Códigos do Coração

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Capítulo 1: A Parceria que Não Se Esperava

Eduardo estava sentado em sua grande mesa de escritório, olhando para os relatórios financeiros mais uma vez. Ele não entendia como algo tão promissor estava desmoronando. O investimento em drones e câmeras de vigilância parecia uma mina de ouro, mas as cifras não mentiam. Algo estava errado, e ele sabia disso.

Seu celular vibrou na mesa, a tela iluminando seu rosto cansado. Era uma mensagem de Renato, seu velho amigo: “A hacker que você pediu, Cecília, vai começar amanhã. Ela tem tudo o que você precisa.” Eduardo franziu a testa. Ele estava cético quanto a contratar uma hacker. Nunca imaginou que chegaria ao ponto de precisar de uma. Mas estava desesperado, então aceitou a sugestão de Renato.

No dia seguinte, Cecília chegou. Ele a observou de longe, entrando pela porta com um ar tranquilo, quase desinteressado. Seu cabelo escuro e suas roupas simples, mas impecáveis, estavam longe do que ele imaginava para uma hacker. Ela parecia mais uma consultora de negócios do que uma especialista em invasões digitais.

"Boa tarde", ela disse, sem muita empolgação, estendendo a mão, "Cecília Costa."

Eduardo hesitou por um segundo antes de apertar sua mão. O toque foi firme, mas algo nela o desconcertou. Ele não sabia se era o modo como ela parecia tão à vontade naquele ambiente, ou se era o jeito calmo com que ela se apresentou.

"Eduardo Souza", ele respondeu com a voz baixa, tentando esconder a surpresa. "Você é a hacker que vai nos ajudar a entender o que está acontecendo com os números?"

Cecília manteve seu olhar firme, mas sem emoções aparentes. "Sim, sou eu. Vou examinar os sistemas e encontrar as falhas. Mas vou precisar de um ambiente tranquilo para trabalhar e também de acesso aos dados mais recentes."

"Claro, claro", respondeu Eduardo, já se levantando para mostrar o caminho. "Vamos seguir até a sala de TI."

O que ele não esperava era que, ao longo das semanas seguintes, Cecília fosse se tornar uma presença constante em seu dia a dia. Ela passava horas, às vezes dias, vasculhando sistemas, ajustando algoritmos e analisando os relatórios. Mas, a cada encontro, ela parecia ainda mais distante. Eduardo tentou, sem sucesso, puxar conversas casuais.

"Então, Cecília, o que você fez antes de ser… hacker?" Eduardo perguntou uma tarde, enquanto ela estava concentrada em seu laptop, os olhos fixos na tela.

Ela não levantou os olhos, mas respondeu com franqueza. "Estudei segurança cibernética. Trabalhei em alguns projetos para grandes empresas, mas nunca estive tão envolvida assim em um processo como esse. A empresa precisa de uma reestruturação profunda."

Eduardo estava prestes a perguntar mais, mas ela o interrompeu com uma fala calma, mas direta:

"Eu não sou de falar muito sobre meu passado, Eduardo. Me concentro no trabalho."

Ele franziu a testa, uma pontada de frustração crescendo. Não conseguia entender porque ela estava sempre tão fechada, sempre tão reservada. Como alguém tão talentosa poderia ser tão difícil de ler?

"Entendo," ele disse, sentindo o desconforto no ar. Mas, mesmo assim, ele não podia deixar de se perguntar: por que ela se afastava tanto?

Nos dias seguintes, as reuniões com Cecília eram intensas, mas sempre com um distanciamento claro de ambos os lados. Ela dava suas sugestões, apontava as falhas, mas mantinha sempre o foco no profissional, sem deixar espaço para qualquer tipo de conversa pessoal. Eduardo tentou mais uma vez, numa tarde depois de uma reunião, ao vê-la corrigir algo no computador.

"Você tem algum tempo livre hoje?", ele perguntou, com um tom mais suave. "Poderíamos sair para um café, conversar mais sobre os problemas da empresa."

Cecília olhou para ele, seus olhos verdes tão diretos que Eduardo sentiu um calafrio. Ela balançou a cabeça lentamente, sua expressão inalterada.

"Não sou de sair com clientes, Eduardo. O trabalho vem primeiro", respondeu ela, com a mesma frieza de sempre. E, sem mais palavras, voltou a focar na tela do computador.

Ele ficou ali, sem saber o que pensar. A resposta foi direta, mas havia algo no tom dela que o fez sentir uma vontade crescente de saber mais sobre ela, de entender o que a fazia agir daquela forma.

"Entendo", ele disse, sua voz agora mais suave, como se estivesse aceitando sua rejeição. "Então, vamos continuar com o trabalho."

Mas, enquanto Cecília voltava à sua tarefa, Eduardo não pôde evitar o pensamento persistente de que, de alguma forma, ele estava começando a se importar mais do que deveria com ela. E, a cada dia, ele via mais a mulher atrás da hacker – inteligente, determinada, mas ao mesmo tempo, distante.

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