Enquanto Siz caminhava pelo corredor, seu olhar foi atraído pelo brilho do celular em seu bolso. Ele parou por um momento e retirou o dispositivo, vendo uma mensagem de uma das pessoas responsáveis por designar missões relacionadas ao "exorcismo" de demônios, fantasmas ou outras entidades sobrenaturais. O coração de Siz acelerou ao ler a mensagem: uma missão no antigo mangueiral de uma cidade vizinha àquela em que nasceu.
A lembrança do lugar trouxe à tona uma onda de emoções, e ele sabia que passar pela casa dos pais seria algo complicado. O clima tenso de memórias e sentimentos não resolvidos o assombrava, mas a urgência da missão rapidamente tomou conta de sua mente. A missão era classificada como de alto risco, um demônio estava à solta, e o protocolo exigia que fosse feita em grupo. No entanto, Siz não estava disposto a esperar.
Com uma determinação renovada, ele decidiu que iria sozinho. Ele não queria envolver ninguém mais em seu dilema emocional, e, além disso, a ideia de encarar o demônio sem a pressão de outros o deixava mais confortável. Ele aceitou a missão, sentindo uma adrenalina familiar pulsar em suas veias.
Siz se dirigiu ao escritório de seu superior, o Capitão Macarte. Ao entrar, encontrou o capitão examinando alguns documentos em sua mesa, a expressão séria e concentrada.
— Capitão — Siz disse, com a voz firme. — Preciso falar sobre uma missão.
Macarte levantou os olhos, avaliando Siz com uma expressão que misturava curiosidade e preocupação.
— O que foi, Siz? — perguntou ele, gesticulando para que o jovem se aproximasse.
— Recebi uma missão para o antigo mangueiral em Monte Castelho — começou Siz. — É um caso de demônio, e eu pretendo ir lá resolver alguns assuntos.
O Capitão Macarte franziu a testa, claramente relutante.
— Você sabe que essa missão é de alto risco, não sabe? O protocolo exige que você vá em grupo. Não posso autorizar que você vá sozinho.
Siz respirou fundo, tentando conter a frustração. Ele sabia que as regras eram feitas para segurança, mas sua determinação era mais forte.
— Eu compreendo, Capitão. Mas eu preciso fazer isso. Preciso enfrentar esse demônio e, mais importante, preciso lidar com minhas próprias questões. Ir sozinho é a única maneira que eu vejo de fazer isso.
Macarte observou Siz por alguns momentos, analisando sua expressão. Havia um misto de preocupação e respeito na maneira como ele o olhava. Finalmente, o capitão suspirou e balançou a cabeça.
— Muito bem, Siz. Se você acredita que pode lidar com isso, eu não posso impedi-lo. Mas você deve estar ciente dos riscos. Você vai precisar de toda a sua habilidade e foco para lidar com essa situação.
Siz assentiu, aliviado por ter o apoio do capitão, mesmo que relutante.
— Agradeço, Capitão. Não vou decepcioná-lo.
Com isso, Siz deixou o escritório, sua mente já se preparando para a missão que o aguardava. Ele sabia que a jornada para o mangueiral seria cheia de desafios, mas a ideia de enfrentar não apenas o demônio, mas também seus próprios fantasmas, o motivava a seguir em frente.
Siz sabia que a viagem até o antigo mangueiral em Monte Castelho seria longa e cheia de incertezas. Com isso em mente, ele se dirigiu ao estacionamento, onde sua moto o aguardava. O sol começava a se pôr, lançando uma luz dourada sobre a cidade, mas a beleza do momento não o distraiu de sua missão.
Ele se aproximou da moto, sentindo o familiar peso do metal sob suas mãos. Com um movimento ágil, Siz bateu o pedal para baixo, ligando o motor. O ronco do motor ecoou na quietude do estacionamento, e um sentimento de liberdade o envolveu. A moto era seu refúgio, um lugar onde ele podia deixar as preocupações para trás, se pelo menos por um tempo.
Com um último olhar para trás, Siz acelerou e seguiu em direção à saída da cidade. A estrada à frente se estendia como um caminho desconhecido, e enquanto ele pilotava, a brisa fresca batia em seu rosto, trazendo uma sensação de clareza. A velocidade o fazia sentir-se vivo, e por alguns momentos, ele esqueceu a tensão que o aguardava.
À medida que se afastava da cidade, a paisagem mudava. Edifícios altos e modernos deram lugar a campos abertos e florestas densas. O cheiro do ar fresco e a visão das árvores correndo ao seu lado ajudaram a acalmar sua mente agitada. Mas, conforme se aproximava de Monte Castelho, a ansiedade começou a se infiltrar novamente. O mangueiral era um lugar cercado de lembranças e mistérios, e ele sabia que era mais do que apenas um local para enfrentar um demônio.
O caminho se tornava cada vez mais sinuoso, e Siz navegava pelas curvas com habilidade, sua mente se concentrando na missão e no que estava por vir. Ele precisava se preparar, não só para o confronto com o demônio, mas também para os sentimentos que surgiriam ao revisitar seu passado.
Após um tempo que parecia se arrastar, Siz finalmente avistou o mangueiral à distância. As árvores altas e a vegetação densa criavam uma aura de mistério, e a luz do sol começava a se apagar, mergulhando o local em sombras. Ele sentiu um aperto no peito ao se lembrar das histórias que ouvira sobre o mangueiral, contadas por sua família e amigos quando era criança. Agora, aquelas histórias se tornavam realidade.
Ao chegar à entrada do mangueiral, Siz estacionou a moto e desceu. O silêncio era ensurdecedor, apenas interrompido pelo som do vento passando pelas folhas. Ele respirou fundo, sentindo o peso da situação sobre seus ombros. Sabia que precisava ser forte, não apenas por ele, mas por Gats e por todos que já haviam sido afetados pelos demônios que habitavam aquele lugar.
Siz caminhava lentamente pelo mangueiral, a lanterna em mãos iluminando seu caminho entre as sombras. O som das folhas secas se quebrando sob seus pés ecoava na quietude do lugar. As árvores, que um dia foram majestosas, agora pareciam estar nos últimos dias de suas longas vidas, suas folhas caindo e suas copas murchando, como se estivessem cientes de que o tempo estava se esgotando.
Com a mente agitada, Siz parou por um momento e decidiu verificar seu celular. Ele havia lido sobre o antigo mangueiral e a construção no morro que se erguia nas proximidades. As informações eram escassas, mas a internet continha relatos sobre a história sombria do local, cheia de lendas sobre espíritos inquietos e demônios que se alimentavam do medo humano.
Enquanto lia, Siz se deparou com um artigo que mencionava desaparecimentos misteriosos na área, pessoas que tinham entrado no mangueiral e nunca mais foram vistas. Aqueles relatos o deixaram ainda mais apreensivo. Ele sabia que não estava apenas caçando um demônio; estava confrontando um lugar impregnado de dor e mistério.
O clima ao redor parecia pesado, e a brisa fresca que passava pelas árvores trazia um cheiro de umidade e decomposição. Cada passo que Siz dava parecia ecoar na solidão do mangueiral. Ele se sentia observado, como se algo estivesse à espreita entre as sombras, esperando o momento certo para se revelar.
Siz respirou fundo, tentando se concentrar. Ele precisava manter a calma e a clareza mental. Sabia que a missão que tinha pela frente não era apenas uma questão de coragem; era um teste de sua determinação e força interior. Ele estava ali para enfrentar não só o demônio, mas também os fantasmas do seu próprio passado.
Enquanto avançava, a lanterna iluminava o caminho à sua frente, revelando árvores retorcidas e o chão coberto de folhas secas. O som do vento soprando e as folhas dançando ao seu redor criavam uma atmosfera quase mágica, mas ao mesmo tempo aterrorizante.
Siz parou abruptamente, o coração disparando ao que viu à sua frente. Um lagarto enorme, coberto de escamas reluzentes e com milhares de olhos de várias cores, o encarava. Cada olho brilhava intensamente, refletindo a luz da sua lanterna e criando um espetáculo hipnotizante. Ele se lembrou dos relatos sobre os desaparecimentos; as pessoas eram atraídas e hipnotizadas por aqueles olhos, incapazes de resistir ao seu encanto fatal.
Siz rapidamente tirou os óculos que estavam agarrados ao seu pescoço e os colocou, ajustando os elásticos que os prendiam. A visão se tornou mais nítida, e ele percebeu a verdadeira natureza daquela criatura. Não era apenas um lagarto; era um ser demoníaco, uma manifestação do terror que habitava aquele mangueiral. Ele sabia que precisava agir rapidamente.
Antes que pudesse pensar em um plano, o lagarto avançou com uma velocidade surpreendente. Siz teve apenas um instante para reagir. O demônio mordeu seu braço com uma força brutal, e a dor irrompeu instantaneamente. Siz sentiu como se um osso tivesse quebrado ou trincado sob a pressão da mordida. A sensação de dor intensa o fez gritar, mas a adrenalina rapidamente tomou conta dele.
Sem hesitar, Siz enfiou os cinco dedos na direção dos olhos do lagarto, mirando os cinco olhos mais próximos. Ele estava determinado a se defender. Ao fazer isso, uma energia cinza começou a surgir de sua luva, como se estivesse queimando a própria essência do demônio. O fogo cinza dançava ao redor de seus dedos, iluminando a escuridão do mangueiral.
O lagarto recuou rapidamente, um grito agudo e aterrador escapando de sua boca enquanto parte de seu rosto começava a queimar. Os olhos que antes o hipnotizavam agora estavam cheios de pânico. A criatura não estava acostumada a ser ferida, especialmente por alguém que não era facilmente seduzido por seu poder.
Siz, mesmo sentindo a dor latejante em seu braço, não se deixou intimidar. Ele sabia que tinha que aproveitar a vantagem. Com o lagarto recuando, ele se preparou para o próximo movimento, sua mente se concentrando na energia que pulsava em sua luva.
— Você não vai me hipnotizar! — gritou Siz, a determinação em sua voz superando a dor. Ele avançou, pronto para enfrentar o demônio de frente, sabendo que a luta estava apenas começando e que ele precisaria de toda a força e coragem para derrotar a criatura que havia se alimentado do medo e da dor de outros antes dele.
O mangueiral, antes silencioso e opressivo, agora parecia vibrar com a tensão da batalha que se desenrolava. Siz estava decidido a não se tornar mais uma vítima daquela sombra, lutando não apenas pela sua sobrevivência, mas também por todos aqueles que haviam desaparecido nas garras daquele ser maligno.
......Continua......
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Khabib Firman Syah Roni
Reflexivo 🤔
2025-02-18
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