CAPÍTULO 09

Dias depois

A um dia do meu casamento.

   Minha rotina seguiu normal, natação, faculdade... O cansaço pesava nos meus ombros enquanto eu estacionava o Bentley e olhava para aquela casa. Minha casa.

Respirei fundo e entrei, sentindo aquele frio na espinha que nunca me abandonava.

— Estou exausta. — Minha voz saiu baixa enquanto eu passava as mãos pelos cabelos prateados.

Teresa, parada na sala, me olhava de um jeito estranho, como se esperasse uma bomba explodir a qualquer momento.

— Algum problema, Teresa? — perguntei, franzindo a testa.

E então eu o vi.

Aquele homem.

Cristian Martinéz.

    O sangue ferveu nas minhas veias, a raiva se espalhando como veneno. Minhas mãos instintivamente se fecharam em punhos, e o ar ao meu redor pareceu pesar.

O rosto dele era impassível, os olhos frios como a lâmina de uma faca.

— Luna. — Ele me chamou, o tom seco, sem traço algum de emoção. — Como você está?

Cada músculo do meu corpo se contraiu, mas mantive a expressão firme.

— Viva. — Respondi, cortante, deixando claro que era apenas isso.

Cristian ergueu uma sobrancelha, como se se divertisse com a minha resposta.

— Torço para que continue assim. — O tom dele era tranquilo demais, e aquilo só fez minha raiva crescer.

Minhas unhas se cravaram nas palmas das mãos. O que ele queria com isso? Um aviso? Uma ameaça velada?

— Trouxe o contrato. — Ele puxou um envelope de dentro do paletó e o jogou sobre a mesa como se aquilo não fosse nada. — Ramón revisou cada cláusula.

Mantive a expressão neutra, mesmo sabendo que aquele documento assinaria minha sentença.

— Ótimo. — Peguei os papéis e segui para o escritório, sentando na cadeira de couro enquanto lia cada linha.

O silêncio reinava, exceto pelo barulho sutil das páginas virando.

Até que meus olhos pousaram em uma cláusula específica.

— Fidelidade obrigatória para mim, mas liberdade para ele? — Minha voz saiu ácida. — Que tipo de acordo patético é esse?

Cristian suspirou, como se aquilo também o incomodasse.

  Ele se aproximou, inclinando-se sobre a mesa.

— Se isso te incomoda, posso riscar. — Pegou a caneta e, sem hesitar, traçou um risco firme na cláusula. — Mais alguma coisa?

Cruzei os braços e o encarei.

— Sim. — Minha voz era afiada como uma lâmina. — Eu tenho 30% das ações da Riviera Auto Group e quero trabalhar lá.

Os olhos dele se estreitaram, analisando-me com uma frieza cortante.

— E por que eu permitiria isso?

Cruzei as pernas lentamente, sustentando o olhar.

— Porque essa empresa foi da minha família. E porque é meu direito.

Um silêncio carregado se instalou entre nós.

Então, Cristian soltou um suspiro e jogou a caneta sobre a mesa.

— Tudo bem.

Minha boca se curvou em um sorriso sarcástico.

— Ótimo.

Assinei aquela droga de contrato sem hesitar e empurrei os papéis de volta para ele.

Cristian pegou os documentos e se levantou.

— Felicidades, Luna.

Meus dentes rangeram.

Eu não respondi.

Porque a única coisa que eu queria naquele momento era enfiar uma bala entre aqueles olhos frios.

Após o desgraçado sair, soltei um suspiro pesado.

    Encostei na cadeira, tentando acalmar a tempestade dentro de mim. Mas o universo parecia determinado a testar minha paciência. Teresa entrou no escritório, hesitante, carregando aquele olhar que sempre significava uma nova bomba prestes a explodir.

— O que foi agora, Teresa? — perguntei, minha voz carregada de cansaço e irritação.

Ela hesitou por um segundo antes de soltar a notícia como quem joga gasolina em um incêndio.

— O vestido chegou.

Por um instante, tudo ao meu redor pareceu silenciar.

Soltei uma risada seca, irônica.

— Mierda.

Me levantei devagar, sentindo cada músculo do meu corpo se enrijecer. Caminhei até onde aquele maldito vestido estava, envolto em um tecido delicado, protegido como se fosse uma joia rara.

Com dedos firmes, puxei a capa e encarei a peça.

Branco.

Imaculado.

O sonho de tantas mulheres… mas não o meu.

Para mim, aquilo não era um símbolo de felicidade. Era uma sentença.

Meus olhos arderam de ódio.

E então, a ideia veio.

Um sorriso frio se desenhou nos meus lábios enquanto me virava para Teresa.

— Me traga uma tinta spray preta.

Os olhos dela se arregalaram de imediato.

— Luna… o que você está pensando em fazer?

Meu olhar encontrou o dela, determinado, implacável.

— Apenas traga, Teresa. Agora.

Ela hesitou. Eu sabia que conseguir aquilo de uma hora para outra não seria fácil, mas Teresa sempre dava um jeito.

E, minutos depois, lá estava ela.

Respirei fundo ao sentir o peso da lata nas minhas mãos. Dei uma leve sacudida, ouvindo o som da tinta se misturando, e então… pressionei o bico, deixando o jato negro se espalhar pelo tecido luxuoso.

Mancha após mancha.

Destruição após destruição.

O branco desaparecendo, dando lugar ao negro intenso.

Meus lábios se curvaram em um sorriso lento.

A sensação era absurdamente satisfatória.

Teresa colocou a mão na boca, horrorizada.

— Meu Deus…

Quando terminei, recuei um passo e admirei minha obra.

O vestido já não era mais puro, não era mais ingênuo.

Agora, sim.

Ele era escuro, manchado… corrompido.

Assim como eu.

Passei os dedos pelo tecido, sentindo a textura ainda úmida da tinta e murmurei, com um sorriso afiado:

— Agora está perfeito. Digno da noiva de Ramón Martinéz.

E o jogo, finalmente, começou.

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Comments

Lucia Regina

Lucia Regina

kkkkk autora linda você é malévola solta uma bomba dessa e saí de fininho kkkk só não tive um treco porque sei que vindo de você posso esperar tudo kkkkk o caos eu amo muito você autora linda mais que você judia dos leitores a judia kkkkkk

2025-03-23

12

Lottie 🌺

Lottie 🌺

Sabia que ela ia fazer isso kkkkk

2025-03-23

8

Andrea Santana

Andrea Santana

Amei a ideia dela, só quero ver quando descobrir que quem tirou sua virgindade foi seu futuro marido.

2025-03-23

3

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