capítulo 10

Diego - Narração

A dor é um monstro silencioso, mas que se faz presente em cada movimento. Cada respiração parece pesar mais do que a anterior, e mesmo a força que sempre encontrei em mim agora parece ser uma chama que se apaga lentamente. Mas não posso parar. Não posso.

Os homens de Rafael me pegaram de surpresa, e a última coisa que lembro antes de ser derrubado foi a risada de um de seus capangas, um som frio que cortou o ar da noite. Fui rápido, mas não o suficiente. Eles não eram só brutais; eram meticulosos. Sabiam como me fazer sangrar sem perder o controle. Cada golpe, cada movimento deles, era uma mensagem — uma mensagem que dizia: você não vai ganhar essa batalha.

Simone entrou no meu carro, e vi seus olhos, o medo misturado com desconfiança. Mas não pude falar, não naquele momento. A dor me consumia, e a verdade, como sempre, vinha com um peso que eu não estava preparado para carregar.

Ela não entende. Não entende o que está em jogo. Não entende o que é ser arrastado para o fundo de um pesadelo e, mesmo assim, ter que manter os olhos abertos. Eu a observei, seus olhos indagadores tentando desvendar algo que eu não tinha forças para explicar. Eu não podia simplesmente dizer a ela o que eu sabia. O que está em jogo, o que ela é... isso envolve mais do que a vida dela ou a minha.

Ela me pergunta o que aconteceu, e eu me vejo tentando juntar as palavras, tentando encontrar algo que a faça entender sem perder o controle. Como posso explicar a ela que ela não é só uma peça no meu jogo? Não, ela é a chave. Ela sempre foi. O passado dela e o meu... está entrelaçado de uma maneira que nem nós entendemos ainda. E, se eu puder fazer uma coisa certa nesse jogo sujo, é proteger ela. Só ela.

Mas, mesmo assim, quando o olhar dela se encontra com o meu, eu vejo algo que me dá medo. Não é só desconfiança. É o desconhecido. Ela sabe que há algo que não estou dizendo, e o pior, é que eu não sei como manter isso a salvo. Porque a verdade, Simone... a verdade vai rasgar tudo o que você conhece.

Eu olho para ela, e a visão se torna turva. A dor faz minha visão tremer. Mas eu não posso parar. Não posso. Não agora. Eu preciso chegar até o lugar seguro, e preciso fazer isso com ela. Rafael não pode saber que estamos perto. Ele tem que entender o quanto a protejo, mesmo que isso signifique arriscar tudo, até a última gota de sangue.

Quando ela me pergunta o que Rafael quer, eu me sinto sufocado. Eu sei que não posso mentir para ela, mas a verdade é mais pesada do que qualquer mentira que eu possa inventar. Eu não estou só protegendo a mim mesmo. Estou protegendo a vida dela. E, de alguma forma, talvez até a minha própria redenção, se é que isso ainda existe.

O carro voa pelas ruas escuras, e eu me forço a continuar. Me forço a ignorar a dor. Mas a cada minuto, ela fica mais forte. O sangue em minhas roupas, na minha pele... tudo parece me puxar para baixo. Cada respiração é uma luta. Mas, ao olhar para Simone, vejo o reflexo de algo que não posso perder.

Eu vejo a chave. E não, não é a resposta que ela quer ouvir. Mas é o que ela precisa entender. Eu estou entrelaçado a isso, e não posso escapar. Ninguém pode escapar do que é destinado a acontecer.

Chegamos ao beco, e eu paro com um gemido. O carro desliga, e a escuridão parece envolver ainda mais tudo ao nosso redor. Simone está ao meu lado, e eu vejo a dúvida em seus olhos. Mas ela não vai entender. Não agora. Não ainda.

O que está em jogo... tudo o que somos... está dentro desse jogo. E não importa o quanto eu lute. Eu sou parte dele. Ela é parte dele. Estamos irremediavelmente ligados a essa teia de mentiras, e eu, Diego, sou o único que pode tentar controlá-la, mesmo que eu seja o maior dos culpados.

Mas há algo mais... o medo. Eu sei que ela está começando a ver isso. Ela está começando a sentir que, não importa o quanto ela tente escapar, há algo maior, algo mais sombrio que a manterá aqui.

— "Eu não posso deixá-lo ganhar, Simone. Não vou permitir." — Eu falo com uma determinação que mal sinto, mas sei que preciso. Preciso fazer ela entender que eu não sou só o homem que ela vê. Eu sou a linha entre ela e o abismo.

Mas ela não vê. Não ainda.

— "Simone... você é a chave. E eu vou fazer o que for preciso para te proteger disso."

A escuridão está apenas começando a se fechar ao nosso redor, e nada mais será como antes.

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Comments

Arlete Oliveira

Arlete Oliveira

fala alguma coisa pra acabar com essa agora de mistério kkk

2025-03-18

0

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

que segredo é esse?!
que chave é essa ?
misericórdia 😂

2025-03-18

0

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

surtando com isso

2025-03-18

0

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