capítulo 17

A quietude entre nós dois era quase palpável, mas não era um silêncio confortável. Era o tipo de silêncio que carregava a promessa de algo incontrolável, algo que nos aguardava, nos desafiava a confrontá-lo. O amanhecer entrou lentamente pela janela do chalé, como se estivesse se infiltrando nos nossos próprios pensamentos, e a dor na minha costela me lembrou que tudo aquilo era real. Mas não era a dor que dominava minha mente naquele momento. Era ela.

Simone estava ali, cuidando de mim com uma atenção que não conseguia mais disfarçar. Era algo genuíno, mas também havia uma fragilidade ali, uma necessidade de algo mais que ela não queria admitir. A missão de protegê-la, que havia começado como um simples dever, agora parecia irrelevante. Algo havia mudado. Algo maior do que ambos podíamos controlar, algo que nós dois sentíamos e que, até agora, não ousávamos tocar.

Eu sabia o que estava acontecendo. Não era só pelo desejo de mantê-la segura. Não era só pela necessidade de cumprir minha promessa. Era mais profundo. Desde o momento em que a vi pela primeira vez, eu sabia. Algo dentro de mim foi marcado de uma forma que não podia ser apagada. E agora, quando olhei para ela, não pude mais negar. Ela já era minha, mesmo antes de eu saber disso.

Quando ela se aproximou, com um prato simples nas mãos, o olhar dela não conseguia esconder o que se passava por dentro. Ela estava tentando ser forte, mas algo em sua expressão entregava a verdade. Eu podia ver o conflito, a dúvida, e, por fim, o medo de ceder ao que, para ela, era a última coisa que queria.

"Você não precisa fazer isso, Simone." A minha voz saiu mais rouca do que eu queria, como se eu estivesse tentando evitar algo que já não podia ser evitado. Mas era impossível ignorar a urgência naquilo que estava se desenrolando entre nós. Era tarde demais para esconder.

Ela me olhou por um momento, seus olhos procurando algo em mim, talvez uma resposta, talvez uma confirmação de que eu sabia o que estava acontecendo. E eu sabia. Eu sabia mais do que ela poderia imaginar.

"Eu sabia desde o começo," disse, a minha voz agora firme, sem hesitação. "Desde o primeiro momento que te vi, quando tudo começou, eu já sabia. Não foi por acaso que te procurei. Eu te queria. Você era minha antes de todo esse caos começar. E eu sabia que nada ia mudar isso."

Simone não disse nada de imediato. Suas feições estavam fechadas, mas havia algo nos seus olhos. Era como se ela estivesse tentando entender se poderia confiar nas palavras que eu acabara de dizer. Eu podia ver o medo, a resistência, mas também uma aceitação crescente. E isso a assustava. Eu via isso em cada centelha no olhar dela.

“Você acha que pode me controlar, agora?” Ela falou com um tom baixo, desafiante, mas eu podia perceber a insegurança por trás da sua palavra. Ela estava tentando se proteger, tentando não se entregar ao que já sabia ser verdadeiro. Mas não havia mais como esconder.

Eu não consegui evitar um sorriso, amargo e cheio de uma verdade inescapável. "Não se trata de controle, Simone. Nunca se tratou. Sempre foi sobre o que nós dois sabemos, mesmo sem dizer. Você já era minha, desde o primeiro momento. E você sabe disso."

Ela recuou um passo, mas não o suficiente para me afastar. Eu a segui, sem hesitar, sentindo a tensão crescer entre nós. O espaço que ainda existia entre nós estava sendo preenchido por algo mais forte que palavras. Algo que não poderia ser ignorado.

"Você é minha," disse, a minha voz mais baixa, quase imperceptível, mas carregada de uma certeza que não poderia ser contestada. "E isso não tem volta. Não importa o que aconteça, nada vai nos separar. Nem Rafael, nem ninguém."

Ela ficou em silêncio, mas algo em seu olhar já havia mudado. Não havia mais uma tentativa de recuar. Ela estava ali, parada diante de mim, o medo ainda presente, mas a resistência se dissolvendo. Ela sabia que, de algum modo, já estava perdida nisso.

Eu me aproximei, e pela primeira vez, a vi ficar parada, sem fugir. Ela não recuou. A luta interna era evidente, mas havia algo mais agora — algo que ela não conseguia negar. Eu a vi tomar uma respiração profunda, como se estivesse se preparando para se entregar ao inevitável.

“Simone,” murmurei, a voz rouca e baixa. "Não importa o que você queira, o que você sinta. Isso já é maior do que qualquer escolha nossa. Você sempre foi minha, e agora é só questão de aceitar."

Os olhos dela se encontraram com os meus. Havia uma aceitação silenciosa ali, algo que não precisava ser dito em palavras, mas que estava claro em cada gesto dela. Ela não recuou. Ela não negou. Ela estava ali, diante de mim, e pela primeira vez, entendi. Nós dois éramos prisioneiros de algo muito maior do que nossas próprias vontades.

Eu a queria. Ela sabia disso. E, talvez, no fundo, ela também me queria. Mas, mais do que isso, sabíamos que não havia mais como negar. E, apesar de todos os temores, de todas as dúvidas, nós éramos inevitáveis.

E, naquele momento, quando o silêncio nos envolveu mais uma vez, tudo o que restava era a certeza de que nada mais poderia separar o que já havia se formado entre nós.

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Comments

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

Esse Diego tá se achando muito

2025-03-22

0

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

e aí autora?
qual o segredo??
😂😂

2025-03-22

0

Nan Beta

Nan Beta

autora voltaaaaaa aquiiiii

2025-03-22

0

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