O céu de Brasília era uma verdadeira pintura ao entardecer, com tons vibrantes de laranja, rosa e lilás se misturando em um espetáculo único. O sol, já baixo no horizonte, lançava sombras longas pelas ruas largas e bem planejadas da cidade. As copas das árvores do Parque da Cidade balançavam suavemente com a brisa fresca que começava a soprar, amenizando o calor escaldante do dia.
Dirigir por Brasília ao anoitecer sempre me trazia uma sensação de pertencimento. O concreto moderno se misturava às cores dos ipês, e o Lago Paranoá refletia as luzes douradas dos primeiros postes que se acendiam. Mas, naquela noite, eu estava longe de me sentir em paz.
Minha mente estava presa nele.
**Gustavo.**
A forma como sua voz grave soou preocupada, como sua mão firme segurou meu braço para me ajudar a levantar, os olhos castanho-claros que pareceram me analisar por inteiro. Um estranho e, ainda assim, me afetou como se já fizesse parte da minha vida.
Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos enquanto estacionava diante do prédio onde morava. Meu apartamento ficava em uma região privilegiada de Brasília, um presente dos meus pais quando entrei na faculdade. O edifício era imponente, de arquitetura moderna, e o hall de entrada exalava sofisticação, com piso de mármore e uma iluminação aconchegante.
Assim que entrei em casa, joguei as chaves sobre a bancada da cozinha e soltei um longo suspiro. Precisava de um banho, de um tempo para organizar minha mente. Subi as escadas para o segundo andar, onde ficavam os quartos, e segui direto para o banheiro.
A água morna caiu sobre minha pele, relaxando meus músculos tensos da corrida – e da queda. Mas não conseguia relaxar completamente. Minha mente insistia em voltar para aqueles minutos no parque. O jeito que ele sorriu de canto ao dizer **"Apenas Gustavo"**, como se soubesse o efeito que causava. A forma como olhou para trás para conferir se eu realmente estava bem.
O que eu podia fazer? Eu tinha esse jeito de me apaixonar à primeira vista, mesmo sem saber nada sobre a pessoa. Apenas pela troca de olhares e um sorriso, lá estava eu criando fanfics. **Não me julguem.**
Mas eu era uma jovem de 24 anos e me permitia me apaixonar. Apesar de ter namorado o mesmo cara por longos seis anos... Quem eu queria enganar? Eu estava carente desde que Ruy me deixou. Ele tinha os sonhos dele, e casar não fazia parte desses planos a princípio.
Saí do banho, vesti um short soltinho e uma blusa larga, e fui até a cozinha preparar um chá. Eu tentava me convencer de que aquilo era besteira, apenas um encontro passageiro, mas não pude evitar.
Peguei meu notebook, me acomodei no sofá e abri o navegador.
A princípio, eu pesquisava sobre concursos. Afinal, se não fosse trabalhar com meu pai no escritório de advocacia, precisava de um novo plano. Meu objetivo era a **AGU**, e, para isso, um cursinho preparatório parecia essencial.
Foi quando a curiosidade falou mais alto.
Abri o Instagram e digitei: **Gustavo**.
Qual era a chance de encontrá-lo? Zero.
Mas Brasília era um quadradinho de quase três milhões de habitantes. Não custava procurar, já que eu estava de bobeira.
Várias sugestões apareceram, mas um perfil chamou minha atenção de imediato. @gustavofmelo.
A foto de perfil mostrava um homem sério, vestindo um terno escuro, o olhar confiante. A bio era simples, objetiva:
🔹 **Procurador Federal**
🔹 **Professor de Direito Constitucional**
🔹 **Apaixonado por Corrida**
Meu coração acelerou. Então ele era professor? Isso explicava a postura segura, a articulação ao falar.
Rolei pelo feed. A maioria das postagens era formal, com fotos de eventos jurídicos e palestras. Algumas mostravam ele correndo pelo Eixão nos fins de semana, vestindo roupas esportivas. Outras eram mais descontraídas, segurando uma xícara de café com legendas que misturavam humor e reflexões sobre a profissão.
Mas foi nos **stories** que encontrei algo que não esperava.
A primeira imagem era recente: ele estava em casa, sentado no sofá, com um livro aberto sobre Direito Constitucional e um copo de whisky ao lado. A legenda dizia:
**"Finalmente um tempo pra mim."**
Meu estômago revirou. Algo naquela cena era íntimo demais, pessoal demais.
Deslizei para o próximo story.
Uma foto do pé de uma mulher, unhas vermelhas impecáveis, descansando sobre suas pernas.
Minha respiração falhou por um segundo.
Ele era **casado**.
A realidade me atingiu com força, como se alguém tivesse jogado um balde de água fria sobre mim.
O que eu estava fazendo? Por que diabos eu estava bisbilhotando a vida de um homem que, além de tudo, era comprometido?
Fechei o aplicativo e respirei fundo.
Era só um estranho. Alguém que me ajudou por acaso no parque.
Mas, por algum motivo, não parecia tão simples assim.
Levantei do sofá e fui até a sacada do apartamento. Brasília brilhava à noite, as luzes dos prédios refletindo no Lago Paranoá ao fundo. Eu precisava tirar Gustavo da cabeça.
Ele era um homem comprometido, e eu sabia exatamente o que isso significava.
Só não sabia se conseguiria seguir essa regra.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Dulce Gama
eu sei como é eu gostei de um homem casado quando vi que ele tava tentando se divorciar da esposa eu sumi olha que eu gostava muito dele mas não quiz destruir um lar🌹🌹🌹🌹🌹🎁🎁🎁🎁🎁👍👍👍👍👍
2025-02-28
2
Suel Helen Moraes
eu também me apaixonava fácil
2025-02-23
1