Capítulo 14: O Caminho das Sombras
O carro estava parado, mas nossas mentes continuavam em movimento. A chuva ainda martelava contra os vidros, mas o que importava ali não era o tempo lá fora, e sim o que havia dentro de nós dois. Simone agora sabia, ou pelo menos, tinha uma ideia de todo o jogo que estava em andamento. A verdade que ela havia esperado por tanto tempo, finalmente, foi revelada. E a decisão dela estava clara. Ela não seria uma espectadora. Não seria alguém à margem da história. Ela iria lutar.
Eu a observei, sentindo uma sensação de urgência me consumir. “A guerra não vai ser fácil, Simone. Eles têm mais poder do que você pode imaginar. Rafael tem seguidores, aliados. Pessoas que estão dispostas a fazer qualquer coisa para manter o controle sobre o que ele deseja. A sua mãe… ela foi uma das últimas que tentou resistir. E agora, você é a única que pode interromper essa corrente de manipulação.”
Ela olhou para mim com os olhos firmes. “Então vamos fazer isso. Vamos acabar com esse mal pela raiz.”
Eu podia ver a determinação no olhar dela, mas sabia que a estrada à frente seria repleta de perigos e sacrifícios. Não se tratava mais de apenas sobreviver. Era sobre destruir o que estava nas sombras, destruir a organização antes que ela tomasse o controle de tudo.
“Simone,” eu disse, a voz mais grave agora, “precisamos nos preparar. O que eu te contei até agora é só a ponta do iceberg. A organização de Rafael… ela é mais complexa do que qualquer coisa que você tenha visto. E eu… eu sou parte disso, mas não sou mais. Já fiz minha escolha. A minha lealdade não está mais com eles. Está com você.”
Ela se virou para mim, ainda em silêncio, como se estivesse tentando pesar cada palavra que eu dissera. O ar parecia mais denso, mais pesado agora que as verdades estavam expostas.
“Eu sei o que você está pensando,” eu continuei, “mas não será fácil. Eles sabem que você existe. E por mais que tentem apagar sua memória, o que está dentro de você, Simone, ninguém pode apagar. Eu sei que você sente isso. Que você sabe que algo em você está diferente. Algo está despertando.”
Ela assentiu levemente, como se estivesse começando a entender que, de fato, algo dentro dela estava mudando. Como se o peso da verdade tivesse se instalado em sua alma e começasse a abrir portas no fundo de sua mente. Mas a dúvida ainda pairava no ar.
“E como vamos parar tudo isso?” ela perguntou, quebrando o silêncio pesado que nos cercava. “Como podemos lutar contra algo tão grande?”
Eu respirei fundo, sabendo que não havia resposta fácil. “Eu preciso te levar até um lugar. Um lugar onde estão armazenadas as memórias que foram apagadas de você. Sua mãe fez tudo o que pôde para garantir que você tivesse uma chance, mas as informações que ela deixou para trás são fragmentadas, incompletas. Só você pode acessar tudo isso. Só você tem a chave.”
“E onde fica esse lugar?” ela perguntou com um tom de desafio, determinado a continuar apesar do que sabia ser perigoso.
“Está na base da organização,” eu expliquei. “É onde eles realizam as experiências. Onde eles coletam dados e controlam as memórias das pessoas. Eles pensaram que destruiriam as lembranças de sua mãe e apagariam o que você poderia lembrar, mas não contavam com uma coisa. O que ela fez… foi guardar tudo dentro de você.”
Simone olhou para mim, agora mais confusa do que nunca. Ela estava começando a entender o que precisava fazer, mas havia um medo visível nos seus olhos. Ela sabia que a luta seria arriscada. Que não haveria volta. A decisão estava tomada, mas as consequências ainda estavam para ser vividas.
“Como eu acesso essas memórias? Como vou saber o que é real e o que foi manipulado?” ela perguntou, a insegurança agora tomando conta de sua voz.
Eu sorri levemente, tentando transmitir confiança. “É instintivo, Simone. A memória não é algo que podemos controlar racionalmente o tempo todo. Sua mente vai te guiar, e eu estarei ao seu lado. Nós vamos destruir a base de tudo isso, e, no processo, você vai lembrar. A chave está dentro de você, em algum lugar. E quando você acessar as memórias, vai entender a verdade completa. Vai saber o que fazer.”
O carro arrancou lentamente, e o som da chuva parecia suavizar à medida que nos afastávamos do local. Eu sentia a tensão crescente entre nós, mas também uma sensação de alívio. Não havia mais espaço para mentiras ou confusão. Simone sabia agora o que ela precisava fazer. E, com isso, ela se tornava a protagonista de sua própria história.
A estrada à frente era longa, e não sabíamos exatamente o que encontraríamos lá no final. Mas eu tinha certeza de uma coisa: Simone não estava mais sozinha. Não mais. Juntos, nós iríamos enfrentar a organização, e não importava o que fosse preciso para derrubá-los.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Simone Freitas
Agora sim já sabemos porque eles tem que lutar
2025-03-19
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