interrogatório, ação e contracao

Dias se passaram, e Siz se encontrava em uma sala de interrogatório, a atmosfera carregada de tensão. À sua frente estava Mastov, um interrogador russo ex-KGB, conhecido por suas táticas intensas e pela habilidade em extrair informações de forma eficaz. A sala tinha um vidro espelhado, e Siz sabia que havia alguém do outro lado observando.

Mastov começou a sessão com um olhar penetrante, sua voz baixa e controlada.

— Siz, por que você é contra a ideia de compartilhar o que aconteceu com a Insurgência? — perguntou ele, a calma em seu tom contrastando com a pressão que emanava de sua presença.

Siz olhou para o vidro, ciente de que havia pessoas ouvindo. Ele respirou fundo antes de responder. — A Insurgência é diferente da Distrito e da Hidra. Eles não têm demônios lá. É até maravilhoso, mas uma organização tão antiga não possuir demônios em suas instalações é um tanto quanto desconfiável para mim.

Mastov observou a resposta com atenção, anotando algo em seu bloco. — Você confia mais na Hidra, então?

— Eu não confio em ninguém — Siz retorquiu, a frustração começando a transparecer em sua voz. — Trabalhei um ano na Insurgência, mas não suportava passar por testes de sangue e ter que relatar tudo o que acontecia nas missões. Na Hidra, pelo menos, eu só preciso entregar um relatório da missão e falar o que houve, se eu quiser.

Mastov inclinou-se para frente, interessado. — Você diz que a Hidra é menos preocupante, mas, como você deve saber, a Hidra também tem seus segredos.

— Eu sei — Siz respondeu, a defensiva começando a se estabelecer. — Mas, pelo menos, eles não me pressionam como a Insurgência. Aqui, eu me sinto menos como um experimento e mais como um agente.

Mastov fez uma pausa, observando a expressão de Siz. — A Insurgência foi criada para proteger o mundo dos demônios. Você não acha que sua experiência poderia ser valiosa para eles?

Siz olhou para o interrogador, a raiva e a dor se misturando em sua mente. — A experiência que eu tenho não é algo que eu queira compartilhar com uma organização que não confio. O que aconteceu na cratera e com aquele humano é uma questão pessoal, e não estou disposto a me abrir para vocês.

Mastov continuou a fazer perguntas, tentando entender a resistência de Siz. A cada resposta, ficou claro que o jovem estava profundamente marcado por suas experiências, e sua desconfiança em relação à Insurgência era mais do que uma simples aversão. Era uma questão de sobrevivência, de se proteger em um mundo onde as alianças eram voláteis e as intenções nem sempre eram claras.

— Você pode estar se colocando em perigo ao não colaborar — alertou Mastov, sua voz grave. — A Insurgência pode ter seus métodos, mas o que está em jogo é maior do que você imagina.

Siz sentiu a pressão aumentando, mas sua determinação era mais forte. Ele não se deixaria levar por ameaças ou manipulações. A sala estava envolta em um silêncio tenso, a batalha de vontades se intensificando.

Ele sabia que a escolha que fazia agora poderia moldar seu futuro, e, independentemente das consequências, estava decidido a permanecer fiel a si mesmo e a seus princípios.

Siz, sentindo a tensão na sala mudar, decidiu inverter o jogo. Ele olhou fixamente para Mastov, uma intensidade em seu olhar que desafiava o interrogador. A lealdade que ele sentia pela Hidra estava se tornando mais evidente, e ele não tinha medo de expressar isso.

— Então, Mastov, deixe-me perguntar algo — começou Siz, a voz firme e controlada. — Se a Insurgência o pressionasse para que você falasse sobre as informações que você tem, você cederia? Como você reagiria?

Mastov, surpreso pela mudança de dinâmica, manteve a compostura, mas havia uma leve tensão em seus ombros. Ele sabia que Siz estava jogando com fogo, mas não podia se dar ao luxo de perder o controle.

— A Insurgência tem seus métodos, assim como a Hidra — respondeu Mastov, tentando manter a voz neutra. — Mas a questão aqui é a sua lealdade.

— Lealdade? — Siz interrompeu, um sorriso sardônico surgindo em seu rosto. — Você acha que eu sou leal a uma organização que me trata como um experimento? A Hidra pode ter seus defeitos, mas pelo menos eles não me pressionaram como a Insurgência fez.

O olhar de Siz era penetrante, e Mastov percebeu que estava lidando com alguém que não seria facilmente intimidado.

— Se a Insurgência me pressionasse, eu simplesmente não falaria. Não tenho medo de ficar preso ou de sofrer consequências. O que mais importa para mim é que não confio neles — Siz continuou, sua voz carregada de convicção.

Mastov respirou fundo, tentando reavaliar a situação. Ele não esperava que Siz se tornasse tão assertivo, e a força de vontade do jovem era uma surpresa. A sala estava envolta em um silêncio tenso, enquanto ambos ponderavam sobre a lealdade, a verdade e o que essa batalha realmente significava.

— Então, você está disposto a sacrificar sua segurança em nome de sua lealdade à Hidra? — questionou Mastov, sua curiosidade despertada.

Siz não hesitou. — Sim. Se isso significa que posso manter minha integridade, então sim. Não sou um peão para ser movido por uma organização que não confio. E se isso me colocar em perigo, que assim seja.

O olhar de Mastov se tornou mais sério. Ele começava a entender que Siz não era apenas um agente; ele era um indivíduo com uma forte moralidade e princípios, e isso complicava as coisas.

— Você pode se arrepender disso no futuro, Siz — disse Mastov, sua voz mais suave, mas ainda firme. — A lealdade é uma faca de dois gumes.

Siz olhou para ele, a determinação em seus olhos inabalável. — Estou ciente disso. Mas prefiro arriscar minha vida por algo que acredito do que viver como um traidor de mim mesmo.

A tensão na sala se intensificou, e Mastov sabia que a conversa estava longe de terminar. O que começou como um interrogatório havia se transformado em um confronto de vontades, e ambos estavam cientes de que as consequências de suas palavras poderiam ressoar muito além daquela sala.

......continua......

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