Capítulo 18

A música lenta preenchia o salão enquanto Gustavo guiava Carolina na pista de dança com uma destreza natural. O toque de sua mão na cintura dela era firme, mas ao mesmo tempo delicado, e seus olhos analisavam cada detalhe do rosto dela como se estivessem descobrindo algo novo.

— Você está incrivelmente linda — ele murmurou, aproximando um pouco mais o rosto, o hálito quente roçando a pele dela.

O coração de Carolina martelava dentro do peito. Havia algo na maneira como ele a segurava, na forma como seu olhar deslizava sobre ela, que fazia todo o resto do mundo desaparecer.

— Obrigada — ela respondeu, a voz saindo um pouco mais baixa do que pretendia.

Gustavo abriu um pequeno sorriso.

— E esse Felipe? Você realmente achou interessante ou só quis me provocar?

Ela arqueou uma sobrancelha, um leve desafio dançando em seus olhos.

— E por que isso te incomodaria?

Ele não respondeu de imediato, apenas a puxou um pouco mais para perto.

— Só estou curioso — murmurou, olhando para os lábios dela por um breve instante.

Carolina abriu a boca para responder, mas uma voz fria cortou o momento.

— Acho que você deveria estar dançando e elogiando sua esposa, Gustavo. Que sou eu, caso tenha esquecido.

A tensão no ar ficou quase palpável.

Gustavo soltou Carolina imediatamente e se virou para encontrar sua esposa parada ali, braços cruzados, a expressão séria e um sorriso irônico nos lábios.

Carolina sentiu o rosto esquentar e deu um passo para trás, completamente sem graça. As pessoas ao redor pareciam não ter notado a pequena cena, mas, para ela, era como se todos os olhares estivessem voltados para aquele instante constrangedor.

— Ana... — Gustavo começou, passando a mão pela nuca, visivelmente desconfortável.

Mas Carolina não esperou para ouvir mais nada. O orgulho e o constrangimento falaram mais alto, e ela rapidamente se afastou da pista de dança. Aproveitou para pegar uma taça de espumante com o garçom que passava na hora e caminhou a passos largos para fora do sala.

O ar fresco da varanda contrastava com o calor abafado do salão, proporcionando a Carolina um descanso bem-vindo. Ela encostou-se ao corrimão, sentindo o vento tocar seu rosto enquanto tentava repassar tudo o que havia acontecido nos últimos minutos.

Felipe chega ao seu lado, observando-a com um olhar atento.

— Acho que você precisa de outra bebida — ele sugeriu, com um sorriso fácil.

Carolina soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.

— Acho que preciso de um pouco mais do que isso.

Ele se apoiou no corrimão ao lado dela, inclinando-se levemente para se aproximar.

— Quer conversar sobre o que aconteceu?

Ela suspirou, olhando para o salão iluminado através das portas de vidro. Gustavo ainda estava lá dentro, provavelmente ao lado da esposa.

— Não há muito o que dizer — murmurou. — Ele é casado. Isso deveria encerrar qualquer tipo de dúvida.

Felipe cruzou os braços, analisando-a.

— Você realmente acredita nisso?

Carolina virou o rosto para encará-lo, uma sobrancelha arqueada.

— Como assim?

— Se fosse tão simples, você não teria fugido daquela pista como se o chão estivesse pegando fogo — ele disse com um tom divertido, mas seu olhar carregava algo mais profundo.

Ela não respondeu de imediato. Parte dela queria negar, dizer que tudo era um grande mal-entendido, mas outra parte sabia que Felipe tinha razão.

— Eu não sou esse tipo de pessoa — Carolina disse, por fim. — Não me envolva com homens comprometidos.

Felipe concordou lentamente, seu olhar avaliando cada detalhe do rosto dela.

— Então talvez seja uma hora de olhar para alguém que está totalmente disponível.

Ela franziu a testa, confusa, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Felipe inclinou-se e a beijou.

O gesto foi suave no início, como se ele estivesse esperando por um acontecimento, mas conforme Carolina não se afastou, o beijo se aprofundou. Os lábios dele eram quentes e firmes, e sua mão deslizou suavemente para a nuca dela, puxando-a um pouco mais para perto.

Foi um beijo diferente. Não era arrebatador, não era cheio de tensão como os momentos que compartilhava com Gustavo. Mas era seguro, reconfortante… e, acima de tudo, era uma escolha consciente.

Porém, no instante em que Carolina abriu os olhos, o choque a atingiu em cheio.

A poucos metros dali, parado na entrada da varanda, Gustavo os observava. Seus punhos estavam cerrados, a mandíbula travada, e seu olhar carregava algo entre incredulidade e raiva.

O ar ao redor pareceu ficar mais denso. Felipe notou a presença de Gustavo e diminuiu um pouco, mantendo um leve sorriso nos lábios.

— Parece que temos um espectador — ele murmurou sorrindo.

Carolina sentiu o coração disparar no peito, uma mistura de culpa e desafio correndo por suas veias.

Gustavo deu um passo à frente, os olhos fixos nela.

— Podemos conversar? — sua voz saiu tensa, mas baixa o suficiente para que apenas os três ouvissem.

Felipe riu suavemente.

— Acho que ela está ocupada no momento.

A tensão entre os dois homens era quase palpável. Carolina engoliu em seco, sabendo que você precisa tomar uma decisão.

— Gustavo… — sua voz saiu hesitante.

Ele apenas a encarou, esperando.

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Comments

Suel Helen Moraes

Suel Helen Moraes

que tensão

2025-02-26

1

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