Capítulo 15: Refúgio nas Sombras
A estrada deserta se estendia à nossa frente, mas eu sabia que não podíamos continuar por muito mais tempo. Rafael e sua organização estavam em todo lugar, e, mais cedo ou mais tarde, iriam nos encontrar. O relógio estava correndo contra nós, e cada segundo perdido significava mais perigo. Precisávamos de um lugar seguro, um esconderijo, onde pudéssemos planejar o próximo passo. Eu sabia que Simone estava começando a entender o peso da responsabilidade que ela carregava, mas isso não a tornava imune ao que estava por vir. E, com minha costela machucada, não podia dar o luxo de continuar em movimento sem ajuda.
“Simone,” eu disse, a voz mais fraca do que eu queria, “precisamos de um lugar para nos esconder. Não podemos continuar assim, na estrada. Eles vão nos rastrear.”
Ela olhou para mim, os olhos fixos no retrovisor, observando qualquer movimento. A tensão era visível em seu corpo, mas havia algo mais ali. Uma determinação silenciosa. Ela sabia que, por mais que eu quisesse protegê-la, a verdade era que agora ela também precisava cuidar de mim.
“Tem algum lugar seguro?” ela perguntou, a preocupação pesando em suas palavras.
Eu hesitei, forçando uma respiração profunda. “Sim. Eu conheço um lugar. Um esconderijo antigo, longe dos olhos de qualquer um. Ninguém sabe sobre ele, nem mesmo Rafael. É o único lugar onde podemos ficar por enquanto, e onde podemos planejar o que fazer a seguir.”
Simone assentiu sem hesitar, já pisando fundo no acelerador. O som dos pneus cortando a estrada parecia um eco distante da realidade que nos aguardava. Não havia mais volta. Ela estava comigo, e isso significava que o risco agora era compartilhado. Não importava o quão arriscado fosse. Eu não poderia deixá-la sozinha nisso.
A viagem foi silenciosa. A tensão entre nós era palpável, mas algo havia mudado. Eu a sentia mais forte, mais preparada para o que viria. Quando finalmente chegamos ao esconderijo, um antigo chalé isolado, no meio de uma floresta densa, eu não pude deixar de respirar aliviado. Era um lugar tranquilo, protegido pelas sombras da natureza. Mas, ao mesmo tempo, era um refúgio. Um lugar onde poderíamos nos esconder, ao menos por enquanto.
"Bem-vinda ao nosso refúgio", eu disse, tentando aliviar a tensão. “Aqui estaremos em segurança, por agora. Pelo menos até descobrirmos o que fazer em seguida.”
Simone olhou ao redor, absorvendo o ambiente. O chalé era simples, com móveis rústicos e um ar de abandono, como se ninguém tivesse estado lá por anos. Mas era perfeito. O isolamento era nossa melhor proteção.
“Agora, você precisa descansar,” eu disse, quando ela começou a descer do carro. Eu estava quase desabando de dor, minha costela não parava de latejar, mas não podia deixar que ela soubesse. Não agora. “Vou cuidar de você, mas preciso de você aqui, Simone. Comigo.”
Simone me olhou, as sombras de preocupação ainda marcando seu rosto, mas ela não questionou. Ela era forte. Ela já estava começando a agir como uma líder, não mais como uma vítima. Ela sabia o que precisava ser feito. “Você também precisa descansar. Eu cuido de você, Diego.”
Eu a observei por um momento, sentindo um nó se formar na garganta. Eu estava sempre acostumado a ser o protetor, mas agora, com a situação invertida, eu vi a verdade. Ela estava crescendo em força, e, de certa forma, ela era mais forte do que eu imaginava. E, naquele momento, senti algo que não sentia há muito tempo: confiança. Eu confiava nela.
Simone se moveu rapidamente pelo chalé, pegando cobertores e criando um espaço onde eu poderia me deitar. Ela era eficiente, sem perder tempo. Quando eu me deitei na cama improvisada, sentindo a dor na costela se intensificar, ela veio até mim com um pano úmido para ajudar a aliviar o sofrimento.
“Eu sei que está doendo. Mas não se preocupe, você vai ficar bem,” ela disse, sua voz baixa e reconfortante.
Ela começou a limpar o suor que escorria pela minha testa e a cuidar de mim com uma calma impressionante. Cada movimento dela era cuidadoso, e eu me senti, pela primeira vez, realmente vulnerável. Não era mais a história de um homem tentando proteger alguém. Era a história de dois aliados, juntos, tentando sobreviver.
Simone ficou ao meu lado durante toda a noite, não me deixando deitar sozinho. Ela sentou-se ao meu lado, me observando enquanto eu dormia, como se estivesse esperando que eu fosse acordar, em algum momento, de um pesadelo. Eu sabia que ela estava com medo. Mas ela também estava determinada.
Naquela noite, o chalé foi silencioso. Apenas o som da chuva e o vento nas árvores podiam ser ouvidos. Mas, naquele silêncio, havia algo mais. Algo mais forte do que qualquer medo. O vínculo entre nós havia se fortalecido. Ela não estava mais apenas ao meu lado por necessidade. Ela estava ao meu lado porque, de alguma forma, ela acreditava em nossa luta. Em nossa missão.
E, quando a manhã chegou, eu soube que, por mais que a jornada à frente fosse cheia de desafios e perigos, eu não estava mais sozinho.
Agora, éramos dois. E juntos, enfrentaríamos o que viesse.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Simone Freitas
Ainda bem que ele cuidou dele pois eu já estava agoniada hihi
2025-03-19
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