A mesa de jantar estava posta com pratos refinados e talheres de prata, iluminada por um majestoso lustre de cristal. A família Hanazawa e Hakari estavam reunidos, desfrutando de uma refeição sofisticada. O ambiente era tranquilo, mas a curiosidade pairava no ar.
— Então, Hakari — o pai de Aki começou, repousando seu copo sobre a mesa —, há quanto tempo você é o Deus do Trovão?
Hakari, com um sorriso leve, respondeu calmamente:
— Eu sempre fui o Deus do Trovão.
Os olhares ao redor da mesa se voltaram para ele, alguns com surpresa, outros tentando processar o que haviam acabado de ouvir. Os sobrinhos de Aki, dois garotos gêmeos animados, interromperam a conversa com brilho nos olhos.
— Tio Hakari, você já derrotou monstros mágicos? Tipo dragões, ogros e serpentes gigantes?
Hakari soltou uma leve risada antes de responder:
— Desde que eu tinha 157 anos de idade, era comum eu matar esses tipos de monstros.
A afirmação fez o silêncio dominar a mesa. O impacto daquelas palavras fez os talheres pararem no meio do caminho até os pratos. O pai de Aki franziu a testa, a mãe dela cobriu a boca com a mão, e a irmã mais velha piscou repetidamente, tentando assimilar a informação. Apenas Aki permaneceu tranquila, pois já estava acostumada com a verdadeira identidade de seu namorado.
Um dos sobrinhos, ainda mais curioso, arregalou os olhos e perguntou sem hesitar:
— Tio… quantos anos você tem?
Hakari bebeu um gole de sua taça antes de responder, sem qualquer hesitação:
— 150.016 anos.
Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente. Todos os membros da família Hanazawa ficaram de boquiabertos, seus olhos arregalados em descrença. O irmão mais novo de Aki quase deixou seu garfo cair no prato, e o pai dela pigarreou, visivelmente tentando encontrar palavras para responder.
— C-como assim…? — a irmã mais velha de Aki murmurou, ainda tentando processar o que acabara de ouvir.
Aki apenas sorriu, enquanto Hakari continuava a comer tranquilamente, como se sua idade fosse a coisa mais normal do mundo.
O silêncio ainda dominava a sala de jantar enquanto todos continuavam atônitos com a revelação da idade de Hakari. O pai de Aki, mesmo tentando manter a compostura, não conseguia esconder sua surpresa. A irmã mais velha de Aki olhava fixamente para ele, como se esperasse que aquilo fosse uma piada, enquanto os gêmeos ainda tentavam assimilar a ideia de que o namorado da tia era mais velho do que a própria civilização humana.
Após alguns instantes, o pai de Aki respirou fundo e resolveu perguntar:
— Você… quer dizer que viveu por todo esse tempo no seu mundo anterior? Como foi isso? Deve ter sido uma eternidade.
Hakari colocou os talheres sobre a mesa e cruzou os braços, olhando para todos com um semblante sereno. Ele então começou a falar, sua voz carregada de lembranças e experiência:
— Sim, eu vivi por muito tempo no meu mundo anterior. Para vocês, pode parecer algo surreal, mas para mim… sempre foi assim. Vi impérios surgirem e caírem, testemunhei eras de paz e tempos de guerra. Vi a ascensão de reis e a queda de deuses menores. Com o passar dos milênios, tornei-me algo que transcende a própria compreensão humana.
Todos escutavam atentamente. O irmão mais novo de Aki, que até então estava calado, engoliu em seco e perguntou:
— Mas… como alguém pode viver tanto tempo? Você nunca se cansou? Nunca desejou parar?
Hakari sorriu levemente, olhando para seu prato antes de voltar o olhar para o garoto.
— Havia momentos em que eu pensava nisso. Mas o tempo é diferente para mim. O que para vocês pode parecer uma eternidade, para mim é apenas um instante. Aprendi a encontrar propósito em cada era, em cada geração. Sempre houve algo novo para aprender, algo para proteger… E agora, meu propósito é Aki.
Aki corou ligeiramente, desviando o olhar com um sorriso tímido. Seu pai pigarreou, tentando retomar o controle da conversa.
— E sobre sua força? Você disse que lutava contra monstros desde os 157 anos. Isso quer dizer que você sempre foi forte?
Hakari riu de leve.
— Sim, sempre fui forte. Mas minha força nunca teve um limite verdadeiro. Desde minha juventude, fui forjado na batalha. Aprendi a enfrentar adversários que poderiam varrer continentes inteiros com um único golpe. Com o tempo, minha força só aumentou. Atualmente…
Ele fez uma breve pausa, observando a expressão curiosa e receosa de todos, antes de completar:
— Um único soco meu carrega pelo menos a força destrutiva de 4 milhões de bombas nucleares.
Dessa vez, ninguém sequer piscou. O impacto daquelas palavras foi sentido como um trovão. O pai de Aki segurou firmemente os braços da cadeira, a mãe dela cobriu a boca novamente, e os sobrinhos arregalaram os olhos de puro choque. Até mesmo Aki, que já sabia que Hakari era poderoso, nunca havia escutado um número tão absurdo.
— Q-q-quatro milhões? — um dos gêmeos balbuciou, quase engasgando com a comida. — Isso é tipo… muito!
— Isso é apocalíptico! — o irmão mais novo de Aki exclamou, atônito.
O pai de Aki olhou fixamente para Hakari, tentando compreender o que aquilo significava. Ele sabia que o jovem era um deus, sabia que ele era poderoso, mas agora estava tendo uma noção real do que significava estar diante de uma entidade que poderia destruir planetas com um simples gesto.
— E o que impede você de destruir este mundo? — o pai de Aki perguntou, tentando esconder a inquietação em sua voz.
Hakari olhou diretamente para ele, seu olhar firme e determinado.
— Minha vontade. Eu nunca machucaria inocentes. Poder sem controle é destruição, mas poder com propósito é proteção. Uso minha força para proteger aqueles que amo e garantir a paz onde eu puder. Meu objetivo não é causar medo, mas sim esperança.
Aquelas palavras ecoaram na mente de todos. O pai de Aki relaxou um pouco, percebendo que Hakari não era apenas um ser poderoso, mas alguém com valores inquebráveis. Ele então suspirou, aceitando que sua filha estava realmente com alguém que transcende qualquer compreensão humana, mas que, acima de tudo, possuía um coração genuíno.
Aki, sentindo o peso da conversa, pegou na mão de Hakari sob a mesa e a apertou suavemente. Hakari olhou para ela e sorriu, transmitindo a segurança que ela precisava. O jantar prosseguiu em silêncio por um tempo, pois todos ainda tentavam absorver a revelação que acabaram de ouvir.
Após uma noite repleta de conversas surpreendentes e revelações chocantes, o jantar finalmente chegava ao fim. A mesa estava repleta de pratos vazios, e a família Hanazawa parecia ainda processar tudo o que havia aprendido sobre Hakari.
Hakari limpou a boca com um guardanapo e então se levantou, olhando para todos com um sorriso educado.
— Agradeço muito pelo convite, foi um prazer conhecer vocês — disse ele, fazendo uma leve reverência.
O pai de Aki, que no início havia sido contra o relacionamento, agora olhava para Hakari com respeito e até uma pitada de admiração. Ele se levantou da cadeira, ajeitou o paletó e se aproximou do jovem.
— Hakari, você sempre será bem-vindo nesta casa — disse ele com firmeza, estendendo a mão.
Hakari apertou a mão do pai de Aki de maneira respeitosa, e logo sentiu um puxão em sua manga. Ao se virar, viu Aki com um olhar carinhoso e um leve rubor no rosto.
— Você vai embora agora? — perguntou ela, um pouco triste.
— Sim, já está tarde — respondeu Hakari.
Aki não disse nada, apenas deu um passo à frente e segurou o rosto dele com as duas mãos antes de puxá-lo para um beijo. Foi um beijo calmo e cheio de sentimentos, demonstrando todo o carinho que ela tinha por ele. A família observou a cena em silêncio, respeitando o momento dos dois.
Quando os lábios se separaram, Aki sorriu timidamente.
— Se cuida, Hakari — disse ela, com os olhos brilhando.
— Sempre — respondeu Hakari, acariciando a cabeça dela.
Ele então se afastou e caminhou até a porta, lançando um último olhar para a família Hanazawa antes de desaparecer na noite.
Aki ficou parada na entrada, observando até que ele sumisse completamente de vista. Ela então tocou os lábios e sorriu, sentindo o coração bater mais forte.
"Eu tenho mesmo um namorado incrível..." pensou ela consigo mesma.
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Atualizado até capítulo 24
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