CAPÍTULO 08

Aki Hanazawa passa a noite refletindo sobre as coincidências que parecem ligar Hakari Mikami ao super-herói Storm. Ela relembra momentos que agora parecem mais significativos, como a vez que Hakari a salvou de quase ser atropelada por um caminhão. Ela recorda que, em um reflexo quase sobrenatural, Hakari correu com velocidade sobre-humana e conseguiu desviar o caminhão com apenas uma leve colisão, o suficiente para afastá-la e salvar sua vida, mas a parte do caminhão ainda ficou visivelmente danificada. Essa cena ficou marcada em sua memória, e ela sempre se perguntou como ele fez aquilo.

Outro momento que ela recorda com clareza foi quando Hakari, durante uma competição na escola, conseguiu dar uma volta na pista da quadra em apenas três segundos. Ninguém foi capaz de entender como isso era possível. E teve também aquele dia, durante uma aula de física, em que Hakari usou um dinamômetro manual para medir sua força. O ponteiro quebrou ao chegar no limite máximo, um fenômeno que deixou todos os alunos e o professor perplexos.

Mas o mais intrigante de tudo foi o dispositivo de medir energia elétrica do professor. Quando Hakari se aproximou, o medidor disparou e a energia foi registrada como se fosse de um trovão, como se ele fosse capaz de gerar eletricidade. Essas lembranças começaram a formar uma teoria em sua mente: e se Hakari fosse, na verdade, o Storm? As coincidências eram grandes demais para serem ignoradas, e ela sabia que não poderia ficar em dúvida por muito mais tempo.

Determinada, Aki decide que, no dia seguinte, vai tentar provar sua teoria. Ela planeja um teste para observar melhor as habilidades de Hakari e compará-las com as de Storm. O que ela não sabe é que essa decisão vai colocá-la cada vez mais perto da verdade, e que tudo pode mudar quando ela descobrir quem Hakari realmente é.

Aki senta em sua cama, pensando profundamente sobre tudo o que observou e deduziu até agora. Ela sempre soubera que havia algo de especial em Hakari Mikami, mas agora, com a teoria se consolidando em sua mente, a ideia de que ele poderia ser o Deus do Trovão, Storm, a fazia sentir uma mistura de fascinação e medo.

Ela não conseguia deixar de se perguntar: E se ele for realmente um Deus? Isso significava que a pessoa de quem ela estava começando a gostar era uma entidade infinita, um ser de poder imensurável, capaz de controlar raios, mudar o clima e destruir tudo em um piscar de olhos. Enquanto ela, uma garota rica com habilidades normais e uma vida protegida, não passava de um ser comum aos olhos de um Deus. Ela, que sempre teve tudo o que quis, agora sentia um peso crescente em seu peito. O que significava isso para ela? Como uma simples garota, poderia ela, de alguma forma, se aproximar de alguém tão superior, alguém que estava em um nível além de qualquer pessoa na Terra?

Aki suspirou, tentando afastar a sensação de impotência que começava a se formar. Se ele realmente for o Deus do Trovão, isso significa que ele é infinitamente superior a mim. E mesmo que eu goste dele, o que eu poderia oferecer? Ela estava dividida entre a admiração e a dúvida. A ideia de estar apaixonada por um ser tão poderoso a fazia se questionar se isso era real ou apenas uma fantasia. A quem ela estava se comparando? Não havia um futuro para ela e Hakari, não na sua visão atual. Como uma simples garota, o que ela poderia fazer frente a um ser tão vasto e incompreensível?

Mas eu não posso simplesmente deixar de gostar dele... Ela pensava, frustrada com os próprios sentimentos. Se eu descobrir que é ele... Será que vou conseguir lidar com isso?

Aki não sabia o que o futuro reservava, mas uma coisa era certa: ela não poderia ficar mais em silêncio. A verdade precisava ser revelada, e ela estava determinada a saber se Hakari Mikami realmente era o Deus do Trovão.

Aki, com o coração batendo forte no peito, sentiu uma sensação de ansiedade se formando dentro dela. Ela havia passado a noite toda pensando e analisando cada detalhe sobre Hakari, suas atitudes, comportamentos e até as coincidências que poderiam ser sinais de que ele era o próprio Storm. E agora, no início daquele novo dia, ela se preparava para descobrir a verdade.

Ela tinha uma sensação que não conseguia ignorar, uma intuição que a empurrava a descobrir quem Hakari realmente era. A pergunta simples, feita com a intenção de observar sua reação, parecia ser a chave para tudo. "Você gosta mais de dias de chuva ou de dias de sol?" Ela perguntou, tentando manter a calma, embora seu olhar estivesse fixo nele, como se ele fosse a única coisa que existisse naquele momento.

A resposta de Hakari foi direta, mas ao mesmo tempo, algo nela deu um clique. "Eu prefiro dias de chuva", ele disse, com um sorriso indiferente. Aki engoliu em seco, uma chama de certeza começando a crescer dentro dela. "Isso é um sinal... Ele é o Storm", pensou, mas antes que ela pudesse continuar refletindo, uma gritaria do lado de fora da sala interrompeu seus pensamentos.

A professora entrou correndo, com um ar de pânico, e pediu para todos se dirigirem rapidamente para um local seguro. "Um lobo Fenrir gigante, em uma forma mais humanóide, está vindo em nossa direção!", ela exclamou, olhando nervosamente pela janela. "Todos para os abrigos agora!"

Sem pensar duas vezes, Aki se levantou e seguiu o fluxo dos outros alunos para a saída da sala, mas sua mente ainda estava focada em Hakari. Será que ele vai realmente se transformar? Aki não podia deixar de pensar que, se ele fosse mesmo o Storm, ele não iria simplesmente ficar quieto diante de uma ameaça como aquela.

Quando a sala estava vazia e o corredor estava tranquilo, Aki rapidamente percebeu que Hakari não estava com os outros alunos. Seu instinto gritou para que ela seguisse ele. Como um jogo de esconde-esconde, ela se esgueirou por corredores e cantos da escola até alcançar um ponto onde ela pudesse observar a porta do banheiro masculino. Ele vai se transformar, eu sei que vai.

A tensão tomava conta de Aki enquanto ela se escondia atrás de uma porta parcialmente aberta. Seu coração batia forte em sua garganta, e a cada segundo, ela sentia sua ansiedade crescer. E então, finalmente, Hakari saiu do banheiro... mas não era mais ele. Era Storm.

Ele estava de pé, como uma presença imponente, e Aki quase não conseguiu acreditar no que estava vendo. Hakari se transformou naquilo que ela mais temia: o Deus do Trovão, o herói que ela tinha adorado e secretamente amado. Storm levantou seu braço e, sem hesitar, saltou pela janela, usando seus poderes para voar na direção do monstro Fenrir que ameaçava a cidade.

Aki ficou parada ali, completamente atônita. Ela não conseguia processar o que acabara de ver. A pessoa que ela pensava ser apenas um garoto comum, seu colega de classe, era na verdade um super-herói, alguém com poder suficiente para enfrentar criaturas monstruosas como aquele lobo Fenrir gigante.

Os pensamentos de Aki estavam confusos. Ela sentiu uma mistura de emoções: surpresa, admiração, e até um certo pânico. Ele... ele é o Storm? As palavras dela ecoaram em sua mente, mas a única coisa que ela sabia com certeza era que sua vida havia mudado para sempre naquele momento.

Aki ficou ali, observando Storm voando em direção ao perigo, sem saber o que fazer com essa nova realidade que agora fazia parte de sua vida. Ela amava Hakari, mas agora, com a revelação, o que ela deveria fazer? Ele era muito mais do que ela jamais imaginou, e o que ela poderia ser para alguém como ele?

Storm chegou ao campo de batalha com seu olhar afiado e sério. O enorme lobo Fenrir diante dele, com uma cicatriz notável no olho esquerdo, parecia ainda mais imponente do que os outros lobos que ele havia enfrentado. Sua força parecia agora ilimitada, mas algo na postura do lobo fez Storm acreditar que ele era o líder da matilha que havia atacado a escola. Ele estava diante de um adversário formidável, mas isso não o intimidava.

O lobo, com um sorriso arrogante, falou em voz grave, "O que você achou do meu novo poder? Agora estou mais forte e mais resistente do que nunca."

Storm analisou seu inimigo por um momento antes de responder, "Então você se considera mais forte que eu?"

O lobo riu com desdém, seus dentes afiados à mostra, "Sim, sem dúvida. Estou muito mais poderoso agora."

Storm observou o monstro por um segundo, antes de desafiar, "Então, se você é realmente mais forte do que eu, tente segurar o meu bastão."

Surpreso com a proposta, o lobo com sua forma gigantesca deu um passo à frente e, com uma gargalhada alta, estendeu sua enorme mão, tentando segurar o bastão celestial de Storm. Ele acreditava que isso seria uma tarefa fácil, mas quando suas garras tocou a arma, imediatamente ele sentiu o peso imensurável do bastão. O bastão parecia ser leve nas mãos de Storm, mas para o gigante Fenrir, foi uma experiência totalmente diferente.

Ao tentar levantar o bastão, o lobo sentiu uma dor indescritível quando seu braço gigante foi puxado para fora de seu corpo devido à imensa força gravitacional do bastão. Um grito de dor ecoou, e, com um esforço sobre-humano, ele foi forçado a largá-lo. Seu braço, agora desconectado da sua figura imensa, caiu pesadamente no chão, deixando o lobo de joelhos, suando e arfando de dor.

Storm olhou friamente para o lobo, "Eu sei, o meu bastão é muito pesado, não é?"

Com dor visível e claramente incapaz de lidar com o peso do bastão, o lobo lutou para falar, "D-do que... do que é feito esse bastão? Por que ele é tão pesado?"

Storm deu um pequeno sorriso, como se estivesse satisfeito com a reação do lobo, "Esse é o Bastão Celestial, minha arma. Só alguém com o poder do Deus do Trovão pode segurá-lo. Se alguém que não for o Deus do Trovão tentar segurá-lo, o peso do bastão se torna infinito."

O lobo, ainda se recuperando da dor, olhou para Storm com ódio, mas também com uma expressão de respeito. Ele agora entendia que estava diante de um adversário muito mais poderoso do que imaginara. A luta que se seguiria seria mais difícil do que ele poderia imaginar, e o poder do Deus do Trovão era algo que ele subestimara completamente.

Storm, no entanto, não parecia ter pressa. Ele estava ali para derrotar o lobo, mas mais importante do que isso era mostrar sua força e garantir que o lobo soubesse quem estava no comando. O campo de batalha estava pronto para o confronto final, e o lobo agora sabia o preço de desafiar Storm, o Deus do Trovão.

Storm, com sua percepção aguçada, focou sua atenção na mente do lobo Fenrir, mergulhando em seus pensamentos e desvendando segredos ocultos. Ele rapidamente leu a mente do monstro, descobrindo a verdade por trás de sua transformação monstruosa. O lobo Fenrir havia recebido uma poção de um homem misterioso, um ser encapuzado, que lhe prometeu poder imensurável em troca de sua vida. A poção o transformara em um ser gigantesco, com uma força devastadora, mas com um custo alto: em uma hora, ele morreria. O lobo, tomado pela vingança após a morte de seus companheiros pelas mãos de Storm, havia aceitado a oferta, sem se preocupar com o preço.

Storm, agora sabendo do desespero do lobo e de sua missão de vingança, sentiu um leve toque de compaixão, mas isso não alteraria sua decisão. Ele não podia permitir que o monstro continuasse ameaçando vidas inocentes.

Com um olhar determinado, Storm se aproximou do lobo, que estava ainda tentando se recuperar do choque do peso do bastão celestial. Com um simples movimento, Storm tocou o nariz gigante do lobo, e com esse toque, sua habilidade única entrou em ação. Ele começou a desacelerar os átomos do lobo, impedindo sua energia de se mover livremente. A temperatura ao redor do monstro caiu drasticamente, e logo, o lobo ficou completamente congelado, sua forma gigante transformada em uma figura rígida e imobilizada.

O lobo tentou se mover, mas seus músculos estavam paralisados, e sua mente começava a se perder no processo de congelamento. Storm então deu um passo à frente, fechando o punho com determinação. Com um soco potente e imenso, ele atingiu a gigantesca figura do lobo, e a força do impacto foi tamanha que o corpo do monstro se despedaçou instantaneamente. O som do impacto foi ensurdecedor, e em segundos, o lobo Fenrir foi reduzido a vários pedaços pequenos, que caíram pelo chão como pedaços de gelo quebrado.

O campo de batalha estava agora silencioso, exceto pelo som do vento. O lobo, que antes parecia uma ameaça imbatível, não passava de fragmentos de gelo espalhados no chão. Storm observou a cena por um momento, refletindo sobre a necessidade de sua ação, mas sua expressão permanecia impassível. Ele sabia que havia feito o necessário para proteger aqueles que estavam em risco.

Agora, enquanto a poeira da batalha se assentava, Storm voltou sua atenção à escola, certo de que sua missão ainda não havia terminado.

Storm, agora de volta ao banheiro da escola, deu um último suspiro de alívio por ter concluído a batalha. No entanto, antes que pudesse se recuperar por completo, ele ouviu uma voz familiar atrás de si.

"Olá, Hakari... ou melhor, Storm, o Deus do Trovão," Aki Hanazawa disse com uma expressão intrigada, revelando que tinha descoberto o segredo de Hakari.

Hakari se virou lentamente, seu rosto ainda encoberto pela máscara de Storm. Por um momento, ele permaneceu em silêncio, estudando Aki. A jovem estava parada na entrada do banheiro, com os braços cruzados, seu olhar fixo em Hakari, mas não com medo, e sim com uma curiosidade que transbordava.

"Você... sabia?" Hakari perguntou, sua voz mais calma agora, mas com um tom de surpresa.

Aki assentiu, seu olhar penetrante não saindo de Hakari. "Eu percebi algumas coisas. Quando você salvou minha vida com aquela velocidade impossível, quando mediu sua força e o dinamômetro explodiu... tudo se encaixou. E depois de te ouvir falar, de ver você sair como Storm... não tem como negar."

Hakari suspirou, sabendo que o segredo estava finalmente exposto. Mas o que mais o preocupava era a forma como Aki parecia aceitar isso tão facilmente. Ele não sabia o que ela pensaria agora.

Aki, então, deu um pequeno sorriso, quase um suspiro de alívio. "Eu estava certa o tempo todo. Eu sabia que tinha algo mais em você, Hakari. Não sou só uma garota rica... Eu sou só uma garota comum, mas você... você é algo além."

Hakari, ou melhor, Storm, olhou para Aki por um momento mais longo do que o necessário. Ele estava sem palavras. Ele sabia que não poderia esconder mais de Aki, mas o que ela queria agora? O que ela faria com essa informação?

"Aki... você não pode contar a ninguém, entende?" ele disse com uma expressão séria, embora em seus olhos houvesse um vislumbre de preocupação.

Aki parecia hesitar por um momento, antes de responder com um sorriso tranquilo. "Eu prometo. Eu não vou contar a ninguém. Mas você não pode mais esconder isso de mim, Hakari... ou melhor, Storm. Agora, que você revelou seu segredo para mim, você vai ter que lidar com isso."

Hakari ficou em silêncio por alguns segundos, antes de finalmente suspirar e falar com um sorriso um tanto tímido. "Você tem razão. Agora não tem mais volta."

E foi nesse momento, enquanto a tensão se dissolvia lentamente entre eles, que Hakari sentiu, pela primeira vez, que poderia confiar plenamente em Aki. Ela sabia a verdade, e ele sentia que, de alguma forma, isso tornava tudo mais real, mais humano.

"Eu... vou continuar fazendo o que for necessário, Aki. Mas você tem que entender, não é fácil ser quem eu sou. Tem muita coisa que você não sabe ainda. E muitas coisas que eu não posso explicar."

Aki deu um pequeno aceno com a cabeça, ainda mantendo seu sorriso. "Eu entendo, Hakari. Eu só... espero que um dia possamos conversar mais sobre isso."

"Eu também espero," Hakari respondeu, seus olhos suavizando por um momento. "Agora... você vai voltar para a sala? Ou quer conversar mais sobre tudo isso?"

Aki pensou por um instante, depois disse: "Vou voltar para a sala. Mas, por enquanto, nosso segredo está seguro. Eu só queria... saber a verdade. Agora que eu sei, acho que posso esperar até quando você quiser me contar o resto."

Hakari sorriu levemente, sentindo uma sensação de alívio. "Obrigado, Aki. Por entender."

Ela deu uma última olhada nele, antes de sair do banheiro, deixando Hakari para refletir sobre a conversa. Ele sabia que, a partir daquele momento, nada seria mais o mesmo entre eles.

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