capítulo 11

A dor em meu corpo era insuportável. A ferida na minha barriga ardia a cada movimento, cada respiração se tornava mais difícil. Mas eu não tinha escolha, não podia desistir agora. Simone estava comigo, e enquanto ela estivesse ali, eu lutaria.

“Simone, corra!” A voz saiu entrecortada, mas era o mais próximo de uma ordem que eu conseguia dar. Rafael estava perto, e eu sabia que a qualquer momento ele poderia nos alcançar. Eu não queria que ela fosse pega. Não queria que ela visse o que ele poderia fazer com ela.

Ela olhou para mim com os olhos cheios de raiva e desespero, mas algo mais brilhava ali — uma decisão inquebrantável. "Eu não vou te deixar," disse, com a voz tensa. Ela não estava mais com medo. Ela estava furiosa. Furiosa comigo, com o que Rafael fizera, com tudo o que tinha acontecido.

Eu tentei me apoiar contra a parede para não cair, mas o sangue continuava a escorrer, e a cada passo que eu dava, o mundo girava. Não conseguiria mais correr. Não sem ela.

A porta do beco se abriu, e eu ouvi os passos de Rafael. Ele estava vindo. A macabra certeza de que o fim estava próximo fazia meu coração bater mais forte, mas não era só a morte que me assombrava agora — era o que Rafael faria com Simone.

“Você vai me pagar por tudo, Diego,” ouvi sua voz rouca. Rafael estava se aproximando, mas seus passos estavam mais lentos, provavelmente devido ao tiro que Simone havia dado. Ele estava ferido, mas não o suficiente para pará-lo. A raiva o alimentava.

Simone me olhou, e então algo mudou nela. Ela não hesitou. Olhou para a arma na minha mão e a puxou com rapidez, como se soubesse exatamente o que fazer. Eu queria impedir, mas estava fraco demais. E, naquele momento, algo dentro de mim sabia que ela precisava fazer isso.

Ela correu para a entrada do beco, e eu não pude fazer nada além de observá-la. Rafael estava a alguns metros de distância, ainda cuspindo palavras de ódio.

Simone não hesitou. A arma disparou, o som ensurdecedor ecoando pela rua vazia. Rafael gritou, mas não foi o grito de dor que eu esperava. Foi um grito de fúria. Ele caiu de joelhos, mas antes que pudesse se arrastar para frente, Simone disparou novamente. O projétil não o matou, mas o deixou atordoado, cambaleando enquanto se levantava de novo.

“Agora!” Simone gritou, e sem esperar por resposta, ela correu em direção à rua, onde o carro estava estacionado. Não tínhamos muito tempo.

Eu estava lá, incapaz de me mover rapidamente, meu corpo gritando, mas consegui me arrastar até o carro, ouvindo o som de Rafael se levantando atrás de nós, sua respiração pesada. Ele estava enlouquecido, furioso, mas nós tínhamos uma vantagem. Não muito tempo, mas suficiente para escapar.

Quando Simone abriu a porta do carro e me empurrou para dentro, a adrenalina me fez lutar contra a dor. Mas Rafael já estava atrás de nós, sua sombra nos alcançando.

Simone ligou o carro, o motor roncando com um som feroz, mas antes que ela pudesse acelerar, uma mão atingiu a janela, quebrando o vidro com um estalo que parecia cortar a noite. Rafael estava lá, os olhos em chamas de ódio.

“Você vai pagar por isso, Diego! Vou acabar com vocês dois!” ele gritou, a raiva transbordando.

Simone não hesitou. Ela puxou a marcha, acelerando sem olhar para trás. O carro disparou para a frente, mas Rafael ainda estava perto, tentando se segurar na porta, mas a velocidade do carro fez com que ele perdesse o equilíbrio. Ele caiu para trás, desaparecendo na escuridão da rua.

Eu estava ali, no banco do carona, respirando com dificuldade, com a visão turva. A dor estava ficando insuportável. Mas era a única coisa que me mantinha acordado. “Simone,” sussurrei, minha voz rouca e quebrada. "Não... não... pare..."

Ela não olhou para mim. Seus olhos estavam fixos na estrada à frente, mas eu vi as mãos dela tremendo no volante. Ela estava controlando a fúria, tentando manter o foco.

A cada quilômetro, ela se afastava de Rafael, mas o terror ainda estava lá, como uma sombra, algo que não desapareceria facilmente. E eu sabia que o jogo não tinha acabado. Não enquanto ele estivesse vivo. Enquanto ele existisse, nós seríamos caçados.

“Vai ficar tudo bem,” ela disse, mais para si mesma do que para mim. Mas não havia nada de bom em tudo aquilo. Apenas a verdade, crua e inescapável: nada seria o mesmo depois daquela noite.

Enquanto o carro se afastava, o som do motor e a chuva batendo contra as janelas eram os únicos ruídos que preenchiam o silêncio entre nós. O caminho à frente era incerto, mas agora não havia mais volta.

O terror, a adrenalina, tudo se misturava na escuridão. E eu sabia, no fundo, que essa era apenas a primeira noite do nosso inferno.

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Comments

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

eu vou entrar no livro e matar esse Rafael

2025-03-18

0

Arlete Oliveira

Arlete Oliveira

cada capítulo a emoção aumenta

2025-03-18

0

Simone Freitas

Simone Freitas

Que raiva desse Rafael autora

2025-03-19

0

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