CAPÍTULO 03

O dia amanheceu, e Hakari acordou com o som insistente do despertador. Ele estendeu a mão para desligá-lo, mas antes mesmo de tocá-lo, o aparelho soltou uma pequena faísca e queimou instantaneamente. Suspirando, ele murmurou:

— Lá vamos nós de novo... Preciso de outro despertador.

Levantando-se, foi direto ao banheiro. Depois de escovar os dentes e tomar um banho quente, desceu para a cozinha, onde sua mãe já estava preparando o café da manhã. Assim que o viu, ela sorriu.

— Bom dia, querido. Dormiu bem?

— Sim, dormi bem — respondeu Hakari, sentando-se à mesa.

— Venha comer antes que esfrie — disse ela, colocando um prato na frente dele.

Enquanto começava a comer, Hakari hesitou por um momento antes de perguntar:

— Mãe, posso te pedir uma coisa?

— O que foi? — perguntou ela, ainda ocupada na cozinha.

— Meu despertador queimou de novo… — disse ele, coçando a nuca.

A mãe parou o que estava fazendo e suspirou, cruzando os braços.

— Hakari, esse já é o décimo nono despertador que queima. O que você anda fazendo com eles?

— Nada demais… — respondeu ele, desviando o olhar. — Mas, então, eu queria saber se posso ir ao shopping comprar outro despertador… Ah, e um celular novo, já que o meu fritou ontem.

A mãe colocou as mãos na cintura e olhou para ele com uma expressão de cansaço.

— Hakari, sério, eu não sei se esses aparelhos estão com defeito ou se você que tem algum problema elétrico…

Hakari apenas riu sem graça.

— Então, posso ir?

Ela suspirou, mas assentiu.

— Tudo bem, você pode ir, mas nada de se atrasar ou falar com estranhos, entendeu?

— Entendido — disse ele, levantando-se da mesa. — Prometo que não vou me atrasar nem falar com estranhos.

Hakari terminou o café da manhã e se preparou para sair, enquanto sua mãe ainda balançava a cabeça, se perguntando como o filho dela conseguia queimar tantos eletrônicos assim.

A mãe de Hakari olhou para ele, ainda preparando a mesa.

— Hakari, vai acordar sua irmã, senão ela vai se atrasar para a escola.

— Tá bom, mãe — respondeu Hakari, levantando-se da mesa e indo em direção ao quarto de Ayane.

Ele abriu a porta lentamente e se aproximou da cama dela.

— Ayane, acorda! Senão vai se atrasar para a escola!

Ayane, porém, não se mexeu. Ela estava completamente imersa no sono. Hakari suspirou e tentou de novo, dessa vez mais alto.

— Ayane! Acorda logo, menina!

Mas, mesmo com o tom mais forte, Ayane continuou dormindo. Ele olhou para ela, pensativo, e teve uma ideia.

Com um sorriso travesso, Hakari se aproximou um pouco mais e, com um toque rápido, deu uma pequena descarga elétrica em sua perna.

Imediatamente, Ayane pulou da cama, gritando alto:

— Aí! O que você fez, oni-chan?!

Hakari, sem perder o compasso, respondeu casualmente:

— Não fiz nada, só te chamei.

Ayane se levantou ainda meio zonza, passando a mão pela perna, onde sentiu o choque.

— Eu senti um choque na minha perna... Você tem algum aparelho de dar choque, né?

Hakari tentou evitar olhar diretamente para ela, fingindo que não sabia o que estava acontecendo.

— É... melhor você levantar logo, ou vai se atrasar para a escola.

Ayane o encarou com uma expressão de desgosto e frustração.

— Tá bom, tá bom! Você venceu, mas só me deixa em paz, Oni-chan.

Hakari sorriu e saiu do quarto rapidamente, fechando a porta atrás de si.

Enquanto se afastava, Ayane ficou pensando no que havia acontecido, olhando para a própria perna, tentando entender o que tinha sido aquele choque.

Após o café da manhã, Hakari decidiu que poderia usar sua super velocidade para chegar mais rápido à escola. Ele pensou que, se conseguisse chegar antes, teria mais tempo livre durante o dia. Sem ninguém por perto, Hakari olhou ao redor para garantir que não fosse visto. Com um sorriso no rosto, ele se preparou e, num piscar de olhos, atravessou quarteirões em questão de segundos, chegando rapidamente à escola.

Ele entrou no prédio, subiu as escadas e foi até a sua sala. Quando entrou, viu Aki Hanazawa sentada na mesa ao lado da sua. A garota que ele havia salvado do atropelamento estava ali, sozinha. Isso só podia significar uma coisa: ela chegou antes de todos os outros. Hakari se sentou na sua mesa, que ficava ao lado da dela.

Aki, percebendo que ele havia chegado, decidiu puxar uma conversa.

— Hakari... — ela chamou, fazendo Hakari se virar para ela.

— O que foi? — ele perguntou, curioso.

Aki parecia um pouco tímida, mas logo perguntou:

— Você tem namorada?

Hakari ficou um pouco surpreso com a pergunta, mas respondeu de forma honesta:

— Não, eu ainda não tenho uma namorada.

Aki parecia pensativa, como se estivesse ponderando algo, até que perguntou, quase gaguejando:

— H... Hakari... você... q-q-q... quer namorar comigo?

A pergunta a pegou de surpresa, mas Hakari manteve a calma.

— Não — ele respondeu com firmeza.

Aki ficou visivelmente surpresa e, com uma expressão confusa, perguntou:

— Por que não?

Hakari pensou por um momento e, com um olhar tranquilo, explicou:

— Eu não posso namorar com alguém que eu mal conheço. Acho que a gente deveria se conhecer aos poucos, entender mais um sobre o outro, para chegar a um resultado. Não dá para tomar decisões precipitadas.

Aki ficou em silêncio por um instante, pensando nas palavras de Hakari. Em sua mente, ela refletiu: Ele é mesmo diferente dos outros.

O tempo passou e as aulas começaram. Na aula de Ciências, o professor entrou na sala com um sorriso, pronto para iniciar mais uma explicação. Ele olhou para os alunos e disse:

— Bom, alunos, hoje vamos falar sobre energia elétrica.

Hakari, ao ouvir o tema da aula, sentiu uma leve apreensão. Algo dentro dele dizia que as coisas poderiam dar errado. Ele tentava manter a calma, mas não podia negar a sensação estranha.

O professor, animado, pegou um dispositivo de medir energia elétrica — um aparelho que poderia medir a eletricidade de aparelhos ou até mesmo de tempestades. Ele o ativou, e o som agudo do aparelho começou a ecoar pela sala.

— O que está acontecendo? — murmurou o professor, percebendo que o dispositivo estava apitando de uma maneira intensa.

Ele ajustou os controles do aparelho, tentando entender o que estava acontecendo. Então, o aparelho começou a guiar o professor em direção a Hakari, com o som ficando cada vez mais alto à medida que se aproximava dele. O dispositivo apitava a cada passo, até que, ao chegar perto de Hakari, o som se intensificou ao máximo, quase ensurdecedor.

Aki, percebendo a reação do aparelho, perguntou, um pouco preocupada:

— Professor, esse aparelho está com defeito?

O professor, confuso, olhou para o aparelho e respondeu, com uma expressão séria:

— O medidor só chega a esse nível se houver uma quantidade extrema de energia elétrica, como a de um trovão...

Antes que qualquer um pudesse dizer algo, o aparelho fritou, liberando uma faísca elétrica e parando de funcionar de repente. O professor, agora visivelmente surpreso, olhou para os alunos e comentou, tentando disfarçar a situação:

— Então, acho melhor mudarmos o tema da nossa aula para algo menos... "energético".

Os alunos, exceto Hakari e Aki, imediatamente concordaram, murmurando entre si em acordo:

— Concordo!

Aki, porém, ficou com os olhos fixos em Hakari, observando-o atentamente. Ela estava confusa, tentando entender o que havia acontecido. Em seus pensamentos, ela refletiu:

Por que esse garoto é tão estranho? O que ele está escondendo?

O professor, após o pequeno incidente com o medidor de energia, pediu para que todos os alunos se dirigissem para o laboratório de química para continuarem a aula. Ao chegarem, o ambiente estava repleto de frascos e materiais científicos, e o professor, com um sorriso no rosto, pediu que formassem duplas.

— Então, alunos, façam duplas para a próxima atividade. Vamos ver quem vai trabalhar com quem.

Aki, ao olhar ao redor, notou que o único lugar disponível ao seu lado era ao lado de Hakari. Ela levantou a mão, sem hesitar, e pediu ao professor com um sorriso tímido:

— Professor, eu posso fazer dupla com o Hakari?

O professor, olhando para os dois, fez uma pausa e então, com um tom descontraído, respondeu:

— Claro, Aki, se o Hakari aceitar.

Ele virou-se para Hakari, esperando sua resposta.

Olhando para Aki, Hakari respondeu sem muita dúvida, com um sorriso de leve simpatia.

— Não vejo problema nenhum nisso.

Aki sorriu, sentindo-se aliviada, mas ainda com uma pequena insegurança. Ela olhou para Hakari com um olhar curioso e perguntou, de repente:

— Hakari, você... você acha que eu sou bonita?

Hakari, sem perceber o impacto de sua resposta, falou de maneira simples e direta, com um tom casual:

— Você é linda, como qualquer garota.

Aki, surpreendida pela resposta direta e sincera, sentiu um calor súbito se espalhando por seu peito. Sua mente ficou um pouco atordoada com as palavras dele, como se algo dentro dela tivesse se aquecido de uma maneira inesperada. Ela ficou em silêncio por um momento, absorvendo o que acabara de ouvir, enquanto tentava disfarçar a sensação de excitação que sentia.

Hakari, por sua vez, não percebeu a reação de Aki e se concentrou no que o professor estava explicando para a turma.

No final do expediente escolar, Aki estava determinada a conversar com Hakari mais uma vez. Ela havia ficado com algumas perguntas e, apesar do que tinha acontecido durante o dia, sentia que havia algo diferente nele. Quando a viu saindo da escola, não pensou duas vezes e correu em direção a ele.

Hakari estava caminhando com sua habitual postura descontraída, e Aki, com os passos rápidos, conseguiu alcançá-lo alguns metros depois. Ela estava um pouco ofegante da corrida, mas estava decidida a conversar com ele.

— Hakari! — chamou ela, sua voz cheia de uma mistura de curiosidade e um toque de nervosismo.

Hakari, que estava prestando atenção no caminho à sua frente, de repente virou para a esquerda, desaparecendo por uma rua que se estendia logo ali. Aki, que estava tão próxima dele, aumentou o ritmo para não perder a oportunidade de falar com ele.

Ela virou a esquina apressada, mas, para sua surpresa, não encontrou ninguém. O caminho estava vazio, e Hakari havia simplesmente desaparecido. Não havia nenhum sinal dele por perto, como se tivesse sumido do nada.

Aki parou por um momento, olhando ao redor, perplexa. Ela olhou para trás, mas não conseguiu ver nada que a explicasse. "Será que ele correu?", pensou. Ela sabia que Hakari tinha um ritmo um pouco mais rápido que o normal, mas mesmo assim, ainda fazia pouco sentido. Se ele tivesse corrido, ela teria o visto por mais tempo, pelo menos a distância inicial ainda permitiria vê-lo de longe. Mas não... ele desapareceu como se fosse um espectro.

Ela ficou ali por alguns segundos, sentindo uma sensação de estranheza, com a mente girando enquanto tentava entender o que havia acontecido. Era como se Hakari tivesse simplesmente sumido, como se fosse impossível para ele se mover tão rápido sem que ela percebesse.

"Não pode ser..." Aki murmurou para si mesma, tentando entender o que ela havia acabado de testemunhar.

Hakari, com o celular novo na mão e o despertador em sua mochila, caminhava pelas ruas da cidade, imerso em seus pensamentos. Enquanto pensava sobre o que aconteceu durante o dia, algo lhe chamou a atenção: um som vindo de um beco próximo. Ele parou e olhou em direção àquela rua sombria. O som de vozes agressivas e risadas ecoava, e Hakari franziu a testa, seu instinto sempre alerta, principalmente em situações como essa.

Ele se aproximou discretamente, indo em direção ao beco, e lá, viu uma cena perturbadora: uma garota estava sendo cercada por cinco homens. Eles a pressionavam contra a parede, rindo de forma ameaçadora, enquanto ela tentava se afastar, mas não havia para onde ir. O ar ao redor estava pesado, carregado de uma energia negativa. A garota, de aparência jovem, parecia estar desesperada, seus olhos cheios de medo.

Hakari observou a cena por um momento, analisando os cinco homens. Todos pareciam confiantes, achando que tinham o controle da situação. Mas ele sabia que isso não duraria muito. Havia algo em sua expressão, algo que sugeria que ele não iria simplesmente se afastar.

Os homens não perceberam a presença de Hakari até que ele se aproximou mais. Quando um deles olhou para o lado, o viu. O homem parou por um instante, surpreso ao ver um adolescente ali, mas logo riu, achando que ele era apenas uma criança inofensiva.

— E aí, garoto, quer fazer alguma coisa? — disse um dos homens, rindo desdenhosamente.

Hakari não respondeu, ao invés disso, sua expressão se tornou mais séria. Seus olhos brilharam por um momento, um reflexo do poder que estava dentro dele. Ele sabia que precisava agir rápido. Ele não podia permitir que aquela garota fosse ferida ou pior.

Sem avisar, Hakari deu um passo à frente, seu corpo se movendo com velocidade impressionante. Em um piscar de olhos, ele estava no meio dos homens, e antes que eles tivessem tempo de reagir, ele já havia os desarmado, usando apenas uma pequena quantidade de sua força. Não havia socos nem gritos, apenas um movimento fluido e controlado.

Os homens, agora assustados, tentaram se reagrupar, mas estavam visivelmente sem condições de lutar. Hakari os desarmou mais uma vez, com um simples movimento, deixando-os perplexos. Eles estavam atônitos, incapazes de acreditar no que estava acontecendo.

— Saíam daqui antes que eu mude de ideia — disse Hakari com uma voz calma, mas firme.

Os homens, agora em pânico, começaram a recuar, com medo do que poderia acontecer se ficassem ali mais tempo. Em segundos, estavam fora de vista.

A garota, que estava paralisada de medo durante toda a cena, finalmente se soltou da parede e olhou para Hakari, ainda atônita.

— Você... você me salvou... — ela disse, a voz trêmula de gratidão e surpresa.

Hakari olhou para ela, seu semblante suave. Ele sabia que tinha feito o certo, mas ao mesmo tempo, se sentia desconfortável com os elogios.

— Não foi nada — ele respondeu, desviando o olhar rapidamente. — Só tome cuidado da próxima vez.

Ele então começou a se afastar, sentindo uma leve inquietação dentro de si. Algo parecia estar mudando dentro dele. Enquanto caminhava, ele não podia deixar de se perguntar, mais uma vez, se ele deveria realmente continuar escondendo quem era, ou se algum dia deveria revelar toda a extensão de seus poderes.

A garota ainda o observava, em silêncio, enquanto ele se afastava. Ela ficou com uma sensação estranha no peito, como se Hakari fosse algo mais do que aparentava ser.

— Quem realmente é você, Hakari? — ela murmurou para si mesma.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!