A manhã seguinte chegou com o céu de Brasília em seu tom mais azul, sem nuvens à vista. O sol brilhava forte, mas a brisa fresca que entrava pela janela suavizava o calor típico da cidade. Eu me espreguicei, ainda sentindo os resquícios da inquietação da noite anterior.
Levantei-me, vesti um short de linho e uma blusa leve e desci para tomar café com meus pais. O apartamento deles ficava no mesmo prédio que o meu, um andar acima. Desde que decidi morar sozinha, minha mãe fez questão de manter essa proximidade, como se isso amenizasse sua preocupação constante comigo.
Ao entrar na sala de jantar, encontrei minha mãe já servindo café na xícara do meu pai, enquanto ele lia as manchetes do jornal no tablet. A mesa estava impecável, como sempre: frutas frescas, pães variados, sucos naturais e o café preto fumegante que era indispensável para meu pai.
— Bom dia, filha! — minha mãe sorriu, sempre animada pelas manhãs.
— Bom dia, mãe. Bom dia, pai. — Dei um beijo na bochecha de cada um antes de me servir de café e uma fatia de pão com queijo.
— Você dormiu bem? — perguntou minha mãe, olhando-me com atenção.
Pensei em Gustavo por um segundo, na confusão que ele causou em minha mente, mas dei de ombros e sorri.
— Sim, dormi bem. Só acordei com muitas coisas na cabeça.
Meu pai levantou os olhos do tablet e arqueou uma sobrancelha.
— E que tipo de coisas são essas?
Respirei fundo e decidi ir direto ao ponto.
— Eu estava pensando em começar a trabalhar meio período no escritório. Quero me envolver mais, aprender com os processos, entender a rotina real da advocacia.
Meu pai largou o tablet na mesa e cruzou os braços, avaliando-me com atenção.
— Isso é uma surpresa. Achei que ainda estava decidindo o que fazer depois da OAB.
— E estou. Mas acho que o escritório pode me dar uma experiência prática, enquanto eu me preparo para os concursos.
Minha mãe sorriu, satisfeita.
— Acho uma ótima ideia. Você sempre foi dedicada, e experiência nunca é demais.
Meu pai assentiu, parecendo considerar a proposta com cuidado.
— Se for algo que você realmente quer, podemos organizar sua carga horária. Algumas tardes no escritório para ajudar com processos e acompanhamento de clientes. O que acha?
Sorri, sentindo um alívio por ele ter aceitado tão bem.
— Perfeito. Quero conciliar isso com os estudos, então pensei em fazer um cursinho preparatório à noite e usar as tardes livres para revisar o conteúdo.
— Disciplina sempre foi seu ponto forte. Se acha que consegue equilibrar tudo, apoio totalmente — disse meu pai.
Minha mãe tocou minha mão de leve sobre a mesa.
— Só não se sobrecarregue, querida. Você acabou de sair da faculdade. Pode dar um tempo para respirar.
— Eu sei, mãe. Mas preciso traçar um caminho agora.
O café da manhã seguiu tranquilo, e, depois de um tempo, voltei para o meu apartamento.
Tarde de estudos e academia
Após organizar algumas anotações e fazer a matrícula no cursinho preparatório, reservei algumas horas para estudar. Peguei meus livros de Direito Constitucional, marquei trechos importantes e fiz resumos no meu caderno. A aprovação na AGU não seria fácil, mas eu estava disposta a me dedicar.
Mesmo sabendo que a parte mais difícil nem sempre é o conteúdo que vemos na faculdade mas os que vem além.
No fim da tarde, coloquei um conjunto de treino e fui para a academia do prédio. Eu costumava correr no Parque da Cidade, mas naquele dia decidi optar pela esteira, acompanhada pela música nos fones de ouvido.
O exercício sempre ajudava a organizar minha mente. Mas, mesmo concentrada no treino, minha mente teimava em vagar para a noite anterior. Para o Instagram. Para Gustavo.
Balancei a cabeça, tentando afastar o pensamento. Ele era apenas um desconhecido que cruzou meu caminho.
E, acima de tudo, um homem comprometido.
Eu precisava me concentrar no que realmente importava.
E, naquele momento, o que importava era o futuro que eu estava construindo.
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Atualizado até capítulo 51
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