Cecília passou os dias seguintes mergulhada em um turbilhão de pensamentos. A conversa com Eduardo ainda ecoava em sua mente, suas palavras ressoando como um convite silencioso para algo que ela não sabia se estava pronta para aceitar. O papel que ele havia deixado sobre a mesa continuava lá, intacto, mas seu significado parecia crescer a cada dia.
Ela se perguntava se estava se sabotando, se o medo de confiar novamente a estava impedindo de enxergar algo que realmente valia a pena. Eduardo era diferente, ela sabia disso. Mas o passado ainda lançava sombras sobre suas decisões.
No fim da tarde de sexta-feira, Cecília decidiu sair para clarear a mente. Caminhou até um pequeno parque próximo ao seu apartamento, onde costumava ir quando precisava de paz. O som das folhas sendo movidas pelo vento e o canto dos pássaros ajudavam a organizar seus pensamentos. Sentou-se em um banco e fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
— Sabia que te encontraria aqui.
A voz de Eduardo a tirou de seu devaneio. Ela abriu os olhos e o viu parado à sua frente, com um sorriso suave nos lábios. Ele se sentou ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa, mas ainda assim presente.
— Você tem pensado no que conversamos? — ele perguntou, olhando para o horizonte.
— Sim — Cecília admitiu. — Mas ainda não sei o que fazer. Eu... não quero tomar uma decisão precipitada e me arrepender depois.
Eduardo assentiu, compreensivo.
— O medo pode nos paralisar, Cecília. Mas também pode nos fazer perder grandes oportunidades. Eu não quero que se sinta pressionada, mas quero que saiba que não estou aqui para brincar. Eu vejo algo especial em nós. Só quero que você enxergue também.
Ela desviou o olhar, sentindo o coração acelerar.
— Eu não estou acostumada a confiar tão facilmente... A vida me ensinou que as pessoas sempre têm um preço. Que, no fim, tudo se resume a interesses.
Eduardo respirou fundo antes de responder.
— Eu entendo. Mas quero que saiba que não sou como as pessoas que te machucaram. E não estou pedindo que confie em mim de uma vez. Só quero que me dê uma chance de mostrar quem realmente sou.
Houve um silêncio entre eles. Cecília sentia que estava diante de um momento decisivo. Poderia continuar se protegendo, mantendo as muralhas erguidas, ou poderia arriscar, dar um passo na direção de algo novo.
Ela suspirou e olhou para ele.
— Eu não posso prometer nada, Eduardo. Mas talvez eu possa tentar.
O sorriso dele se alargou, e algo dentro de Cecília aqueceu. Talvez, só talvez, confiar não fosse um erro dessa vez.
Cecília passou os dias seguintes imersa em seus pensamentos. O que Eduardo havia dito no café ecoava em sua mente. Ela sabia que aquela decisão poderia mudar tudo, mas o medo ainda a prendia. O medo de confiar, de se entregar, de se machucar novamente.
Seu trabalho continuava a exigir sua atenção, mas, mesmo mergulhada nas tarefas do dia a dia, Eduardo estava sempre presente em seus pensamentos. O jeito como ele a olhava, como respeitava seu tempo, como suas palavras eram firmes, mas gentis. Ele não era como os outros. Ele realmente se importava.
Naquela noite, enquanto observava a cidade pela janela de seu apartamento, Cecília percebeu que não poderia fugir para sempre. Fugir era o que sempre fazia. Mas e se, dessa vez, ela se permitisse? E se ela desse uma chance para algo novo? Para algo real?
No dia seguinte, ela decidiu agir. Com o coração acelerado, pegou o telefone e digitou a mensagem para Eduardo. "Podemos conversar?". O tempo entre o envio e a resposta pareceu uma eternidade, mas logo a tela se iluminou com a resposta dele: "Claro. Onde você quiser".
Optaram por um parque tranquilo, um lugar onde Cecília sempre ia quando precisava organizar os pensamentos. Quando chegou, Eduardo já estava lá, esperando por ela. O sorriso discreto que ele lhe deu foi o suficiente para aliviar parte da tensão que sentia.
Ela se sentou ao lado dele, respirou fundo e, sem rodeios, disse:
— Eu quero tentar.
Eduardo a olhou, seus olhos se suavizando com uma mistura de surpresa e felicidade contida.
— Tem certeza?
— Não. — Ela sorriu de leve. — Mas acho que nunca estarei se não me permitir. Então, sim, quero tentar.
Ele assentiu, respeitando cada palavra dela, cada hesitação, cada pequena vitória sobre seus medos. E, naquele momento, Cecília percebeu que talvez, apenas talvez, o futuro que tanto temia poderia ser mais promissor do que imaginava.
Eles caminharam pelo parque, conversando, sem pressa. O primeiro passo estava dado. Agora, caberia ao tempo mostrar o que viria depois.
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Atualizado até capítulo 27
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