Capítulo 5

A noite foi mais agitada do que eu esperava. Depois daquele reencontro inesperado com Gustavo, fiquei pensando no que significava tê-lo como professor. Eu já sabia que ele era procurador, mas vê-lo ali, diante de tantos alunos, sendo admirado e respeitado, mexeu comigo de um jeito estranho.

Quando cheguei em casa, tomei um banho quente e tentei ignorar os pensamentos sobre ele. Eu precisava manter o foco. Meu objetivo era claro: passar no concurso.

E, se Gustavo fazia parte desse caminho, que fosse apenas como professor.

Na manhã seguinte, minha rotina se repetiu. Trabalho no escritório, almoço rápido e aproveitei para encontrar com as meninas para ir à academia, como havíamos combinado no dia anterior.

— E aí, como foi a primeira aula? — Letícia perguntou, curiosa.

— Muito boa. Gustavo tem uma didática excelente.

— "Gustavo" já? — Mariana provocou, arqueando as sobrancelhas.

— Ele é meu professor, gente. Só isso.

Revirei os olhos e mudei de assunto.

Eu precisava parar de pensar nele.

Cheguei mais cedo, dessa vez, para pegar um bom lugar. A sala estava se enchendo quando ouvi uma voz conhecida ao meu lado.

— Guardou um lugar pra mim?

Era Daniel.

— Claro que não — brinquei, mas ele já estava puxando a cadeira ao meu lado.

— Bom saber que nossos destinos estão entrelaçados.

Ele sorriu de um jeito descontraído, mas percebi que havia algo a mais ali.

Antes que eu pudesse responder, Gustavo entrou na sala. Seu olhar passou rapidamente por mim e por Daniel antes de ele começar a aula.

— Boa noite, pessoal. Vamos continuar de onde paramos ontem.

Ele era profissional, mas, em alguns momentos, senti seu olhar cair sobre mim. Ou eu estava imaginando coisas?

A aula foi intensa, cheia de questões complexas e discussões interessantes. Gustavo realmente sabia prender a atenção da turma.

No intervalo, fui até o bebedouro e, quando me virei, dei de cara com ele.

— Está gostando da aula? — perguntou, casualmente.

Meu coração acelerou.

— Sim, bastante. Você explica muito bem.

Ele sorriu de leve.

— Que bom. Sei que não é fácil conciliar trabalho e estudo, mas você parece focada.

— E estou. Meu objetivo é claro.

— Isso é bom — ele disse, segurando meu olhar por um segundo a mais do que o necessário.

Antes que eu pudesse responder, Daniel apareceu ao meu lado.

— Carol, vamos ali buscar um café?

Gustavo apenas observou enquanto eu assentia para Daniel.

— Até mais, professor.

Vi um brilho diferente nos olhos de Gustavo antes de me afastar. Era apenas minha imaginação ou havia um leve incômodo ali?

Depois da aula, quando saía do prédio, meu celular vibrou.

Pedido de contato no Instagram.

Achei estranho, meu Instagram era fechado, então pessoas que eu não tinha adicionado podiam pedir para seguir e contato.

@gustavo.f pediu para seguir você.

Arregalei os olhos ao ver que o pedido de contato era do próprio Gustavo.

Mensagem:

"Se precisar de ajuda com alguma matéria, me avise."

Fiquei encarando a tela por alguns segundos antes de responder.

"Obrigada, professor. Vou lembrar disso."

Poucos segundos depois, uma nova mensagem chegou.

"Professor? Parece tão formal vindo de você."

Meu coração disparou.

"Mas é o que você é, não é?"

Ele demorou alguns minutos para responder. Quando o fez, sua resposta foi breve, mas carregada de significado.

"Por enquanto."

Respirei fundo, guardei o celular e segui para o carro.

Eu sabia que estava brincando com fogo.

Mas, naquele momento, eu não tinha certeza se queria me afastar ou me queimar.

E, pelo jeito que Gustavo agia, ele também não tinha certeza.

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Comments

Suel Helen Moraes

Suel Helen Moraes

será? 😏

2025-02-23

2

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