No fim da tarde, a chuva que havia persistido durante o dia finalmente cessou. O ar estava fresco, carregado com aquele cheiro agradável de terra molhada, e o céu começava a se abrir, revelando tons alaranjados e rosados no horizonte. Carolina observou a paisagem por alguns instantes antes de pegar seu celular e confirmar as horas.
Ela sabia que Gustavo havia mencionado a corrida de domingo antes de embarcar, mas não tinham combinado nada depois disso. Ainda assim, vestiu sua roupa de treino, uma calça legue preta um top e um casaco esportivo por cima colocou a meia o tênis e amarrou os cadarços levantando e pegando a chave do carro em seguida seguiu para o parque, como se aquele encontro já estivesse certo desde o princípio.
E, de fato, ele estava lá.
Gustavo a esperava próximo ao banco de madeira onde sempre se aqueciam antes da corrida. O mesmo banco onde, semanas atrás, ele a ajudou após a queda. Vestia um conjunto esportivo escuro e, mesmo com a aparência levemente cansada da viagem, mantinha a postura tranquila de sempre.
Ao vê-la se aproximar, ele abriu um sorriso e se afastou um pouco do banco, caminhando em sua direção. Assim que Carolina parou diante dele, sentiu o calor sútil do toque quando Gustavo segurou de leve seu braço e encostou os lábios em sua bochecha em um beijo rápido, quase casual, mas que fez sua pele arrepiar.
— Achei que fosse desistir hoje — ele comentou com um tom divertido, mantendo o olhar sobre ela por um instante a mais do que o necessário.
Carolina respirou fundo, tentando ignorar a sensação estranha que aquele gesto provocou.
— Pensei o mesmo sobre você — retrucou, tentando manter a voz firme enquanto se abaixava para alongar as pernas. — Depois de uma viagem longa, imaginei que ia preferir descansar.
Gustavo sorriu de canto e começou a esticar os braços.
— Descansar nunca foi muito o meu forte. E correr ajuda a colocar as ideias no lugar.
Carolina lançou-lhe um olhar curioso enquanto ajustava os cadarços do tênis.
— Ideias fora do lugar?
Ele desviou o olhar para a trilha do parque antes de responder.
— Nada demais. Só coisas do trabalho.
Ela assentiu, mas tinha a sensação de que havia mais por trás daquela resposta vaga.
— E a viagem? Correu tudo bem? — perguntou, puxando assunto enquanto começavam a correr em um ritmo leve.
— Sim, sem imprevistos. Mas você sabe como essas coisas são... aulões e mais aulões, depois ainda fomos até os portões de algumas instituições entregar dicas para os alunos que iam fazer prova da OAB. Mal vi o hotel, só aeroportos.
Carolina riu.
— Um pouco diferente do meu fim de semana.
Gustavo lançou-lhe um olhar rápido, como se estivesse esperando essa deixa.
— Ah, é mesmo? — perguntou, com um tom de interesse evidente. — Vi que você aproveitou bem a festa.
O coração de Carolina acelerou levemente, mas ela se esforçou para manter a expressão neutra.
— Nem tanto. Só saí com as meninas para relaxar um pouco.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Conheceu alguém interessante?
Ela sentiu um frio na barriga, não pela pergunta em si, mas pelo que poderia estar por trás dela. Gustavo nunca havia demonstrado interesse direto em sua vida pessoal — pelo menos não de forma tão explícita.
— Algumas pessoas... — respondi de forma vaga, testando até onde ele queria chegar.
Ele riu de leve.
— Algumas pessoas, hein?
Carolina revirou os olhos e tentou disfarçar o sorriso.
— Não desse jeito que você está pensando.
Gustavo balançou a cabeça, ainda com um sorriso no canto dos lábios. Mas então disse algo que fez o peito dela apertar.
— Minha esposa também foi.
O ar pareceu faltar por um instante.
Ela manteve a respiração controlada, mas sentiu a tensão tomar conta de seu corpo.
— Ah... é mesmo? — tentou soar despreocupada.
— Sim. Ela me disse que foi com uma amiga. Parece que se divertiram bastante.
Carolina precisou de todo o autocontrole para manter o rosto impassível. Será que ele sabia? Será que estava testando sua reação? Ou realmente não tinha ideia do que havia acontecido?
Sua mente estava a mil, tentando encontrar uma resposta neutra.
— Bom... acho que muita gente aproveitou o festival. Foi uma noite animada.
Gustavo apenas assentiu, sem demonstrar muito mais.
O dilema crescia dentro dela. Dizia a verdade ou ficava calada? Se falasse, poderia se meter em algo que não era da sua conta. Se não falasse, teria que carregar aquela informação sozinha.
E, mais do que tudo, tinha uma questão que não conseguia ignorar.
Se Gustavo realmente não sabia, por que a ideia de contar fazia seu coração pesar daquele jeito?
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Suel Helen Moraes
conta mulher,se fosse eu minha linda estaria coçando kkkkkkkk
2025-02-25
1
Leila Cabral
ele tem que descobrir sozinho, essas coisas são perigosas
2025-03-24
0