CAPÍTULO 20

O sol já se erguia no horizonte, espalhando uma luz suave e dourada pela janela da casa dos Mikami. O som do despertador tocava baixinho na mesinha ao lado da cama de Hakari, mas ele já estava acordado há algum tempo, seus olhos meio fechados enquanto ele observava o teto.

O silêncio foi quebrado pela voz animada de sua mãe, Haruka, que apareceu na porta do seu quarto com um sorriso caloroso. Ela estava sempre cheia de energia, uma mulher carinhosa e sempre preocupada com todos ao seu redor, mas hoje parecia um pouco apressada.

— Hakari, querido! Eu e o papai não vamos poder fazer o café da manhã hoje. Temos que terminar o roteiro do novo capítulo do nosso mangá, e não podemos perder tempo. Você poderia dar uma mãozinha e preparar o café para todos nós?

Hakari rolou os olhos, soltando um pequeno suspiro de exasperação. Ele sabia que essa era a rotina da sua família — quando o trabalho do mangá começava a apertar, seus pais ficavam totalmente imersos na criação e os pequenos detalhes da casa, como o café da manhã, ficavam para ele. Mas, ao mesmo tempo, Hakari não se importava muito. Ele adorava fazer as coisas com seu poder, e essa era uma boa oportunidade para testar uma das suas habilidades de maneira bem prática.

— Tudo bem, mãe — respondeu Hakari, se espreguiçando na cama e levantando-se lentamente. Ele já sabia o que tinha que fazer.

Com um movimento de suas mãos e um sorriso travesso, Hakari concentrou sua energia e estalou os dedos.

Instantaneamente, uma mesa cheia de opções deliciosas apareceu na frente dele: fatias de pão quentinho, ovos mexidos perfeitamente dourados, bacon crocante, frutas frescas em um prato colorido, e até uma caneca de café fumegante, com o aroma que parecia preencher a casa inteira. Não era apenas um café da manhã simples, mas uma refeição completa e saborosa que qualquer pessoa gostaria de começar o dia.

Hakari olhou para sua mãe e deu uma piscadela.

— Acho que fiz mais do que o necessário, né? Está tudo aqui.

Haruka olhou para a mesa, surpreso e encantada. Seus olhos brilharam de felicidade.

— Você é incrível, Hakari! Eu e o seu pai vamos trabalhar agora, mas... obrigado mesmo assim, querido.

— Não precisa agradecer. Vai ser divertido ver vocês dois no trabalho. — Hakari respondeu com um sorriso. Ele sempre gostava de brincar com seus pais, mas sabia que o trabalho deles era importante.

Com isso, ele se afastou da mesa e deu um passo para fora da cozinha, deixando Haruka e Kenji, seu pai, a se perderem no mundo do mangá enquanto ele aproveitava a sua manhã com uma refeição que poucos poderiam criar com tanta facilidade.

Enquanto Hakari se afastava da cozinha, saboreando a satisfação de ter feito um café da manhã tão impressionante com um simples estalar de dedos, ele ouviu o som de passos leves se aproximando. Era Ayane. Ela apareceu na porta da cozinha com um sorriso travesso e os olhos brilhando de curiosidade.

— Hum... isso tudo parece delicioso! — ela disse, entrando sem cerimônia e indo diretamente para a mesa, onde o café da manhã estava disposto. — Você realmente caprichou hoje, Hakari.

Hakari observou sua irmã enquanto ela pegava uma fatia de pão e começava a espalhar geleia com a confiança de quem sabia exatamente o que estava fazendo. Ele se recostou na porta da cozinha, observando-a com um sorriso discreto.

— Claro, é o mínimo que eu poderia fazer para manter a tradição de acordar cedo e surpreender a todos, — respondeu Hakari com um sorriso, fazendo uma pausa antes de olhar para ela de forma mais séria. — Mas você sabe que não precisava de tudo isso, né? Eles nunca têm tempo para fazer as coisas, então eu que acabo assumindo o controle.

Ayane riu baixinho e se sentou à mesa, pegando um pedaço de bacon crocante. Ela se recostou na cadeira com uma expressão mais relaxada, como se o mundo tivesse se tornado mais leve para ela também.

— Bom, depois da revelação dos seus poderes, tudo ficou mais fácil, não? Agora você é um Deus imortal, Hakari. Tudo ficou tão... simples. — Ela deu uma mordida no pedaço de bacon e olhou para ele com uma expressão divertida. — Eu sempre soube que você era especial, mas agora... bom, agora eu sei que temos um Deus imortal na família.

Hakari, que estava observando sua irmã com um sorriso no rosto, deu um pequeno riso e se aproximou da mesa, recostando-se nela de maneira descontraída. Ele sabia que Ayane era muito mais do que aparentava — ela tinha uma visão aguda das coisas e, mesmo sendo mais nova, sempre conseguia entender as situações de maneira única.

— Ah, sim... — ele respondeu com um tom descontraído, tentando não soar excessivamente sério. — É muito bom ser um Deus imortal. Você nem imagina o quão mais fácil fica tudo quando você tem um poder infinito à disposição.

Ayane olhou para ele com um sorriso ligeiramente irônico, como se estivesse ciente de algo que ele não estava dizendo.

— Eu posso imaginar um pouco, mas confesso que nunca tive a chance de sentir isso. — Ela fez uma pausa e deu um gole em sua bebida. — Para ser honesta, depois que descobri o que você realmente é, tudo parece mais... tranquilo. Nada mais parece ser um grande desafio quando se tem um Deus imortal em casa. Você tem todos os poderes do mundo, Hakari. Eu realmente acho que o mundo não tem mais muitas surpresas para você.

Hakari deu uma risada baixa e pensativa, os olhos refletindo uma leve nostalgia.

— Isso é verdade. É como se todo o resto fosse apenas... um passatempo agora. Mas, mesmo assim, algumas coisas não mudam. Como você, por exemplo, Ayane. — Ele sorriu de forma carinhosa, sabendo que a irmã era um dos poucos momentos que realmente o conectavam à vida "normal".

Ayane ergueu uma sobrancelha e deu um sorriso travesso.

— Ah, então você ainda me vê como um desafio, é? — Ela brincou, sabendo muito bem que Hakari não via nada como um "desafio" real, mas apenas como algo que ele poderia dominar com facilidade.

— Talvez. — Hakari respondeu com uma piscadela, demonstrando que, apesar de sua imortalidade, ele ainda apreciava as pequenas interações e os desafios que surgiam no dia a dia.

Ayane deu uma risada e voltou a se concentrar no café da manhã, mastigando com prazer. Ela sabia que o fato de seu irmão ser um "Deus imortal" não mudava o fato de que, no fundo, ele ainda era aquele Hakari que ela conhecia e amava.

— Bem, já que você é imortal e pode fazer tudo o que quiser, que tal criar um novo capítulo para os mangás dos nossos pais? Acho que isso resolveria muito bem o seu tempo. — Ayane sugeriu com uma expressão divertida, sabendo que seu irmão poderia fazer qualquer coisa se quisesse.

Hakari olhou para ela e sorriu, gostando da ideia.

— Quem sabe? Talvez eu faça isso depois de mais um café da manhã.

Enquanto Ayane continuava saboreando o café da manhã com sua típica leveza, Hakari se afastou um pouco da mesa, seu olhar perdido por um momento. Ele olhava pela janela, observando o dia começar a se desenrolar. A luz suave do sol filtrava pelas folhas das árvores, e o som distante de pássaros cantando preenchia o ar. Tudo parecia calmo, sereno.

Seus pensamentos se voltaram para a conversa que tivera com Ayane. Ser um Deus imortal tinha suas vantagens, sem dúvida, mas Hakari sabia que, no fundo, isso não era tudo. O poder era grande, quase incompreensível, mas não era isso que o fazia se sentir... completo. Ele sabia que, ao longo de sua jornada, teria enfrentado coisas que o testariam de formas que ele nem imaginava, mas a verdadeira força vinha de um lugar mais profundo.

A vida seria simples... mais simples do que eu imagino.

Hakari sorriu internamente enquanto observava sua irmã brincar com a comida na mesa, sua mãe e seu pai imersos no trabalho. Ele nunca precisou de mais do que o que tinha ali — uma família simples, em uma casa simples, vivendo um cotidiano comum. Ele sabia que sua existência imortal lhe oferecia poder além da compreensão, mas ele não sentia que isso o tornava superior aos outros. Na verdade, aquilo que ele possuía, e o que ele realmente valorizava, era a conexão com as pessoas ao seu redor.

O que é ser um Deus, se não tenho ninguém ao meu lado para compartilhar? O que é ter todo o poder do mundo, se não tenho um motivo para lutar?

Enquanto a vida ao seu redor seguia seu curso normal, Hakari refletia sobre os motivos que realmente davam propósito à sua vida. Ele não precisava de batalhas grandiosas ou inimigos imortais. O que o mantinha movendo-se para frente eram as pequenas coisas — os momentos ao lado de Ayane, as risadas de sua mãe, as conversas e os sonhos compartilhados com seu pai.

Eu tenho motivos para lutar, e esses motivos estão bem aqui.

Hakari olhou para sua família novamente. Ele sentia algo que nada poderia substituir: o amor e a conexão com as pessoas que mais importavam para ele. E, no fundo, ele sabia que era isso que realmente o fazia ser quem ele era. Não o poder, não as capacidades sobre-humanas. Mas os laços que o prendiam ao mundo — os laços que ele não abriria mão por nada.

A vida pode ser mais simples assim.

Ele se aproximou da mesa novamente, dando um sorriso suave para Ayane, que o olhou curiosa. Sem dizer uma palavra, ele sentou-se ao lado dela, sentindo uma paz profunda por ter pessoas tão especiais ao seu lado.

A imortalidade poderia lhe dar tudo o que ele desejasse, mas, no fim, não havia nada mais valioso do que os momentos simples, ao lado da família que ele amava.

E enquanto o café da manhã continuava, com o calor da casa e o som das conversas familiares, Hakari percebeu que, talvez, ser simples fosse, na verdade, a maior grandeza que ele poderia ter.

Porque eu sei para quem devo lutar.

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