Era tarde da noite quando o celular de Hakari vibrou ao lado da sua cama. Ele abriu os olhos lentamente e pegou o aparelho, vendo o nome "Aki Hanazawa" brilhando na tela. Sem hesitar, atendeu.
— Aki? Está tudo bem? — perguntou ele, sentindo que algo estava errado pelo tom de voz dela.
— Hakari… — A voz de Aki soava trêmula, quase hesitante. — Meu pai quer te conhecer pessoalmente.
Houve um breve silêncio entre eles antes de Hakari responder.
— Certo. Quando ele quer me ver?
— Amanhã à noite, na minha casa. — Aki respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem. — Você pode vir?
— Claro. Não vejo problema nisso. — Hakari tentou soar tranquilo, mas logo percebeu que Aki não parecia aliviada com sua resposta. — Aki, o que está te preocupando?
— N-nada, não se preocupa… — Aki respondeu rápido demais, sua voz denunciando a mentira.
— Aki… Eu sou seu namorado. Meu papel é cuidar de você, e eu sei quando algo está te incomodando. Fala comigo.
Do outro lado da linha, ele ouviu a respiração dela ficar irregular. Então, um soluço escapou e, de repente, Aki começou a chorar.
— Hakari… talvez… talvez amanhã seja nosso último dia juntos como namorados.
As palavras dela o atingiram como um trovão. Ele se levantou da cama, agora completamente desperto.
— Do que você tá falando? Por que amanhã seria o último dia?
— Meu pai… Ele nunca aceitaria que eu estivesse com você. — A voz dela soava embargada. — Ele já deixou claro que só aceitará alguém que atenda aos padrões dele… e, Hakari, eu conheço meu pai. Se ele decidir que você não é digno, ele pode… ele pode até tentar nos separar à força.
Hakari cerrou os punhos. Ele nunca se importou com julgamentos externos, mas ver Aki sofrer assim o deixava furioso.
— Escuta, Aki. Eu não sou do tipo que desiste fácil. Se ele quer me conhecer, eu vou. E se ele tentar nos separar, ele vai ter que lidar comigo.
— Hakari… — Aki soluçou mais uma vez, mas um pequeno sorriso podia ser sentido em sua voz. — Obrigada.
— Tenta descansar, tá? Amanhã eu vou até aí, e juntos vamos resolver isso.
— Tá bom… Boa noite, Hakari.
— Boa noite, Aki.
Quando a ligação terminou, Hakari ficou encarando o teto por alguns instantes. Ele sabia que no dia seguinte teria um grande desafio pela frente. Mas, por Aki, ele enfrentaria qualquer coisa.
O restaurante estava movimentado, com vozes se misturando ao som de talheres e pratos sendo servidos. Aki e Hakari estavam sentados em uma mesa próxima à janela, aproveitando a refeição juntos. O aroma de comida fresca pairava no ar, mas Aki parecia inquieta, mexendo no arroz com os hashis sem realmente comer.
— Hakari, você tem certeza de que não é melhor contar para os meus pais que você é um Deus imortal? — perguntou Aki, olhando para ele com uma expressão de preocupação.
Hakari pegou um pedaço de carne e comeu calmamente antes de responder.
— Eu só vou revelar minha identidade quando sentir que é o momento certo. Não quero assustá-los ou causar problemas desnecessários.
Aki suspirou e apoiou o queixo na mão.
— Ainda estou me acostumando com o fato de estar namorando um Deus imortal...
Hakari sorriu de leve.
— Eu entendo. Mas você já lidou bem com a informação até agora.
Aki franziu a testa, pensativa.
— Eu sou a única pessoa que sabe sobre isso?
Hakari balançou a cabeça negativamente.
— Não. Eu revelei minha identidade aos presidentes de vários países durante uma reunião na ONU.
Aki arregalou os olhos, quase derrubando os hashis.
— O quê?! Eles não te viram como uma ameaça global?
Hakari riu suavemente.
— No começo, sim. Mas chegamos a um acordo: eles não interferem na minha vida, e, em troca, eu os ajudo em algumas missões, salvo pessoas de monstros e colaboro em projetos importantes. Agora somos grandes aliados.
Aki cruzou os braços, ainda surpresa.
— Isso é inacreditável... Eu imaginava que os líderes do mundo ficariam apavorados com a ideia de um ser como você existindo.
Hakari sorriu, pegando o copo de água e tomando um gole antes de continuar.
— Eles ficaram, mas depois de verem meu comprometimento com a humanidade, perceberam que não sou uma ameaça. Agora, sempre que há uma crise global ou algo que precise da minha ajuda, eles entram em contato.
Aki olhou para ele com admiração.
— Você realmente é incrível, Hakari...
Hakari sorriu, pegando a mão dela sobre a mesa.
— E você também, Aki. Agora vamos terminar de comer. Amanhã temos um encontro muito importante com seu pai.
Aki assentiu, mas não conseguiu esconder a preocupação nos olhos. O jantar de amanhã poderia mudar tudo entre eles.
Hakari sorriu suavemente ao tirar algo da bolsa que carregava com ela. Em suas mãos, um pequeno embrulho, cuidadosamente amarrado com um fio de seda escarlate, refletia a luz suave do ambiente. Ele estendeu o presente para Aki com um olhar tranquilo, mas cheio de significado.
— Aqui — disse ele com uma expressão sincera, os olhos brilhando com um toque de expectativa.
Aki olhou para o pacote por um momento, hesitante. Seus dedos tremiam levemente ao tocar o tecido que o envolvia. Quando finalmente o abriu, seus olhos se arregalaram de surpresa. Diante dela estava um colar delicado, mas imponente, com uma pedra central que combinava um rubi radiante, uma safira profunda e um diamante cintilante.
— Isso… é lindo! — Aki sussurrou, os olhos se encantando com a peça. Ela não sabia como expressar o que sentia, mas uma mistura de surpresa e gratidão tomou conta dela.
Hakari observou a reação dela com um olhar suave, quase carinhoso, e falou com a mesma serenidade:
— Eu fiz isso com o meu poder de manipulação da realidade. Criei este colar especialmente para você. A combinação das pedras foi escolhida por mim… elas representam o que você significa para mim. O rubi, pela paixão, a safira, pela confiança, e o diamante, pela sua força inquebrantável.
Aki segurou o colar com cuidado, sentindo o peso simbólico e a delicadeza da peça, mas algo dentro de seu peito se apertou. Ela olhou para Hakari, um medo silencioso começando a crescer em seu interior, um medo que ela tentava esconder.
— É perfeito, Hakari… mas — Aki engoliu em seco, a voz vacilando, — e se um dia você… se for embora? O que será de mim?
Hakari, notando a sombra que passou pelo rosto de Aki, deu um passo à frente e segurou a mão dela com firmeza, como se desejasse transmitir toda a sua segurança e proteção através daquele simples toque. Ele a olhou nos olhos, com a expressão serena, mas firme.
— Nada vai nos separar, Aki. — Ele disse, sua voz tranquila, mas carregada de uma intensidade que parecia cortar qualquer dúvida. — Eu vou dar tudo de mim para que nada nos separe, e nada de ruim vai acontecer com você enquanto eu estiver ao seu lado. Você tem minha palavra.
Aki sentiu um calor se espalhar pelo seu corpo, como se a presença de Hakari fosse uma fortaleza impenetrável. Mas, ainda assim, o medo persistia, silencioso e profundo. Ela apertou a mão dele, tentando encontrar a confiança que ele transmitia, enquanto uma pequena lágrima escorria pelo canto de seu olho, não mais de tristeza, mas de uma felicidade guardada.
— Eu confio em você — ela murmurou, com a voz baixa, mas cheia de convicção.
E naquele momento, com o colar brilhando delicadamente entre eles, Hakari e Aki ficaram juntos, mais unidos do que nunca, enfrentando os medos e os desafios do futuro com a promessa de estarem sempre ao lado um do outro.
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Atualizado até capítulo 24
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