Capítulo 4

O despertador tocou cedo, anunciando o início da minha nova rotina matinal. O dia já brilhava lá fora com toda a sua intensidade. Ainda sonolenta, sentei na cama e me espreguicei, tentando processar as mudanças que estavam por vir. Hoje seria meu primeiro dia oficialmente trabalhando no escritório do meu pai e, à noite, começaria o cursinho.

Vesti uma calça social preta, uma blusa de seda azul e scarpins baixos. O look era profissional, mas confortável. Depois de um café rápido, peguei minha bolsa e segui para o escritório da família.

O trânsito estava tranquilo naquele início de manhã, mas sofri um pouco para encontrar uma vaga de estacionamento. O maior problema de Brasília era justamente esse. No entanto, no meio da minha busca, meu pai me ligou informando que já tinha liberado uma vaga para mim no estacionamento subterrâneo do prédio.

O escritório de advocacia ficava no Setor de Autarquias, em um prédio elegante de vidros espelhados. Assim que entrei, o cheiro familiar de café e papel impresso me fez sentir que aquele lugar agora faria parte do meu dia a dia.

Meu pai me recebeu com um sorriso discreto e me apresentou a alguns colegas.

— Carolina, você pode começar organizando esses processos. São casos administrativos simples, mas já vai se familiarizando com os trâmites.

Assenti, animada. Passei a manhã mergulhada em arquivos, petições e jurisprudências. Era uma rotina intensa, mas eu gostava do desafio.

Saí do escritório no horário combinado para almoçar com minha mãe em um restaurante sofisticado no Lago Sul.

— E então, como foi sua manhã? — ela perguntou enquanto analisava o cardápio.

— Intensa, mas produtiva. Eu gosto da organização do escritório, mas ainda estou me adaptando.

Ela sorriu.

— Você sempre se adapta rápido. Só não se cobre tanto, minha filha.

O almoço foi leve, e minha mãe, como sempre, fez questão de me encher de perguntas sobre minha vida. Apesar de ser protetora, era bom saber que ela se importava.

Depois do almoço, voltei para casa precisando de um banho. Minha mãe iria ao salão e me convidou para ir com ela, mas declinei. Eu estava cansada da correria do dia e só queria relaxar um pouco antes do próximo compromisso.

No fim da tarde, encontrei minhas amigas da faculdade em uma cafeteria charmosa na Asa Norte.

— Eu não acredito que você finalmente se rendeu ao escritório! — brincou Letícia, mexendo no cappuccino.

— Não estou me rendendo, só aproveitando a oportunidade — respondi, rindo.

Conversamos sobre trabalho, relacionamentos e, claro, sobre a minha decisão de fazer o cursinho preparatório.

— Mas e a vida amorosa, Carol? — Mariana perguntou com um olhar malicioso.

Por um segundo, pensei em Gustavo, mas balancei a cabeça e ri.

— No momento, meu foco é outro.

Elas zombaram um pouco da minha resposta, mas logo mudamos de assunto. Falamos sobre um festival que aconteceria em Brasília. Como não temos praia, criaram um evento para os ricos prestigiarem shows de vários cantores. O preço das bebidas era um absurdo, mas, dependendo da atração, eu até cogitava aparecer.

### **Primeira aula do cursinho e reencontro inesperado**

Cheguei ao cursinho à noite e me surpreendi com a quantidade de alunos. Peguei minha apostila e fui encontrar um lugar. Quando estava entrando na sala, senti um esbarrão.

— Desculpa… — comecei a dizer, mas parei ao ver quem era.

Gustavo.

Ele me olhou surpreso por um segundo, depois sorriu de canto.

— Você?

Meu coração deu um salto, mas me controlei.

— O próprio.

Ele arqueou a sobrancelha, ainda com o sorriso no rosto.

— Então será minha aluna?

O tom dele era quase casual, mas havia algo ali, uma provocação velada. Ele me deu passagem para entrar e finalizou:

— Seja bem-vinda.

Foi discreto, mas o suficiente para alguns alunos ao redor observarem nossa interação com curiosidade.

Assim que todos se acomodaram, ele se apresentou oficialmente.

— Para quem não me conhece, sou procurador federal e professor de Direito Constitucional. Passei no concurso após anos de estudo e dedicação, e vou compartilhar um pouco dessa jornada com vocês ao longo das aulas.

Explicou seu método de ensino e enfatizou que, mesmo aqueles que já tinham conhecimento da matéria, deveriam revisar os primeiros artigos, pois muitas questões de concurso cobravam essa parte.

— Para quem quiser tirar dúvidas fora do horário de aula, deixo aqui meu Instagram. Costumo postar dicas e responder mensagens.

Ele escreveu **@gustavofmelo** no quadro e continuou a apresentação.

Meu coração disparou.

Gustavo.

Professor.

Procurador.

A aula começou com teoria e depois passamos para a resolução de questões, sempre com ele explicando onde encontrar as respostas na Constituição e dando macetes úteis. Ele era didático, cativante… e bonito.

Olhando ao redor, notei como algumas alunas o observavam com atenção além do necessário. Algumas pareciam realmente interessadas no conteúdo, mas outras… bem, era óbvio que estavam interessadas nele.

No intervalo, ele nos liberou para tomar água e ir ao banheiro. Dez minutos depois, retornamos para continuar os estudos.

No final da aula, quando saía da sala, ouvi uma voz familiar atrás de mim.

— Carol?

Virei-me e vi Daniel, um colega da faculdade.

— Você por aqui? — perguntei, surpresa.

— Pois é, também estou nessa saga dos concursos. Mas confesso que minha motivação aumentou agora.

Ele sorriu, lançando um olhar sugestivo.

Antes que eu pudesse responder, senti outro olhar sobre mim.

Gustavo.

Ele estava do outro lado do corredor, observando a cena com atenção.

O homem que já havia me causado confusão antes agora fazia parte da minha rotina.

E, pelo jeito que me olhava, algo me dizia que isso era só o começo.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!