A tensão no ar parecia ter se solidificado em algo quase palpável, como se o espaço entre nós dois tivesse se tornado uma linha tênue, prestes a se romper. Eu podia sentir o calor de sua respiração, entrecortada, cada suspiro dela se misturando ao meu. Estávamos ali, dois mundos colidindo, mas sem poder sequer tocar a barreira que separava nossas almas. Ela estava comigo, mas ao mesmo tempo, havia algo ali, algo intransponível, que ainda nos afastava.
Simone olhou para baixo, como se tentasse encontrar uma resposta em suas próprias mãos, mas não havia resposta ali. Ela sabia, assim como eu, que o que nos esperava era muito maior do que qualquer explicação, qualquer racionalização. Era instinto. Era destino. E, apesar de toda a sua resistência, havia uma aceitação mútua crescendo, algo que nos tornava irremediavelmente ligados.
"Eu não posso..." Ela começou a dizer, sua voz baixa, trêmula, mas interrompi rapidamente, sabendo que ela estava apenas tentando encontrar um argumento que a convencesse de que ainda havia controle. Ela estava errada. Não havia mais controle, nunca houve.
"Simone," interrompi, com a voz mais suave, mas carregada de uma firmeza que ela não podia ignorar. "Você já fez a sua escolha. Não há volta. Não há como voltar atrás agora. Não importa o que você queira, o que você deseje. Eu te disse... você já era minha. E agora, não há mais nada que nos separe."
Eu vi o pequeno tremor em suas mãos, a dúvida ainda lutando contra a verdade que havia se instalado entre nós. Mas havia algo mais ali. Algo que ela não podia negar. Eu podia ver a luta interna, mas também podia sentir sua entrega silenciosa.
Ela me olhou nos olhos, como se estivesse buscando algum sinal de que eu mentia, de que ela poderia ainda escapar. Mas o que ela não sabia era que não havia mais escapatória. Era mais do que nós dois. Era como se o destino tivesse traçado um caminho que não poderíamos mais alterar. Eu estava ali, e ela também estava, mesmo que ainda não quisesse admitir completamente.
"Eu não posso... me entregar assim, sem mais nem menos," ela sussurrou, seus olhos marejados, mas não de lágrimas — de algo mais profundo. Um conflito que parecia corrê-la por dentro, algo que ela tentava desesperadamente evitar, mas que já não podia mais fugir.
Eu a observei por um momento, sem pressa de falar, sem pressa de agir. Eu sabia o que ela precisava, o que ela estava esperando. E, quando finalmente falei, a minha voz era tão suave quanto um sussurro, mas repleta de uma verdade incontestável.
"Você já se entregou, Simone. Desde o momento em que te vi. Não há mais escolhas, não há mais dúvidas. Só restam as consequências."
Ela ficou em silêncio, a luta interna ainda evidente, mas havia algo em seus olhos, uma rendição que ela não podia mais esconder. E, naquele momento, eu soube que o jogo havia acabado. Nós dois já sabíamos. A resistência, a luta, tudo isso tinha sido em vão. Ela já era minha, e eu já sabia que nada mais poderia mudar isso. O que quer que fosse que nos aguardasse dali em diante, já estava selado.
O silêncio entre nós dois se aprofundou, agora denso, quase opressor. Eu podia ver a guerra interna nos olhos de Simone, como se estivesse tentando racionalizar o impossível, tentando encaixar aquela verdade em um lugar onde ela pudesse controlá-la. Mas não havia controle. Eu sabia disso. E ela, aos poucos, também sabia.
Ela deu um passo para trás, mas não o suficiente para se distanciar completamente. O espaço entre nós permanecia, mas agora parecia mais uma brecha que ela ainda tentava preencher com alguma lógica, alguma razão que a fizesse escapar do que inevitavelmente estava acontecendo. Mas a verdade era implacável. Não havia escapatória.
"Eu não sou uma presa, e você não vai me dominar, entendeu?" A voz dela, apesar de firme, tremia levemente. Ela tentava parecer dura, mas o que eu via em seus olhos não era desafio. Era medo. Medo do que isso significava, medo do que poderia acontecer se ela finalmente se entregasse.
Eu dei um passo em direção a ela, mais devagar, sem pressa. Não queria assustá-la mais do que já estava. Mas ela não recuou. O olhar dela, antes repleto de resistência, agora estava confuso, misturado com uma fragilidade que ela não queria admitir. Ela estava tentando entender, tentando negar, mas algo dentro de mim sabia que ela já sabia.
"Simone..." Eu disse o nome dela com suavidade, quase como um sussurro. "Você já se entregou, não foi? Desde o primeiro momento. Não porque eu te forcei, mas porque você sabia que isso era o que tinha que acontecer. Não estamos falando de controle, estamos falando de algo que sempre esteve entre nós dois. Você não pode negar o que sente, e eu sei disso."
Ela não respondeu de imediato, mas pude ver a luta em seus olhos. Algo estava se quebrando, algo que ela tentava proteger, uma parte de si mesma que ainda queria se manter forte, mas que não podia mais resistir à verdade. Eu podia sentir a tensão no ar, como se o próprio ambiente estivesse prestes a explodir com a pressão que ambos estávamos criando.
"Eu não queria isso..." Ela sussurrou, quase como se estivesse se desculpando, mas eu sabia que não havia nada do que se desculpar. O que estávamos vivenciando era maior do que qualquer escolha, maior do que qualquer desejo de resistir.
"Você não precisa querer, Simone," eu disse, minha voz agora firme, mas calma. "Isso não é sobre querer ou não querer. Isso é sobre o que já aconteceu entre nós dois, o que sempre aconteceu. Não importa o quanto você tente se afastar ou negar. Eu sou seu, e você é minha."
Ela deu um passo para trás, mas algo mudou no seu olhar. Não havia mais a mesma resistência que antes. Agora, havia compreensão. Uma aceitação silenciosa, que ela não podia mais ignorar. Ela estava se entregando, mas não da maneira que imaginava. Não com palavras ou promessas. Ela estava se entregando a algo maior que qualquer um de nós.
Eu me aproximei mais uma vez, sem pressa. Quando ela não recuou, quando não tentou mais se afastar, sabia que o momento havia chegado. O espaço que ainda existia entre nós não era mais uma barreira. Era apenas o último resquício da resistência dela, algo que logo desapareceria.
"Você não pode fugir disso, Simone," eu murmurei, quase em um suspiro, olhando profundamente nos seus olhos. "Nós dois sabemos disso. O que você sente não pode mais ser ignorado."
Ela não respondeu, mas o olhar dela já dizia tudo. Havia algo ali, algo que ela não podia mais negar. E, naquele momento, eu soube. Eu sabia que não havia mais como voltar atrás.
A última resistência se desfez. Não com um grito, não com um grande gesto, mas com um simples ato de aceitação. Ela sabia, e eu sabia, que não havia mais caminho a seguir, a não ser o que o destino já havia traçado para nós dois. E, enquanto o amanhecer finalmente invadia o chalé, iluminando o que restava de nossas sombras, eu entendi. Nada mais poderia nos separar.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Simone Freitas
Nossa como Diego é determinado ! Para ela não tem dúvida não hihi
Mas Simone não está tão confiante assim
2025-03-23
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Arlete Oliveira
Simone não está com a mesma certeza que Diego não
2025-03-23
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