Capítulo 16: Laços de Sombras
O silêncio entre nós dois estava pesado, mas não de um modo desconfortável. Havia algo nele, algo que os dois tentávamos entender, mas que ainda não podíamos expressar. O amanhecer chegou como um sussurro, filtrando-se pelas cortinas finas do chalé onde nos escondíamos. A dor na minha costela não me impediu de perceber o que estava acontecendo entre nós. A proximidade, o olhar que trocávamos, e até mesmo o silêncio, tudo estava mudando. O que começou como uma missão para mantê-la a salvo agora estava se transformando em algo que eu não conseguia mais controlar.
Simone estava ali, cuidando de mim como se nada tivesse mudado. Sua preocupação parecia genuína, mas eu sabia que havia algo mais. Eu sabia que, apesar de tudo o que passamos, algo estava crescendo entre nós — algo que, no fundo, eu já sentia antes de tudo começar. Algo que, no fundo, sempre soube que ela era minha.
Não era só pela necessidade de protegê-la. Era mais. Era o fato de que, desde o momento em que eu a vi pela primeira vez, algo em mim foi marcado. Ela não sabia disso, e talvez eu mesmo tenha tentado ignorar, mas não havia como negar. Eu já sentia por ela muito antes de me aproximar. Quando tudo isso começou, quando os segredos começaram a se revelar, o único motivo para eu ter ido atrás dela, para ter me arriscado tanto, era porque eu sabia: ela era minha. E nada, nem ninguém, poderia mudar isso.
Quando ela se aproximou, trazendo algo simples para comer, eu pude ver o reflexo de suas emoções em seus olhos. Ela queria ser forte, mas não estava conseguindo esconder o que estava sentindo. Ela não falava, mas suas ações, cada gesto, dizia tudo.
“Você não precisa fazer isso, Simone.” Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia, mas havia um tom de urgência nela, como se eu estivesse tentando evitar algo que já estava evidente entre nós.
Ela parou um instante, os olhos encontrando os meus. Não disse nada, mas o que eu vi foi uma vulnerabilidade que ela raramente mostrava. Ela estava me observando, talvez tentando entender, ou talvez apenas esperando por algo que ela não conseguia verbalizar. Ela queria saber se eu sabia o que estava acontecendo. E eu sabia. Eu sabia muito bem.
Eu respirei fundo e, pela primeira vez, deixei as palavras saírem sem medo. “Simone, eu… eu já sabia desde o começo. Desde a primeira vez que te vi, quando tudo isso começou. Não foi por acaso que eu te procurei. Eu te queria. Eu sabia que você era minha desde aquele momento. Antes de qualquer coisa, antes de todo o caos, você sempre foi minha.”
As palavras caíram no ar pesadas, como uma promessa feita no meio da tempestade. Simone ficou em silêncio, sua expressão inalterada, mas seus olhos brilhavam de uma forma que eu nunca tinha visto. Havia algo ali, uma confusão, talvez um medo, mas também uma aceitação, como se ela começasse a entender o que estava acontecendo, mas não queria aceitar tão facilmente.
“Você acha que só porque você me encontrou, pode me controlar?” A resposta dela foi um sussurro de desafio. Mas eu vi a dúvida nos seus olhos. Ela estava tentando se proteger, tentando se convencer de que não estava começando a sentir o mesmo. E, de alguma forma, ela estava tentando se proteger de mim, mesmo sabendo que não havia mais como escapar.
Eu não pude deixar de sorrir de forma amarga, a dor na minha costela esquecida por um momento. “Simone, você sabe que não é assim. Não estou tentando te controlar. Você sempre foi livre para decidir. Mas, a verdade é que você sempre foi minha, mesmo quando você não sabia disso.”
Ela deu um passo atrás, como se tentasse criar distância, mas eu a segui, sem hesitar. A tensão entre nós estava crescendo, mas eu não queria mais esconder. “Você é minha desde o primeiro momento, Simone. Eu só não sabia como te trazer para isso. Mas, agora que estamos aqui, agora que não há mais onde fugir, você precisa saber. Nada vai nos separar. Nem Rafael, nem qualquer outra coisa. Eu vou te proteger, mas você também vai precisar aceitar o que há entre nós.”
Ela não disse nada. Não podia dizer. Era como se as palavras estivessem presas na garganta dela, e eu sabia o motivo. O medo de ceder àquilo que já estava claro, o medo de se deixar levar por algo que ela não queria admitir.
Eu me aproximei mais, minha respiração quente contra sua pele. Ela não recuou. Em vez disso, ficou ali, apenas me observando. Seus lábios estavam secos, mas eu podia ver a luta interna em seu olhar. Ela queria me afastar, mas, ao mesmo tempo, algo a atraía para mim. E eu sabia que não havia mais volta.
“Eu te avisei, Simone,” falei, minha voz baixa, quase rouca. “Você já faz parte disso. Não tem mais como voltar atrás. Você é minha. E eu sou seu. Isso não é sobre o que você deseja, mas o que sempre foi. O que sempre seria.”
Os olhos dela encontraram os meus mais uma vez. E, finalmente, ela não tentou mais negar. Ela não disse nada, mas não precisou. Porque, naquele momento, a aceitação estava lá, no brilho em seus olhos, na forma como seus lábios se abriram, como se estivesse prestes a dizer algo, mas não precisava. Nós sabíamos.
O que quer que fosse, a atração, o desejo, a verdade entre nós dois, era mais forte do que qualquer outra coisa. E, naquele instante, não importava mais o que nos aguardava. O que importava era que, apesar de tudo, nós éramos um. Mesmo nas sombras, mesmo no caos, havia algo inquebrantável entre nós. Algo que não poderia ser quebrado, mesmo pela escuridão que nos cercava.
Eu era dela. E ela era minha.
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Atualizado até capítulo 24
Comments
Aziza Ccb
eita esse livro é diferenciado
2025-03-19
0
Simone Freitas
Tá cada vez mais profundo
2025-03-19
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Simone Freitas
Nossa que babado é esse
2025-03-19
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