O fim de semana chegou com o dia mais lindo em Brasília. O céu estava incrivelmente azul, sem nuvens à vista, e a cidade parecia respirar tranquilidade. A brisa suave do cerrado refrescava as ruas, enquanto o calor de fevereiro dava espaço a uma sensação acolhedora. O lago Paranoá estava calmo, com alguns barcos e jetskis cortando as águas, criando ondas que se estilhavam suavemente nas margens. Era o tipo de dia que fazia você esquecer das responsabilidades e se permitir simplesmente viver o momento.
Eu me vesti de forma simples, mas confortável. Escolhi um vestido leve de tecido fluído, com um tom claro que refletia a luz do sol. Meu cabelo estava preso em um coque bagunçado, com algumas mechas soltas, dando aquele ar despreocupado. Sabia que o dia seria longo, então busquei algo prático, mas ainda assim, me sentindo bem comigo mesma. Quando cheguei ao restaurante à beira do lago, encontrei meus pais já à mesa. O lugar era perfeito, com uma vista espetacular para o lago, e o som das águas quebrando nas pedras criava uma atmosfera relaxante.
O almoço seguiu tranquilo, com a comida deliciosa e as risadas ecoando pelo ambiente. Meu pai fazia piadas, e minha mãe, atenta como sempre, não demorou em perceber que algo estava me distraindo.
— Carol, você parece tão pensativa hoje. Está tudo bem? — ela perguntou, com um olhar que não deixava espaço para mentiras.
— Tudo sim, mãe. Só estava pensando nas coisas do curso. Muito conteúdo para assimilar — respondi, tentando parecer natural.
Meu pai, sempre descontraído, soltou uma gargalhada.
— Que bom, minha filha. O importante é você ter foco. Mas também, não pode ficar tão séria, viu? Aproveite o dia!
Eu sorri e dei uma risada leve, tentando realmente me concentrar naquele momento. O dia estava perfeito e eu sabia que precisava deixar de lado a tensão que vinha me consumindo.
No entanto, em algum canto da minha mente, um pensamento persistente não me deixava em paz. Ele vinha, insistentemente, na forma de um encontro inesperado. No meio da conversa, avistei um carro estacionando próximo ao restaurante. Quando a porta se abriu, meu coração deu um pequeno salto. Era ele. Gustavo.
Mas não estava sozinho. Ao seu lado, uma mulher loira, com um sorriso tímido, caminhava ao seu lado. Ela era mais baixa que ele, com um vestido simples, mas elegante, de cor pastel. Não tinha a beleza estonteante que eu imaginava, mas algo nela me chamava a atenção. Ela tinha uma beleza natural, discreta, como se não precisasse se exibir para ser notada. Sua pele era clara, e os cabelos, que ela usava soltos, eram ondulados e caíam suavemente sobre seus ombros. Eu percebi os olhos atentos de Gustavo em sua direção enquanto ela riu de algo que ele disse. Eles estavam acompanhados por um casal de filhos, que pareciam se divertir ao redor deles, completando a imagem de uma família perfeita.
Eu sabia que deveria focar no meu almoço, mas não pude evitar o impulso de observá-los. Era impossível ignorar como ele estava completamente integrado àquela vida, rodeado pela família, tão diferente do homem com quem eu me encontrei algumas semanas antes, no cursinho. Ele parecia feliz, tranquilo, em sua zona de conforto.
Quando Gustavo entrou no restaurante e seus olhos percorrem rapidamente a sala, eles passaram por mim, mas não me reconheceram imediatamente. Seu olhar foi tão fugaz que achei que ele nem me tivesse visto. Estava claramente concentrado em sua família, em sua esposa. No fundo, sabia que seria melhor não me envolver mais com ele. Ele era casado, e parecia estar muito bem com a sua vida.
A conversa ao redor da minha mesa começou a mudar, e minhas amigas, como sempre, começaram a comentar, sem perceber minha distração.
— Nossa, aquele boy é um gato, né? — Letícia sussurrou, com os olhos fixos em Gustavo.
— Sim, é bem charmoso. Pena que é casado — Mariana comentou, mexendo em sua bebida.
As palavras delas ecoaram na minha mente, e uma sensação estranha invadiu meu peito. Como eu me sentia ao ouvir aquilo? Eu sabia que deveria me afastar, que era uma paixão impossível, mas ainda assim, algo em mim queria mais. Eu me sentia estúpida, me deixando levar por algo tão ilusório.
A família de Gustavo se acomodou na mesa ao lado da nossa, e a cada pequeno gesto de carinho entre eles, como o jeito com que ele acariciava a cabeça do filho ou a forma delicada como sua esposa lhe entregava o prato, eu sentia algo apertando meu peito. Ele parecia ser um bom pai, atencioso com os filhos e afetuoso com a esposa, apesar de toda a sua seriedade.
Foi então que decidi que minha mente e meu coração precisavam de um descanso. Olhando para o lado e vendo a alegria da sua família, tomei uma decisão. Eu precisava focar no que era realmente importante: o meu futuro, o curso, o concurso. E não em algo impossível, como minha atração por ele. Eu sabia que deveria me afastar, mas, ao mesmo tempo, o impulso dentro de mim me dizia que isso seria muito mais difícil do que eu imaginava.
Enquanto eu tentava me concentrar em minha refeição, a sensação de que algo estava prestes a mudar começou a crescer. Como se eu tivesse apenas colocado uma porta entreaberta, em vez de realmente fechá-la. Quando terminei de comer, me levantei para ir ao banheiro, e o destino, de forma irônica, me deu mais um empurrão.
Ao passar pelos corredores do restaurante, dei de cara com Gustavo. Ele estava sozinho, aparentemente indo até o bar, e nossos olhares se encontraram por um segundo. Ele parou, como se estivesse surpreso em me ver ali. O ambiente parecia ter desacelerado por um instante, e algo no ar entre nós ficou pesado.
— Carol? — ele perguntou, com um sorriso ligeiramente tímido, como se estivesse se controlando para não fazer uma pergunta que não fosse apropriada.
Eu respirei fundo, tentando parecer tranquila, mas o que quer que fosse aquela tensão entre nós dois, era palpável.
— Eu… estava indo ao banheiro — falei, evitando olhar diretamente para ele.
Ele assentiu, mas não parecia querer se afastar.
— Espero que esteja aproveitando o dia. — Ele falou, sem tirar os olhos dos meus.
Por um momento, quase senti que ele ia dizer algo a mais, mas a esposa dele apareceu de repente, vindo da direção oposta. Ela sorriu ao vê-lo e segurou sua mão de maneira carinhosa. A cena, aparentemente simples, me fez perceber que minha hesitação, meus sentimentos por ele, não passavam de uma ilusão. Ele tinha uma vida, uma família, e eu não fazia parte dela.
Eu sorria discretamente para ele, já me preparando para voltar à mesa, quando Gustavo, visivelmente desconfortável com a chegada de sua esposa, se despediu rapidamente.
— Aproveite o resto do seu dia, Carol. Até mais.
A mulher de Gustavo, com uma expressão amigável, acenou para mim antes de seguir com ele. Eu me senti estranha, mas também aliviada por ter enfrentado essa situação. Ao voltar para a mesa, um vazio inexplicável tomou conta de mim, mas eu sabia que era hora de me afastar. Eu precisava me concentrar no que realmente importava.
A história com Gustavo, por mais tentadora que fosse, ainda não estava escrita. Mas agora, eu sabia que precisava deixar essa porta se fechar de vez.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Suel Helen Moraes
que situação difícil 😞
2025-02-23
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