Hakari voltou para casa com o celular novo e o despertador que ele havia comprado. Ao entrar no quarto, ele foi direto para a mesa e começou a configurar seu celular. O som do toque de notificação de seu celular foi interrompido quando a porta do quarto se abriu e Ayane apareceu, olhando curiosa.
— O que você está fazendo, oni-chan? — perguntou Ayane, inclinando a cabeça para o lado.
— Só estou configurando o celular novo, Ayane — respondeu Hakari, sem desviar o olhar da tela.
Ayane olhou para o celular dele e seus olhos brilharam, mas logo ela fez uma expressão fofa, com um tom de voz meigo e um olhar suplicante.
— Oni-chan, posso te pedir um favor?
Hakari parou por um momento, já prevendo o tipo de pedido. Ele suspirou e olhou para ela.
— O que foi, Ayane?
— Você poderia me levar no shopping hoje? Quero me divertir um pouco, fazer umas compras... — Ayane disse, com um sorriso tímido, mas logo seu rosto começou a mostrar uma expressão de expectativa.
Hakari ficou pensativo por um segundo. Ele não queria sair de casa novamente, estava cansado, e já tinha gasto um bom tempo no shopping comprando as coisas que precisava. Mas ele sabia que não poderia negar muito tempo para Ayane. Ela começou a fazer beicinho, os olhos começando a se encher de lágrimas.
— Ayane... — Hakari tentou resistir, mas foi interrompido.
— Oni-chan, por favor! Eu prometo que vou me comportar... você vai me deixar, né? — Ayane fez uma cara tão fofa, com os olhos marejados, que Hakari sentiu seu coração ceder.
Com um suspiro derrotado, ele olhou para ela.
— Tá bom, tá bom! Eu te levo, mas para de chorar, vai — ele falou, se rendendo ao charme da irmã.
Instantaneamente, o rosto de Ayane se iluminou e ela parou de chorar. Ela saltou até ele e deu-lhe um abraço apertado.
— Yay! Obrigada, oni-chan! Vou me arrumar rapidinho! — Ayane gritou, com um sorriso largo no rosto, e saiu correndo para o quarto dela.
Hakari sorriu levemente, mas já se preparava mentalmente para o que seria a ida ao shopping com sua irmã. Ele olhou para o celular e o despertador, ainda não completamente configurados, e decidiu que não teria tempo para terminar aquilo naquele momento.
— Arruma logo, Ayane! Vamos antes que o shopping feche! — ele gritou, sem muita paciência, mas com uma leve diversão.
Ayane apareceu rapidamente, vestindo roupas novas e com o cabelo arrumado, pronta para sair. Ela pegou a bolsa e pulou para fora do quarto com energia renovada. Hakari deu um sorriso cansado, mas antes que ela saísse pela porta, ele murmurou:
— Essa vai ser uma longa noite...
Ayane apareceu rapidamente, toda arrumada e com um sorriso largo no rosto. Hakari a observou por um momento antes de seguir em direção ao shopping com ela. Ao chegarem, Ayane logo se empolgou com as vitrines e as lojas, e seu olhar brilhou quando ela viu um fone de ouvido de unicórnio na vitrine.
— Hakari, olha aquele fone de ouvido! Ele é tão fofo! — Ayane exclamou, apontando para o item na loja.
Hakari olhou para o fone e, vendo a empolgação de Ayane, deu uma leve risada. Ayane, sempre decidida, se aproximou do balcão da loja e pediu para o vendedor.
— Você pode me comprar esse fone, oni-chan? — ela pediu com um sorriso encantador.
Hakari, que já sabia o quanto Ayane adorava coisas fofas, levantou uma sobrancelha, mas antes que pudesse responder, ele foi interrompido pelo vendedor.
— Na verdade, esse fone não está à venda — disse o vendedor, com um sorriso malicioso. — Você só pode ganhar ele se conseguir a pontuação máxima no jogo de soco mais forte.
Hakari ficou curioso e se aproximou.
— O que você quer dizer com "jogo de soco mais forte"? — perguntou.
O vendedor explicou: — É simples. Tem uma máquina que mede a força do soco. Quem conseguir o soco mais forte, ganha o fone de ouvido. Mas vai ter que esperar, porque os primeiros são muito fortes.
Ayane, empolgada, já estava decidida a ganhar o fone. Hakari, sabendo que ele poderia ser mais forte que qualquer um na sala, se preparou para o desafio. O primeiro participante era um homem muito musculoso, que já estava se aproximando da máquina.
Ayane, observando o homem, perguntou:
— Por que você quer o fone de ouvido, senhor?
O homem musculoso sorriu e respondeu:
— É para o aniversário da minha filha. Ela sempre quis um fone assim, e hoje é o dia dela.
Ayane sorriu com simpatia e disse:
— Boa sorte! — E o homem também desejou boa sorte para ela.
O homem se preparou, fez um movimento poderoso e deu um soco forte na máquina. O vendedor verificou a pontuação no computador e anunciou:
— 1.012 pontos! Você conseguiu a pontuação mínima para ganhar o fone!
Ayane ficou nervosa, mas Hakari, com um olhar confiante, disse:
— Deixe comigo.
Hakari se aproximou da máquina, fazendo alguns movimentos para esquentar os músculos. Quando ele se preparou, deu apenas um peteleco na máquina, como se fosse nada.
O que aconteceu em seguida deixou todos no shopping boquiabertos. O peteleco foi tão forte que a máquina foi arremessada para o alto e atravessou três paredes do shopping, causando uma grande comoção entre as pessoas.
Todos ficaram em silêncio, olhando para Hakari com a boca aberta, atônitos com a incrível força que ele demonstrara com um simples peteleco.
O homem musculoso, com um olhar de surpresa, se aproximou de sua filha e, com um sorriso amargo, disse:
— Desculpe, filha. Eu não consegui o fone que você queria.
Ayane, que havia assistido a cena com pena, olhou para o homem e, tocada pela situação, teve uma ideia. Ela virou-se para o vendedor e pediu:
— Eu quero dar o meu fone para a filha dele. Ela merece esse presente. — Ela falou com sinceridade.
Hakari olhou para sua irmã, surpreso com a sua generosidade.
— Você tem certeza? Esse era o fone que você queria — ele perguntou.
Ayane sorriu suavemente e respondeu:
— Eu posso conseguir outro fone em outro dia, oni-chan. Hoje, ela precisa mais do que eu.
O homem musculoso, vendo a gentileza de Ayane, ficou tocado e agradeceu de coração.
— Muito obrigado, minha filha vai ficar muito feliz! — disse ele, com lágrimas nos olhos.
Hakari sorriu, tocado pela decisão de sua irmã. Juntos, eles viram o homem ir embora com sua filha, agora com o fone de ouvido de unicórnio que Ayane generosamente lhe deu.
Após a generosidade de Ayane, os dois irmãos ficaram em silêncio por alguns momentos, observando o homem e sua filha se afastarem com o fone de ouvido de unicórnio. O gesto de Ayane tocou o coração de Hakari de maneira inesperada. Ele conhecia sua irmã como ninguém, sabia que ela tinha um grande coração, mas ver aquele ato de bondade em meio ao seu próprio desejo fez com que ele a olhasse de forma diferente.
Ayane, com um sorriso leve, se virou para Hakari e perguntou:
— Oni-chan, você está pensando o quê?
Hakari, que estava perdido em seus próprios pensamentos, demorou um segundo para responder. Ele sabia que não precisava mais esconder nada de sua irmã, especialmente agora que ela estava demonstrando um lado tão genuíno e caloroso.
— Eu... eu estava pensando em como você cresceu, Ayane. Você realmente me surpreendeu hoje.
Ayane riu, não esperando um elogio tão sincero do irmão. Ela sempre viu Hakari como alguém distante, às vezes até difícil de entender. Mas, ao mesmo tempo, sabia que ele a protegia e sempre estava lá quando ela precisava. Esse momento de conexão entre os dois parecia trazer à tona algo que ambos precisavam: um sentimento de proximidade que, embora existisse, estava adormecido por algum tempo.
— Eu só queria ver um sorriso no rosto de alguém... — disse Ayane, baixando os olhos por um momento. — Mesmo que não fosse eu mesma.
Hakari a observou por um instante e, então, colocou a mão no topo de sua cabeça, bagunçando seus cabelos com um sorriso suave.
— Isso é algo que você nunca vai precisar fazer, Ayane. Você já é incrível do jeito que é. Eu... fico orgulhoso de você, sabia?
Ayane levantou a cabeça, surpresa. Nunca pensou que ouviria algo assim de seu irmão, especialmente em um momento tão simples quanto esse. Ela sorriu, um sorriso genuíno, sem as máscaras de sua usual brincadeira ou travessuras.
— Valeu, oni-chan... — ela murmurou.
O shopping estava começando a fechar, e a iluminação já era mais suave. A multidão estava se dissipando, mas a energia da experiência compartilhada ainda parecia flutuar no ar. Hakari, percebendo que estava começando a escurecer, olhou para Ayane e sugeriu:
— Vamos, é melhor a gente ir embora antes que feche tudo.
Ayane concordou com a cabeça, mas antes de se afastar, ela puxou Hakari para o lado e disse, com um tom travesso:
— Ah, mas... você ainda precisa me comprar algo! Só porque você não comprou o fone, eu não esqueci!
Hakari riu, sabendo que Ayane tinha um jeito único de transformar até o mais simples dos momentos em algo divertido. Ele sabia que sua irmã era mais do que aparentava e que seu desejo de dar um pouco de alegria aos outros era, na verdade, o reflexo de seu próprio coração puro.
— Tudo bem, tudo bem, você venceu, mas no próximo shopping, você vai escolher algo só para mim, ok?
Ayane fez um gesto dramático com a mão, como se estivesse aceitando uma proposta oficial.
— Fechado! No próximo shopping, é você quem vai escolher o que me dar! Mas agora, vamos logo antes que a loja feche, vai que aparece algo ainda mais legal!
Os dois começaram a caminhar para a saída, rindo e conversando, sentindo a leveza do momento em meio à agitação do dia. Embora a vida deles fosse cheia de segredos e desafios, esses pequenos gestos, como a generosidade de Ayane, tornavam tudo um pouco mais suportável.
No caminho de volta, Hakari olhou para Ayane e se permitiu refletir sobre o que havia acontecido. Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, sua irmã acabaria descobrindo mais sobre ele do que ele gostaria. Ela sempre foi perspicaz, mas ele ainda não estava pronto para revelar tudo o que escondia.
Mas, por agora, ele estava feliz com o que tinham: uma simples conexão entre irmãos, compartilhando pequenos momentos, rindo, e, acima de tudo, cuidando um do outro.
Chegando em casa, Ayane estava animada, com os olhos brilhando, mas também notou algo em Hakari que a deixou um pouco mais curiosa. Ele estava diferente, mais pensativo. Algo havia mudado nele hoje, e ela sabia que isso não tinha a ver apenas com o gesto generoso no shopping. O que mais ele estava escondendo?
Hakari percebeu o olhar dela e, sem querer, se viu pensando nas perguntas que ela faria a seguir. O que ele faria quando ela finalmente começasse a cavar mais fundo? Ele não estava pronto para falar sobre o poder que possuía, nem sobre a verdadeira razão de sua força. Mas ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, isso aconteceria. E, talvez, aquele dia estivesse mais próximo do que ele imaginava.
Mas por agora, ele decidiu ignorar essas preocupações. Ele olhou para Ayane e deu um sorriso suave.
— Não me olhe assim, Ayane. Está tudo bem.
Ayane, ainda com os olhos curiosos, apenas assentiu e seguiu para o quarto. Ela sabia que estava perto de descobrir mais do que ele queria revelar. Mas, por enquanto, ela se contentava com o fato de que seu irmão ainda tinha muito a ensinar.
E assim, os dois seguiram seus caminhos, o shopping já ficando para trás, mas com a sensação de que algo importante havia mudado entre eles.
Após o passeio no shopping, Hakari e Ayane estavam caminhando de volta para casa, mas Ayane, sempre com sua energia e alegria, teve uma ideia que fez seu irmão suspirar.
— Oni-chan, que tal a gente passar na sorveteria antes de ir para casa? Eu estou com uma vontade enorme de tomar um sorvete! — ela disse, com os olhos brilhando de empolgação.
Hakari olhou para sua irmã e, apesar de sentir uma leve resistência em seus próprios pensamentos, não conseguiu resistir ao entusiasmo dela. Ele sabia que Ayane adorava esses momentos simples e não queria estragar a diversão dela.
— Você e seus desejos, Ayane... — Hakari suspirou, mas com um sorriso no rosto. — Tá bom, vamos lá. Mas é só porque você foi muito generosa hoje, e já que eu nunca posso dizer não para você.
Ayane pulou de alegria e puxou o braço de Hakari com entusiasmo, fazendo-o rir. Os dois seguiram para a sorveteria, que estava iluminada com luzes coloridas e o cheiro doce do açúcar e da baunilha no ar.
Ao entrarem na loja, uma onda de frescor e doçura os envolveu. O lugar estava calmo, com poucas pessoas, o que tornava o ambiente perfeito para uma conversa descontraída. Ayane já estava animada escolhendo seu sabor, enquanto Hakari se aproximava do balcão e conversava com o atendente.
— O que você vai querer hoje, Ayane? — Hakari perguntou, já sabendo que ela sempre optava por algo doce e extravagante.
Ayane olhou para os sabores de sorvete disponíveis e, com um sorriso travesso, apontou para um sabor extravagante de "candy crush", que tinha pedaços de confeitos coloridos misturados no sorvete.
— Eu vou nesse! Tem tudo o que eu gosto, até os confeitos! E você, Oni-chan, vai no quê?
Hakari pensou por um momento. Ele não era fã de sorvetes muito doces, mas para agradar sua irmã, decidiu se arriscar.
— Vou pegar o de chocolate amargo, como sempre... — Hakari respondeu com um sorriso tranquilo, apesar de ser sempre mais reservado quanto a essas escolhas.
Ayane riu, sabendo exatamente o que ele diria. Ela sempre escolhia os sabores mais brilhantes e doces, enquanto Hakari preferia o simples, mas mais sofisticado.
O atendente preparou os sorvetes e entregou as casquinhas. Ayane não perdeu tempo e levou a sua diretamente para a mesa. Hakari, com um sorriso divertido, seguiu atrás dela e se sentou.
Os dois começaram a saborear seus sorvetes, e a conversa logo se desenrolou de forma leve. Ayane, com seus olhos curiosos, se inclinou para frente e perguntou:
— Oni-chan, você ficou pensativo durante o caminho de volta, está tudo bem? Eu percebi. Não precisa esconder nada de mim, ok?
Hakari olhou para sua irmã, um pouco surpreso pela sua perspicácia, mas também com um sorriso gentil. Ele sabia que Ayane tinha um olhar atento, mas, de alguma forma, isso o fazia se sentir mais confortável ao falar.
— Não é nada... eu só estava pensando em algumas coisas. Acontece que, às vezes, não é fácil lidar com tantas coisas na cabeça, sabe? — Hakari respondeu calmamente, enquanto mexia um pouco no sorvete.
Ayane inclinou a cabeça, pensativa. Ela não era boba e sabia que seu irmão estava escondendo algo. Mas, ao mesmo tempo, sentia que ele nunca se abriria completamente com ela. Mesmo assim, ela decidiu mudar o assunto para algo mais leve.
— Então, depois de tanto tempo, você finalmente está me levando para tomar sorvete! Eu achei que isso nunca ia acontecer! Você estava muito sério para me deixar pedir.
Hakari riu, lembrando-se de todos os momentos em que ela pediu, mas ele sempre se esquivava. Era bom ver Ayane tão animada, mesmo que às vezes ele sentisse que precisava de um pouco mais de tranquilidade.
— Eu só sou sério quando preciso ser, Ayane. E você é muito persuasiva quando quer alguma coisa.
Ayane fez uma careta de falsa indignação, mas logo se arrependeu e sorriu.
— Eu sou... Eu sou apenas muito adorável, né? — ela brincou, mostrando o sorriso mais fofo que conseguia.
Hakari balançou a cabeça com um sorriso divertido, apreciando a personalidade única de sua irmã. A noite estava começando a cair, e o ambiente tranquilo da sorveteria tornava tudo mais relaxante.
Enquanto saboreavam seus sorvetes, Ayane não conseguiu deixar de se perguntar sobre o que estava realmente acontecendo com seu irmão. Ele não era alguém fácil de entender, e ela sabia que estava apenas arranhando a superfície.
— Oni-chan, você acha que as coisas vão sempre ser assim entre nós? — perguntou Ayane, mais séria agora, mas com um tom curioso. — Eu sei que temos nossas diferenças, mas, no final das contas, você sempre vai estar aqui para mim, né?
Hakari olhou para sua irmã e, por um momento, pensou sobre como sua vida tinha mudado. Ele sabia que, por mais que tentasse se manter distante, Ayane sempre seria sua irmã, e ela merecia saber mais sobre ele.
— Sempre, Ayane... Não importa o que aconteça, você é minha irmã. Nada vai mudar isso.
Ayane sorriu de forma sincera, satisfeita com a resposta de Hakari. Embora ela soubesse que havia algo mais escondido, estava feliz por, pelo menos, ter um momento como aquele para fortalecer o vínculo entre eles.
Eles terminaram seus sorvetes, conversaram mais um pouco e depois saíram da sorveteria, caminhando de volta para casa. O céu estava estrelado, e o vento suave fazia as folhas nas árvores se moverem levemente. Era um desses momentos tranquilos que Hakari, mesmo com suas complicações, apreciava profundamente.
Ao chegarem em casa, Ayane, com um sorriso satisfeito, se despediu de Hakari.
— Foi um ótimo dia, Oni-chan. Obrigada pelo sorvete... Eu realmente me diverti.
Hakari deu um sorriso gentil e a abraçou, algo raro para ele, mas que, naquele momento, sentia ser necessário.
— Eu também me diverti. Agora, vai descansar. Amanhã é um novo dia.
Ayane acenou e correu para o seu quarto, mas não sem antes olhar para Hakari mais uma vez. Algo em seu olhar dizia que, talvez, um dia ela finalmente entenderia todos os mistérios que o cercavam.
Hakari, por sua vez, ficou ali parado por um instante, observando o caminho que ela tomava, com um pensamento em mente: "Eu só espero que ela nunca precise saber a verdade."
Depois de chegarem em casa, Ayane estava no corredor, prestes a subir para o seu quarto, quando parou por um momento e olhou para Hakari. Ele estava retirando seus sapatos e se preparando para descansar, mas Ayane, com um sorriso suave, o chamou.
— Oni-chan... — Ayane disse, com uma expressão carinhosa, se aproximando dele. — Eu só queria te dizer uma coisa.
Hakari olhou para ela, com uma leve surpresa. Ele não estava acostumado com esse tipo de gesto vindo de Ayane, especialmente quando estava tão tranquila.
— O que foi, Ayane? — perguntou, com um sorriso meio desconcertado, não sabendo o que esperar.
Ayane deu um passo mais perto de seu irmão, seu olhar cheio de sinceridade. Ela olhou nos olhos dele e, com um sorriso doce, disse:
— Você é o melhor irmão do mundo, sabia? Eu sei que você sempre faz tudo para me proteger e cuidar de mim, mesmo que você não mostre, e eu só quero que você saiba o quanto sou grata por ter você na minha vida. Eu me sinto segura e feliz com você.
Hakari sentiu um leve aperto no peito ao ouvir aquelas palavras. Era raro ouvir algo tão direto e cheio de carinho de Ayane. Ela sempre foi a pessoa mais animada e energética, mas essa frase tinha algo diferente. Ele não sabia como responder de imediato, então apenas sorriu de forma suave.
— Você está exagerando, Ayane... — Hakari começou, tentando disfarçar o impacto das palavras dela. — Mas eu entendo o que você quer dizer. Eu sou apenas um irmão, e meu dever é cuidar de você, como qualquer irmão mais velho faria.
Ayane sorriu ainda mais e, de forma impulsiva, deu um abraço apertado em Hakari. Ele ficou surpreso com o gesto, mas não a afastou. Pelo contrário, deixou que ela o abraçasse por um momento, sentindo o afeto genuíno que vinha dela.
— Eu sei que você se preocupa, Oni-chan, e isso é o que mais importa para mim. Eu sei que, no fundo, você faria qualquer coisa por mim, e isso significa muito, muito mais do que você imagina.
Hakari ficou em silêncio por um momento, abraçando sua irmã de volta. Ele não dizia muito, mas seus sentimentos estavam ali, nas ações que ele tomava por ela todos os dias, em cada sacrifício e em cada gesto de proteção. Embora ele nem sempre expressasse tudo o que sentia, sabia o quanto Ayane era importante para ele. Ele nunca permitiria que nada de mal acontecesse com ela, fosse qual fosse o custo.
Quando Ayane finalmente se afastou, ainda sorrindo, Hakari deu uma leve risada e balançou a cabeça, como se tentando descontrair a situação.
— Você é um pouco exagerada, mas... — ele começou, ainda com um sorriso leve. — Você sabe que pode contar comigo sempre, não é? Não importa o que aconteça, vou sempre estar aqui para te proteger e cuidar de você. Isso é o que um irmão mais velho faz.
Ayane olhou para ele, com os olhos brilhando de gratidão, e deu um último sorriso radiante.
— Eu sei, Oni-chan. E é por isso que te amo tanto!
Hakari sentiu seu coração se aquecer com essas palavras. Ele sabia que Ayane não precisava de grandes demonstrações, apenas sabia que, no fundo, ela o amava com toda a sinceridade de uma irmã mais nova. Ele também a amava — talvez de maneiras que ele mesmo não entendia completamente, mas o fato de que a via como sua responsabilidade, seu dever e seu maior tesouro, fazia tudo fazer sentido.
— Agora vai descansar, Ayane. Está tarde já, e amanhã é outro dia.
Ayane assentiu, e antes de subir para o seu quarto, parou um último momento e se virou para Hakari.
— Boa noite, Oni-chan! E obrigada de novo, por ser o melhor irmão do mundo.
Hakari sorriu, observando sua irmã subir as escadas com um sorriso no rosto.
— Boa noite, Ayane. Durma bem.
E assim, com um sentimento de tranquilidade no coração, Hakari se preparou para descansar também. Ele sabia que, apesar das dificuldades e do que o futuro poderia reservar, o vínculo que compartilhava com Ayane nunca se quebraria. Era um laço inquebrável, algo que ele faria qualquer coisa para proteger.
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Atualizado até capítulo 25
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