Zangi continuou observando a paisagem, mas uma pergunta inquietante começou a se formar em sua mente. Ele se virou para Gats, a expressão séria.
— Quem colocou aquela prótese de lâmina no Danel?
Gats olhou de lado, seu olhar carregando um misto de medo e hesitação. Ele suspirou, como se estivesse prestes a revelar um segredo há muito guardado.
— Só eu sei... mas você vai saber também — respondeu Gats, sua voz baixa e carregada de um peso que parecia quase palpável.
Ele olhou para trás e para os lados, certificando-se de que estavam realmente sozinhos no vagão, apenas os dois. O trem seguia adiante, mas a atmosfera se tornava cada vez mais tensa.
— Quem fez o procedimento foi um tal de "Void" — disse ele, e à medida que pronunciava o nome, um arrepio percorreu a espinha de Zangi. Ele não sabia quem era, mas a aura que emanava do nome parecia carregada de mistério.
— Void? — repetiu Zangi, tentando absorver a informação. — O que ele é?
Gats balançou a cabeça, seus olhos refletindo a incerteza.
— Ninguém sabe ao certo. Ele é um cirurgião, mas é mais do que isso... — Gats fez uma pausa, como se estivesse pesando suas palavras. — Ele é tão misterioso quanto uma coruja da noite. Ninguém sabe o que ele faz no subsolo com os que morrem em algumas batalhas. Mas as histórias dizem que ele realiza milagres.
Zangi franziu a testa, intrigado e um pouco assustado.
— Milagres? Do que você está falando?
— Ele é considerado normal, mas tudo indica que ele é um meio demônio, assim como você. Porém, ao contrário de você, que vive em uma forma parcial, Void consegue assumir sua forma completa, que é desconhecida atualmente. Ninguém sobreviveu para contar a história.
O silêncio se instalou entre eles, enquanto as palavras de Gats pairavam no ar como uma sombra. A ideia de um cirurgião que lidava com a morte e a vida de maneira tão extraordinária e obscura deixava Zangi inquieto.
— Você acha que ele é uma ameaça? — Zangi perguntou, a preocupação em sua voz.
Gats pensou por um momento, olhando novamente pela janela.
— Não sei... O que ele fez com o Danel poderia ser visto como uma salvação, mas também pode ser um jogo perigoso. Não temos certeza das intenções dele. E o que mais me preocupa é o que ele faz com aqueles que não sobrevivem.
Zangi sentiu um calafrio. A jornada que estavam prestes a empreender não apenas os levaria a um confronto com demônios Las, mas também os aproximava de uma figura sombria como Void.
— Precisamos estar preparados para tudo — disse Zangi, sua determinação crescendo. — Se ele estiver envolvido, não podemos subestimar o que pode acontecer.
Gats acenou, e os dois se perderam em pensamentos, o trem avançando em direção ao desconhecido. A cada metro percorrido, a tensão aumentava, e a certeza de que a verdadeira batalha estava apenas começando tornava-se cada vez mais clara.
Gats continuou, seu olhar perdido na distância, como se as palavras que dizia pudessem traçar um mapa para o que estava por vir.
— Void pode ser qualquer um, você sabe? — disse ele, pausando para escolher bem suas palavras. — Ele não tem a identidade revelada. Pode ser um amigo nosso, uma pessoa comum, ou alguém que está apenas observando.
Zangi franziu a testa, sentindo o peso da ideia. A desconfiança começava a se infiltrar em sua mente, como uma sombra crescente.
— Onde ele está? — perguntou Zangi, tentando manter a calma.
— Ele está entre o setor-03 e o setor-01, trabalhando em suas próprias sombras — Gats respondeu, a voz carregada de um tom sombrio. — Ele não se alinha a nenhum dos grupos: nem cientistas, nem alto escalão, nem mesmo os burgueses ou simples funcionários. É como se ele fosse uma planta, cobrindo as lacunas com suas raízes para se adaptar.
As palavras de Gats ecoaram no vagão, e Zangi sentiu um arrepio correr por sua espinha. A imagem de Void, como uma entidade camuflada, manipulando vidas como se fossem fios de tecido, era perturbadora.
— E o que mais você sabe sobre ele? — Zangi perguntou, a curiosidade misturada a um certo temor.
Gats olhou para o chão por um momento, refletindo.
— Não muito, na verdade. O que consegui ouvir são apenas teorias ditas por algumas pessoas nas áreas mais altas das instalações. Elas falam sobre como ele opera, como se estivesse sempre um passo à frente, manipulando as situações a seu favor. Mas tudo isso é só especulação. Não há provas concretas.
Ele suspirou, como se o peso da incerteza estivesse começando a se tornar insuportável.
— A única coisa que eu sei é que Void não é alguém que você queira subestimar. Ele é uma incógnita, e isso é o mais perigoso. O fato de não se alinhar a ninguém sugere que ele tem seus próprios interesses, e isso pode ser uma ameaça para nós.
Zangi assentiu, a mente correndo. A ideia de que um cirurgião misterioso poderia estar manipulando vidas nos subterrâneos, sem lealdades ou alianças, tornava a situação ainda mais complexa.
— Então, o que fazemos agora? — perguntou Zangi, determinado.
— Primeiro, precisamos encontrar respostas sobre os demônios Las. Depois, se isso nos levar a Void, teremos que estar prontos para encarar não apenas os demônios, mas também essa sombra que se esconde entre nós — Gats respondeu, sua expressão séria.
O trem continuava sua jornada, mas a tensão no ar era palpável. Eles não apenas buscavam respostas sobre os demônios; estavam se aproximando de mistérios mais profundos e ameaçadores, onde as linhas entre amigos e inimigos podiam se confundir a qualquer momento.
......Continua......
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Atualizado até capítulo 42
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