hora de virar o jogo.
Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Edgar apareceu na porta. Trajava um terno impecável, mas seu olhar carregava a mesma preocupação de sempre. Ele me analisou por um instante, como se tentasse entender o que se passava na minha cabeça.
— Hora de ir, pequeña.
Virei-me para Teresa, segurando suas mãos por um instante.
— Cuide-se, Teresa.
Ela suspirou, acariciando meu rosto com ternura.
— Cuide-se você, minha linda.
E então parti.
Sentei-me no banco traseiro do SUV preto, sentindo o couro frio contra minha pele quente. O motor roncou suavemente enquanto Edgar dirigia pelas ruas iluminadas.
Descansei a cabeça contra o vidro, observando as luzes da cidade piscando como estrelas artificiais. O silêncio entre nós era denso, carregado de tudo o que não precisava ser dito.
— Você trouxe o que eu pedi? — perguntei, minha voz soando baixa, quase como um segredo.
Edgar não desviou os olhos da estrada. Com um movimento rápido, retirou um pequeno pacote do bolso e passou por cima do ombro.
Peguei o plástico entre os dedos, sentindo a adrenalina pulsar em minhas veias. O comprimido branco reluziu sob a luz fraca do carro. Sem hesitar, coloquei-o na boca e engoli seco. O gosto amargo se dissolveu rapidamente, prometendo a leveza que eu tanto ansiava.
— Você sabe que eu odeio isso — Edgar murmurou.
Inclinei a cabeça para o lado, observando seu reflexo no espelho retrovisor.
— E você sabe que eu não me importo.
Ele soltou um suspiro pesado, mas não disse mais nada.
Minutos depois, o carro parou diante do grande salão. O evento já estava em seu auge, o som da música e das risadas se misturando ao burburinho refinado da alta sociedade.
Edgar saiu primeiro e abriu a porta para mim. Desci com calma, os saltos altos batendo no mármore frio da calçada. Antes que eu pudesse ajeitar minha máscara, ele o fez por mim, ajustando-a com cuidado.
— Não gosto da ideia de te deixar sozinha aqui — ele disse, sua expressão endurecida.
— Edgar... — toquei seu braço, olhando diretamente em seus olhos. — Eu preciso dessa noite. Sozinha.
Seus lábios se comprimiram em uma linha tensa.
— Isso não é seguro.
Sorri de canto, um sorriso sem alegria.
— Nada na minha vida é seguro.
Ele hesitou por mais alguns segundos, depois soltou um xingamento baixo e assentiu.
— Se precisar de mim, me ligue.
— Não precisarei.
Virei-me e entrei.
O salão era um mar de máscaras, vestidos luxuosos e sorrisos falsos. Peguei uma taça de champanhe da bandeja de um garçom e caminhei entre os convidados, sentindo os olhares deslizando sobre mim. Homens. Mulheres. Avaliando.
Não importava.
Eu só precisava de um.
A quem eu escolheria?
A música fluía como um veneno lento. O salão transbordava de gente bonita e rica, mas meu interesse por trivialidades era mínimo.
Caminhei até Simón, que sorriu ao me ver. Apesar das máscaras, ele me reconheceria em qualquer lugar.
— Carajo, pensei que não viria — disse ele, batendo sua taça contra a minha.
Soltei um riso seco.
— Como perder uma festa onde a elite esconde seus pecados atrás de máscaras?
Simón gargalhou.
— Exatamente. E, hermano, hoje a casa está cheia de beldades.
Dei uma olhada ao redor. Ele não estava mentindo. Havia mulheres para todos os gostos, todas bem vestidas e com olhares famintos.
— Fez um bom trabalho — admiti, bebendo um gole do meu whisky.
— Sempre faço. Agora... — ele ergueu as sobrancelhas. — Alguma em especial te chamou a atenção?
Dei um gole na bebida antes de responder.
— Todas. — Soltei um riso seco, batendo o copo contra o dele.
Ele riu, batendo em meu ombro antes de nos jogarmos no sofá de couro reservado. Mulheres desfilavam como presas à espera do predador certo. Algumas olhavam, outras se insinuavam, enquanto eu acendia um charuto cubano. Eu não me importava. Não até que...
Mierda.
Minha atenção foi capturada.
Uma mulher.
Vestido vermelho, desenhado ao corpo como uma maldita tentação. Cabelos negros e longos, a pele dourada contrastando com o tecido escarlate. Mas foram os olhos que me foderam por dentro. Mesmo com a máscara, havia algo neles. Algo... conhecido. Ela estava distraída, conversando com um cara e logo depois começaram a dançar.
Traguei fundo o charuto, analisando cada detalhe dela. A forma como movia os quadris, como jogava a cabeça para trás rindo, como seus lábios se curvavam em um desafio mudo.
— Quem diabos é aquela? — perguntei, minha voz carregada de curiosidade e interesse.
Simón acompanhou meu olhar, apoiando os braços nos joelhos enquanto tentava lembrar.
— Não parece alguém do nosso círculo... Provavelmente uma das convidadas da minha mãe.
Mantive os olhos nela, tragando novamente.
Convidada ou não, essa mulher ia ser minha presa essa noite.
Me levantei sem dizer nada, largando o charuto no cinzeiro e passando a língua pelos dentes, sentindo o efeito da droga misturar-se à excitação do momento. Meu sangue pulsava quente, minha mente focada apenas nela.
Caminhei até os dois. O homem que dançava com ela percebeu minha aproximação. O olhar que lancei foi suficiente. Ele abaixou a cabeça e saiu como um cordeiro acuado.
Covarde.
Ela me olhou, erguendo o queixo levemente, como se não estivesse impressionada.
Mas eu vi.
Os olhos dela brilharam.
— Quem é você? — Sua voz veio como um desafio, e juro por Dios, aquilo só me atiçou ainda mais.
Agarrei sua cintura com firmeza e a puxei para mim, nossos corpos colidindo.
— Alguém que está muito interessado em você, cariño. E você dança comigo agora.
Seus lábios se entreabriram, e eu senti sua respiração quente contra minha pele.
— Eu não te escolhi.
Apertei-a um pouco mais.
— Mas eu escolhi você.
A música seguiu seu ritmo, mas agora, eu era o dono dessa dança.
Dominei seus movimentos, guiando-a com firmeza. Mas ela não era uma presa fácil. Não... essa mulher sabia provocar. Sabia jogar. A cada aperto meu, ela revidava, esfregando seu corpo no meu, seus olhos queimando por trás da máscara.
Diabla (diaba) provocadora.
Minha mão deslizou por suas costas nuas, descendo, pressionando sua pele quente. Ela não recuou. Ao contrário, inclinou-se mais, nossas bocas tão próximas que eu podia sentir o gosto do champanhe em seus lábios.
Foda-se.
Não ia esperar mais.
Agarrei seu braço e a puxei para longe da multidão, atravessando o salão como um predador levando sua presa. Ela não protestou. Seu corpo estava quente, rendido, entregue ao mesmo desejo que me consumia.
Entrei em um corredor vazio e a encostei contra a parede, meu corpo colado ao dela.
— Diga que quer isso tanto quanto eu. — Minha voz saiu rouca, repleta de luxúria.
— Se eu não quisesse, já teria te empurrado. — Ela disse, desafiadora.
Sorri, arrastando o nariz pelo seu pescoço, sentindo seu perfume.
— Então, não reclame depois.
Segurei seu maxilar e tomei seus lábios sem piedade. Beijei-a com fome, com desejo.
Ela gemeu contra minha boca, suas unhas cravando-se em meus cabelos, puxando, atiçando. Meu pau latejava dentro das calças, e a droga correndo nas minhas veias só fazia tudo parecer mais intenso, mais urgente.
Ela arqueou contra mim, e eu a apertei mais forte, explorando cada pedaço daquele corpo feito para o pecado.
Mas então...
— Quero que tire minha virgindade.
Carajo.
Afastei-me dela no mesmo instante, minha respiração pesada.
— Mierda... — Passei a mão pelo rosto, tentando clarear os pensamentos.
Ela me olhou, confusa.
— Algum problema?
Problema? Sim, porra. Eu não era um santo. Eu não era um homem bom. Mas foder uma virgem? Isso... isso não era para mim.
Respirei fundo, tentando recuperar o controle.
— Isso não vai funcionar, garota. Esqueça.
Ela ajeitou o vestido, seus olhos brilhando com um desafio ainda maior.
— Tudo bem. Eu encontro outro.
E saiu.
Deixando-me ali. Fervendo. Latejando. Puta que pariu.
Minha mandíbula travou enquanto observava seu corpo desaparecer pelo corredor.
Maldita mulher.
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Atualizado até capítulo 37
Comments
Lottie 🌺
Aiiii autora linda maravilhosa volta aqui, não me deixa ansiosa não pelo amor de Deus 🌺
2025-03-22
5
morena
eita, eles tomaram o msm remédio 😳🤭
2025-03-23
2
Selma
kkkkkkkkkk
Predestinados a ficarem juntos. Ele escolheu ela, assim que a viu dançado.
Nem sabe quem é ela mais, a quis assim que a viu.
2025-03-22
1