Amor e Fogo

Gats despertou em meio a um escuro profundo, sentindo-se desorientado e confuso. O ambiente ao seu redor era nebuloso, mas logo sua visão começou a se ajustar, e ele avistou uma árvore ao fundo. A imagem da árvore era estranha, como se emanasse uma energia sombria, e, movido pela curiosidade e pela necessidade de entender onde estava, ele começou a andar em direção a ela.

À medida que se aproximava, o ar parecia ficar mais denso, carregado de uma tensão palpável. Foi então que uma cobra surgiu, deslizando graciosamente pelo chão. Ela parou diante de Gats, levantando a cabeça para encará-lo, e seus olhos brilhavam com uma inteligência incomum.

— Eu sou Belphegor — disse a cobra, sua voz suave e hipnotizante. — O demônio da medicina.

Gats ficou surpreso, mas, por algum motivo, sentiu que deveria ouvir. A educação e a curiosidade o levaram a permanecer em silêncio, enquanto Belphegor continuava.

— Eu conheço meios de cura de alto nível, proibidos para os mortais. E não só isso — a cobra se contorceu, sua forma começando a mudar. As escamas brilharam sob uma luz irreal, e em um instante, Belphegor se transformou em uma figura demoníaca, imponente, com traços que lembravam o lagarto que o atacara na vila, mas agora havia uma aura de poder e sabedoria.

— Se você se unir a mim, Gats, poderemos formar um pacto. Nossas almas se juntarão em uma só — Belphegor propôs, estendendo a mão, como se oferecesse algo inestimável. — O medo que você carrega irá desaparecer. Você se tornará uma nova pessoa, com um julgamento claro e habilidades que poucos podem sonhar em ter.

A proposta ecoou na mente de Gats, e ele hesitou. A ideia de se livrar do medo e da dor que o assombravam era tentadora, mas a noção de abrir mão de sua alma o deixava inquieto. Ele se lembrou de Danel, de como a cirurgia o transformara em alguém frio e distante. Seria essa a mesma coisa que estava sendo oferecida a ele?

— E o que você ganharia com isso? — Gats perguntou, mantendo a voz firme, apesar do turbilhão de emoções.

— Apenas a oportunidade de explorar o potencial de um novo aliado — respondeu Belphegor, a voz cheia de promessas. — Juntos, poderemos descobrir técnicas de cura que nunca foram vistas antes, e você poderá ser um dos melhores. Imagine a força que você teria!

Gats sentiu o peso da proposta. A ideia de se tornar mais forte, de lutar contra os demônios que o assombravam, era atraente. Mas havia um preço a pagar, e ele não podia ignorar isso.

— Se eu aceitar, o que acontecerá com a minha essência? Eu serei eu mesmo? — ele questionou, sua voz hesitante.

Belphegor sorriu, um sorriso que misturava a sabedoria e a malícia.

— Você será você mesmo, mas aprimorado. A fusão de nossas almas trará um novo entendimento e poder. Você não precisará mais temer os demônios que o cercam, pois se tornará um deles, em essência e habilidade.

A tentação era forte, e Gats sentiu a luta interna intensificar-se. A escuridão à sua volta parecia se mover, como se estivesse esperando sua decisão. Ele ponderou sobre o que significaria realmente fazer tal pacto, sobre as ramificações que poderia ter não apenas para ele, mas para todos ao seu redor.

No lugar escuro onde Gats se encontrava, imagens e lembranças começaram a surgir como hologramas, projetando cenas de seu passado. Ele e Siz estavam entrelaçados nessas memórias, e cada uma delas trazia à tona sentimentos intensos.

A primeira imagem que apareceu foi de Gats, paralisado pelo medo, hesitando em andar por uma interligação de canos na antiga fábrica. A queda imensa que se estendia abaixo era aterrorizante. Ele sentia seu coração disparar, mas então Siz estava lá, estendendo a mão e guiando-o pelo caminho, sua presença firme e tranquilizadora. Com cada passo, Gats podia sentir o apoio de Siz, e aquela lembrança era um lembrete de que ele não estava sozinho em suas lutas.

A segunda cena mostrou Gats se pendurando, sua vida em risco na galeria cheia de buracos repletos de água. A insegurança o consumia, e ele estava prestes a desistir, mas Siz estava ali, encorajando-o a seguir em frente. O empurrão gentil, as palavras de incentivo e a determinação de Siz foram o que o mantiveram firme. A imagem trouxe um aperto no coração de Gats, lembrando-o do quanto precisava da força de Siz.

A terceira e última lembrança era ainda mais intensa. Ele viu Siz colocando a mão em sua boca, silenciando-o para que não fizesse barulho e não chamasse a atenção dos seres que estavam à espreita na fábrica antiga durante sua primeira missão. O medo e a adrenalina daquela situação o invadiram novamente, mas a proteção que Siz oferecia era inegável. Ele sabia que Siz estava disposto a arriscar tudo para mantê-lo seguro.

Essas memórias inundaram a mente de Gats, e ele olhou para Belphegor, sentindo uma nova clareza. Era hora de deixar o medo para trás e aceitar sua nova realidade.

— Eu aceito o pacto — disse Gats, sua voz agora firme e decidida.

Belphegor sorriu, estendendo a mão, e Gats apertou a dele. Naquele momento, os braços e pernas demoníacos que haviam sido implantados nele durante a cirurgia foram aceitos completamente pelo seu corpo. A transformação era intensa; Gats sentiu uma onda de energia percorrer seu ser, como se cada parte dele estivesse se alinhando com um novo propósito.

O medo que o havia consumido por tanto tempo começou a evaporar. Ele sentiu-se mais sério, mais frio e focado do que antes. Aquele Gats que hesitava e temia agora estava se tornando uma versão aprimorada de si mesmo, com a determinação de enfrentar qualquer desafio que surgisse em seu caminho.

......continua......

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