capítulo 12

Capítulo 12: A Verdade Sombria

A estrada estava vazia e silenciosa, apenas o som das gotas de chuva batendo no vidro quebrava o silêncio opressor dentro do carro. A dor na minha costela estava insuportável, mas eu sabia que não poderia parar. Ela não podia saber disso agora. Ela precisava saber a verdade, e eu precisava contá-la antes que fosse tarde demais.

Simone estava ao meu lado, a tensão em seu rosto, o olhar desconfiado. Ela sabia que algo estava errado. Ela sentia. A cada segundo que passava, a angústia que ela tentava esconder ficava mais evidente. E eu... eu não podia mais esconder. Não depois de tudo o que acontecemos, de tudo o que eu a coloquei. A verdade tinha que sair, e tinha que ser agora.

“Simone…” a voz me falhou um momento. Olhei para ela, ela estava focada na estrada, mas podia ver o frio no olhar dela, a incredulidade se formando. Ela já sabia, mas queria ouvir de mim. Queria saber até onde eu chegaria.

Eu virei meu corpo parcialmente para ela, engolindo a dor. “Você não sabe, mas está profundamente envolvida em algo que começou antes de você nascer. Não tem como escapar disso. Nem você, nem eu. O que você não entende, Simone, é que… você foi marcada desde o começo."

Ela virou a cabeça ligeiramente para mim, seus olhos se estreitaram. Mas não disse nada. O silêncio era insuportável. A chuva batendo contra o carro era o único som que se ouvia.

Eu respirei fundo e continuei. “A sua mãe… ela não morreu por acidente. Não foi um simples imprevisto, Simone. Ela estava envolvida. Sua família estava envolvida em algo muito maior do que você imagina. Aquelas histórias que você ouviu sobre a morte dela, tudo isso foi encoberto por uma mentira. Uma mentira que eu não pude contar até agora.”

Ela me olhou, e pela primeira vez, percebi uma rachadura na parede dela. O medo, o choque começando a se formar, mas ela não queria acreditar. Não queria que fosse verdade.

“Rafael… ele não é um simples bandido, Simone. Ele é uma peça fundamental de um jogo que vai muito além do que você vê. Ele não está atrás de você por acaso. Ele está atrás de você porque sua mãe… sua mãe foi uma chave. Uma chave para tudo o que ele quer. Para tudo o que eles querem. E agora, você é o alvo.”

Ela estremeceu, não de medo, mas de raiva. Eu vi o orgulho dela se inflar, a resistência. “Eu não sou sua marionete, Diego. Não vou ser. Não depois de tudo o que você fez.”

Eu sabia o que ela estava pensando. Não era só a raiva que a consumia, era o desejo de fugir da verdade. Mas ela não podia fugir. Nenhum de nós podia.

"Simone, você não entende…" falei, a voz mais tensa agora. "Você foi manipulada desde o início. Sua mãe, seu pai, todo o seu passado foi uma mentira construída para você não saber a verdade. E a pior parte é que você não está sozinha nesse jogo. Eu sou parte disso, também. Fui marcado pelo destino para ser parte disso."

Eu parei de falar e olhei para ela. A expressão dela estava inexpressiva, mas o medo estava ali, bem fundo, onde ela não queria admitir. Ela queria gritar, questionar, negar. Mas não podia.

“Você acha que eu escolhi ser quem sou? Você acha que a vida me deu uma escolha? Não, Simone. Eu fui moldado para isso. Eu sou a escada que Rafael vai usar para chegar onde ele quer. Mas você… você é a chave. Você é a chave que vai determinar se vamos sobreviver a isso ou ser destruídos."

Ela olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas, mas não deixou nenhuma cair. Ela segurava a dor, segurava a verdade que estava começando a se infiltrar em seus ossos. Eu sabia que isso ia destruir ela. Mas eu precisava que ela soubesse, precisava que ela visse o inferno que a aguardava, que nos aguardava, se não tomássemos uma decisão.

“Você não entende…” ela começou, sua voz falhando. “Então tudo isso… foi um jogo?”

Eu assenti, o peso da culpa esmagando meu peito. “Sim, Simone. E o pior é que eu sou uma das peças nesse jogo. Mas o pior de tudo… é que você vai ter que decidir agora. Você vai me seguir? Vai lutar contra o que nos espera? Ou vai deixar Rafael destruir tudo?”

O carro parou bruscamente, e o barulho da chuva ficou mais alto ao redor de nós. Eu a olhei, esperando uma resposta, qualquer coisa. Mas a resposta de Simone era mais do que eu imaginava. Ela não estava pedindo para eu salvá-la, não estava pedindo para fugir ou se esconder. Ela estava pronta para a guerra.

Ela parou o carro, os olhos fixos em mim. “Não sou sua marionete, Diego. Mas se é guerra que você quer, então é guerra que você vai ter. E nós vamos até o fim. Juntos.”

E, naquele momento, as sombras da noite tomaram conta de nós, como se a verdade, finalmente revelada, fosse nos engolir. Mas a determinação nos olhos de Simone me deu algo que eu não esperava: uma razão para continuar, uma razão para lutar.

Porque, ao contrário de tudo o que eu acreditava, ela não era a chave para a destruição.

Ela era a chave para a salvação.

Mais populares

Comments

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

louca pra mais

2025-03-18

0

Maria aparecida Silva

Maria aparecida Silva

até arrepiei

2025-03-18

0

Arlete Oliveira

Arlete Oliveira

história está incrível

2025-03-18

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!