A escuridão envolveu os quatro amigos antes que pudessem compreender o que estava acontecendo. Um silêncio profundo os engoliu, e a última coisa que ouviram foi um sussurro distante, quase como uma risada maligna. Todos sentiram uma dor aguda no pescoço antes de apagarem, dopados por algo que mal podiam entender.
Siz foi o primeiro a acordar, a cabeça girando e os sentidos atordoados. Quando conseguiu focar, a cena diante dele era brutal e aterradora. O ser que tinha visto antes, aquele demônio de jaleco, estava decepando Gats. O corpo inconsciente de Gats jazia no chão, seus braços e pernas separados do tronco, como se fossem meros apêndices descartáveis. O sangue jorrava, tingindo o chão de um vermelho vibrante.
Um frio percorreu a espinha de Siz, e um grito de desespero se formou em sua garganta. Era uma visão insuportável, e a adrenalina tomou conta dele como um furacão. Em um movimento frenético, Siz levantou seu revólver e disparou contra a cabeça do demônio. O disparo ecoou como um trovão no espaço apertado, e o demônio caiu, gritando de dor, um som horrendo que reverberou em seus ouvidos.
Siz não hesitou. Ele se levantou, correndo em direção à criatura, e, num impulso, pulou sobre ela, quebrando o pescoço do demônio com um movimento brutal. Mas mesmo assim, o demônio não estava morto. A fúria e a dor ainda brilhavam em seus olhos, e Siz sabia que precisava acabar com aquilo.
Com um último disparo, ele abriu a cabeça do demônio, fazendo os restos do cérebro e pedaços de carne se espalharem pelo chão. A cena era grotesca, e o cheiro de sangue e morte era quase insuportável. Mas não havia tempo para hesitar. Gats estava gravemente ferido, e Siz sabia que precisava agir rapidamente.
Siz, em um último ato desesperado, puxou algo do bolso. Era sua última pedra de teleporte, e ele sabia que era arriscado, mas não tinha escolha. Ele a quebrou, e em um instante, os três — Siz, Gaal e Zangi — e o corpo do demônio médico foram transportados para o setor 0.
Ao aparecer, Siz gritou por ajuda, sua voz ecoando nas paredes frias e brancas do lugar. Os guardas se viraram, e logo alguns médicos especialistas chegaram, seus rostos se contorcendo em horror ao ver Gats, ensanguentado e à beira da morte.
— Não teremos como salvá-lo — disse um dos médicos, a voz sombria e desoladora.
Mas antes que a situação pudesse piorar, uma voz autoritária e enigmática surgiu do fundo da sala. Era Void, usando uma máscara de cristal que refletia a luz de maneira perturbadora, dando-lhe uma aura de mistério.
— O que é isso? — perguntou ele, a curiosidade misturada à frieza.
Siz, com seus óculos manchados de sangue e fragmentos de miolos, explicou rapidamente.
— Gats precisa... ser completo de novo. Ele... ele foi decepado por aquele demônio.
Void analisou a situação, o olhar impassível enquanto considerava as palavras de Siz.
— Precisarei de Gats e do corpo do demônio — disse ele, e todos ali engoliram em seco, o peso da declaração caindo sobre eles como uma pedra.
Sem mais delongas, os médicos rapidamente levaram Gats e o corpo do demônio para uma sala de cirurgia, enquanto Siz, Gaal e Zangi eram expulsos, a porta se fechando atrás deles com um estalo ominoso.
O ar fora da sala parecia pesado, e o silêncio que se seguiu era ensurdecedor. Os três amigos se entreolharam, a incerteza e o medo estampados em seus rostos. Eles sabiam que estavam à mercê de Void, e o que aconteceria dentro daquela sala era um mistério aterrador.
Do outro lado da porta, havia uma sensação de que o tempo havia parado. O que acontecia lá dentro? Ouvindo apenas o som distante de equipamentos médicos e murmúrios, cada um deles lutava com a angústia da espera. A ideia de que Gats estava ali, vulnerável e à mercê de um cirurgião que ninguém compreendia, os deixava inquietos.
A sala de cirurgia era um espaço frio e clínico, iluminado por luzes brilhantes que refletiam nas superfícies metálicas. Void se aproximou da mesa, onde Gats jazia, inconsciente e gravemente ferido. Ele olhou para o corpo do demônio ao lado, sua expressão inalterada, como se estivesse apenas analisando um espécime.
— Vamos ver do que você é feito — murmurou Void, enquanto preparava os instrumentos, o silêncio se tornando opressivo.
E assim, dentro daquela sala, o destino de Gats estava sendo decidido em meio a uma dança macabra entre vida e morte, ciência e magia, enquanto os ecos da angústia de seus amigos ressoavam do lado de fora. O que aconteceria ali dentro? Somente o tempo diria, mas a escuridão que se acumulava prometia que as respostas viriam com um custo elevado.
Siz caiu nos braços de um dos guardas, a pressão e o estresse finalmente se tornando insuportáveis. Ele não conseguiu aguentar mais a angústia da espera, e a situação o deixava em um estado de confusão e desespero. Os guardas o levaram, junto com Zangi e Gaal, que estavam desmaiados, para o setor 4. O dia se arrastava e a noite começava a cair sobre as instalações, envolvendo tudo em uma escuridão opressiva.
Quando Siz acordou, estava em uma cama de hospital, cercado por paredes brancas e frias. O cheiro de antiseptico era forte, e ele estava confuso, tentando entender o que havia acontecido. Ao olhar ao redor, suspirou, sentindo a cabeça pesada no travesseiro. O que restava de sua coragem e determinação parecia ter evaporado.
Ele se virou para o lado e viu seu revólver, que havia sido limpo, e seu óculos quebrado, agora arrumado de forma improvisada. Isso trouxe um pequeno conforto, mas a sensação de impotência ainda o dominava. O ventilador girava lentamente, seu som monótono apenas acentuando a atmosfera de incerteza.
Nesse momento, a porta se abriu e entrou o Sr. Silva, um médico respeitado e psicólogo da instalação. Ele tinha uma expressão calma e profissional, e Siz ficou aliviado ao vê-lo.
— Como você está se sentindo? — perguntou o Sr. Silva, com uma voz suave e reconfortante.
Siz hesitou, tentando processar a pergunta. A verdade era que ele se sentia perdido e quebrado, mas não queria mostrar fraqueza.
— Um pouco... confuso — respondeu finalmente, sua voz trêmula. — O que aconteceu? Onde estão os outros?
O médico assentiu, mantendo a expressão neutra.
— Eles estão sendo cuidados. Estão seguros. Mas precisamos conversar sobre o que ocorreu na estação. O que você pode me contar? Como tudo aconteceu?
Siz fechou os olhos por um momento, revivendo as memórias do que havia acontecido. As visões da sombra do demônio, os gritos, a brutalidade. Ele respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos.
— Encontramos uma sombra... um demônio com um jaleco branco — começou ele, a voz embargada. — Ele estava... decepando Gats. Eu não pude fazer nada. Apenas... apenas reagi.
O Sr. Silva observou atentamente, fazendo anotações.
— E como você se sentiu naquele momento?
— Eu me senti... impotente. Eu sabia que tinha que agir, mas era tudo tão rápido. Era como se estivesse em um pesadelo, e quando consegui disparar, não sabia se estava fazendo a coisa certa.
O médico acenou, encorajando-o a continuar.
— E depois disso? O que aconteceu?
— Eu quebrei a pedra de teleporte. Levei Gats e o corpo do demônio para o setor 0, mas... — Siz hesitou, a dor e a culpa voltando a assombrá-lo. — Mas não sei se fiz a coisa certa. Gats estava tão ferido...
O Sr. Silva inclinou-se para frente, sua expressão solidária.
— Siz, você fez o que pôde na situação. Em momentos de extrema pressão, é normal se sentir perdido. O importante agora é entender suas emoções e lidar com isso.
Siz olhou para o médico, a frustração e a tristeza se misturando.
— Mas e se Gats não sobreviver? E se eu não conseguir lidar com isso?
— Isso é algo que vamos trabalhar juntos — disse o Sr. Silva, sua voz firme. — Você não está sozinho nisso. Precisamos descobrir como você pode lidar com essa pressão e a culpa que está sentindo.
Siz assentiu, mas a insegurança ainda o consumia. O ventilador girava lentamente, e ele sabia que as sombras do passado ainda estavam à espreita, esperando para serem enfrentadas.
— Obrigado, Sr. Silva — disse ele, um pouco da tensão se dissipando. — Vou tentar.
O médico sorriu, e Siz sentiu que, apesar de tudo, havia uma luz fraca no fim do túnel. A batalha estava longe de terminar, mas ele estava determinado a enfrentar o que viesse pela frente, mesmo que isso significasse encarar seus próprios demônios internos.
.....Continua.....
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Atualizado até capítulo 42
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