Planos, Insurgência e descomunação

Siz piscou os olhos, tentando clarear a mente turva enquanto se acomodava na cama do hospital. O cheiro de desinfetante e o som suave do monitor ao lado o lembravam onde estava, mas a confusão ainda o envolvia.

— O que a Insurgência queria aqui na Hidra, especialmente em um dia como hoje? — ele perguntou, a voz ainda um pouco rouca. A chuva caía lá fora, criando um som monótono que parecia ecoar seu estado de espírito.

Yasn olhou para Siz, a expressão se tornando mais séria. Ele sentou na beira da cama, tomando um momento para organizar seus pensamentos antes de responder.

— Bem, a verdade é que a situação está ficando complicada — começou Yasn, sua voz baixa. — O dia chuvoso pode não parecer ideal, mas foi uma oportunidade para avaliarmos a situação. A Insurgência estava monitorando os movimentos da Hidra e investigando os rumores sobre a volta de demônios fortes, como você provavelmente ouviu.

Siz franziu a testa, tentando conectar os pontos. — E o que isso tem a ver comigo?

— Você foi encontrado em um estado crítico, e sua experiência na batalha contra os demônios é valiosa. Além disso, há preocupações de que a Hidra, mesmo reformulada, ainda possa estar lidando com questões internas que podem afetar toda a nossa luta contra as forças sobrenaturais. Sua presença aqui é parte de um plano maior.

A mente de Siz começou a trabalhar em alta velocidade. Ele se lembrou das visões que teve antes de perder a consciência, das flechas e do demônio que enfrentara. A ideia de que tudo estava interligado o deixava inquieto.

— Então, o que está sendo feito? — perguntou ele, ansioso por entender suas opções.

— Estamos formando uma estratégia para lidar com qualquer ameaça que possa surgir. A Insurgência quer que você se recupere totalmente, pois sabe que sua força e habilidade são cruciais. Enquanto isso, estamos monitorando as atividades da Hidra e colaborando com as equipes de pesquisa para entender melhor os demônios que podem estar se movendo nas sombras — respondeu Yasn, sua voz firme.

Siz assentiu lentamente, absorvendo as informações. A chuva lá fora parecia refletir a tempestade que se formava dentro dele. Ele sabia que não poderia ficar parado enquanto as forças do mal se reagrupavam.

— Então, o que devemos fazer agora? — perguntou Siz, sua determinação começando a ressurgir.

— Primeiro, você precisa se recuperar — disse Yasn, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. — Depois, podemos integrá-lo de volta aos planos. Sua experiência e suas habilidades são necessárias, especialmente se a Hidra estiver se movendo nas sombras.

Siz respirou fundo, sentindo a pressão da responsabilidade se instalar sobre seus ombros. Ele sabia que o caminho à frente não seria fácil, mas estava determinado a enfrentar os desafios, não apenas por ele, mas por todos que dependiam da Insurgência.

— Estou pronto para fazer o que for necessário — disse Siz, a determinação em sua voz crescendo. — Vamos acabar com isso.

Enquanto a chuva continuava a cair, a sensação de um novo começo começava a tomar forma.

Siz, após um momento de reflexão, começou a mudar seu comportamento. A determinação que antes o impulsionava se transformou em uma frieza desconcertante. Ele olhou para Yasn, o olhar agora endurecido.

— Eu não vou ajudar a Insurgência — declarou Siz, sua voz cortante. — Tenho meus motivos, e não vou entrar em detalhes. Trabalho para a Hidra, e mesmo que me prendessem por causa disso, não vou abrir a boca.

As palavras saíram com uma intensidade que deixou Yasn surpreso. A expressão de Siz se tornou mais sombria, e as presas que sempre estiveram presentes em sua aparência se tornaram um símbolo de sua raiva crescente. O que antes parecia ser um aliado agora se mostrava como alguém que estava se afastando da equipe.

Yasn franziu a testa, tentando entender a mudança repentina no comportamento de Siz. — Siz, você não precisa ser assim. Estamos todos no mesmo lado—

— Não! — interrompeu Siz, sua voz elevada, mas controlada. Ele tocou levemente a área do seu olho defeituoso, onde as faixas cobriam metade de seu rosto de forma diagonal. A dor que sentia ali era um lembrete constante do que havia enfrentado e do que havia perdido.

— Eu prefiro apodrecer na cadeia a contar com a ajuda de outra organização — ele continuou, a raiva e a frustração transparecendo em sua expressão. A ideia de se aliar à Insurgência o deixava inquieto, como se estivesse traindo algo que considerava sagrado.

Ele suspirou, um som pesado que carregava a tensão acumulada. — Me desculpe, Yasn. Eu me arrependo um pouco, mas não posso mudar o que sinto. Eu só... não posso confiar em vocês.

Yasn se manteve em silêncio, sentindo o peso das palavras de Siz. Ele percebeu que a situação era mais complexa do que imaginava. O olhar de Siz, cheio de dor e desconfiança, fez com que Yasn se perguntasse se havia algo mais profundo por trás dessa resistência.

Siz se virou, evitando olhar para Yasn, como se a simples presença dele o lembrasse de todas as escolhas que tinha feito e das relações que havia deixado para trás. Ele não queria que ninguém visse sua vulnerabilidade, e a raiva parecia ser a única emoção que conseguia controlar.

Enquanto o silêncio pairava entre eles, Siz se sentiu dividido. Ele sabia que o que estava fazendo não era apenas uma rejeição à Insurgência, mas uma barreira que ele construía para se proteger da dor e da confusão que o cercavam. E, mesmo que Yasn tentasse entender, Siz estava decidido a manter essa distância, acreditando que era a única maneira de lidar com a tempestade interna que ameaçava consumi-lo.

...... contínua ......

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