Capítulo 16: Entre o Medo e a Escolha

O café esvaziou ao redor deles, o som das conversas e das xícaras sendo repousadas nas mesas ecoando ao fundo. Mas, para Cecília, tudo parecia distante. Sua mente estava focada nas palavras de Eduardo e no papel que ele havia colocado sobre a mesa. O que ele queria realmente? Algo sobre o futuro. O futuro deles? Ela ainda não conseguia processar tudo de uma vez.

Ela olhou para ele, tentando entender a intensidade em seus olhos, tentando decifrar o que ele esperava. Eduardo era a personificação da calma, mas havia uma energia em seu corpo, algo que parecia estar à espera de uma resposta. Cecília sentiu uma tensão crescente em seu peito. Ela precisava entender o que ele queria e, mais importante, o que isso significava para ela.

— Você... — Ela começou, a voz soando mais baixa do que pretendia. — O que exatamente você está dizendo, Eduardo? De que futuro você está falando?

Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando para algo importante. Seus olhos nunca saíam dos dela.

— O futuro que está sendo construído agora, Cecília. E você... você está nele. Não como uma parte passageira, não como uma peça qualquer de um quebra-cabeça. Você é mais do que isso. Eu vejo algo maior entre nós, mas não vou forçar nada. Eu só quero que saiba que você é importante para o que está por vir.

Aquelas palavras a atingiram com a força de um trovão. Não eram palavras vazias, Cecília sabia disso. Ele estava falando com uma sinceridade que não podia ser ignorada. E isso, por algum motivo, a fazia sentir-se vulnerável. Como se estivesse prestes a dar um passo sem volta.

Ela fechou os olhos por um momento, tentando afastar o turbilhão de emoções que a envolvia. Eduardo estava comprometido com algo. E esse "algo" envolvia ela. Mas Cecília não sabia se estava preparada para isso. Ela tinha medo. Medo de ceder. Medo de confiar. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de si desejava se permitir, desejava enxergar o que ele via.

— Eu não... — Ela tentou falar, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Ela não sabia o que dizer. O medo da vulnerabilidade a paralisava, mas havia uma força crescente dentro de si, uma força que a desafiava a se abrir.

Eduardo parecia perceber a luta interna dela. Ele se inclinou à frente, os olhos suaves, mas decididos.

— Não estou pedindo que você me dê uma resposta agora, Cecília. Eu só quero que saiba o que estou sentindo. E quero que saiba também que não vou te pressionar. O tempo que você precisar, eu te dou. Eu só preciso que você saiba que estou aqui, e que estou disposto a caminhar ao seu lado, se você permitir.

Cecília mordeu o lábio, a mente a mil por hora. Ela tinha o poder de escolher, mas o medo ainda a segurava. E, ainda assim, algo dentro dela queria acreditar nele, queria acreditar no que ele estava oferecendo.

Ela olhou para o papel à sua frente, mas ao invés de vê-lo como uma simples proposta de trabalho, agora ele parecia representar algo muito maior. Algo que ela ainda não entendia totalmente, mas que sentia em sua pele. Algo que envolvia confiança, entrega e, acima de tudo, uma escolha. A escolha de confiar em alguém novamente, depois de tanto tempo se protegendo.

— Eu não sei se estou pronta para isso... — Ela disse, a voz falhando ligeiramente.

— E está tudo bem, Cecília. Não há pressa. Mas quero que saiba que, ao contrário de tudo o que você pensa, eu não estou aqui para te fazer mal. Eu não estou aqui para ser mais um obstáculo. Eu quero ser a pessoa que te ajuda a quebrar as barreiras, não a pessoa que as constrói.

As palavras dele a fizeram estremecer. Era algo que ela não havia considerado antes. Ela sempre se protegia, construía muros ao seu redor, e Eduardo estava oferecendo algo diferente. Algo genuíno.

Ela olhou para ele, com uma mistura de dúvida e desejo. Era uma encruzilhada, e ela sabia disso. O que ele estava pedindo não era apenas sobre uma relação de trabalho ou uma amizade. Era sobre um compromisso, sobre construir algo juntos. E Cecília não sabia se estava pronta para esse tipo de envolvimento. O medo ainda a prendia, mas havia uma pequena chama dentro dela que ansiava por algo mais. Algo real.

— Eu... preciso de um tempo para pensar, Eduardo. Não sei se posso tomar essa decisão agora.

Ele sorriu com compreensão, sem pressa, sem pressão.

— Eu entendo, Cecília. E eu vou esperar. O que importa é que você saiba que, independentemente de sua escolha, estou aqui, e estarei aqui.

Ela respirou fundo, tentando acalmar seu coração agitado. Ele não a estava pressionando, não estava tentando forçá-la a fazer algo que ela não queria. Mas, ao mesmo tempo, ela sabia que a escolha estava em suas mãos. E, pela primeira vez, ela não sabia o que faria com ela.

O que ela temia mais: a escolha de arriscar ou a de se fechar para tudo?

A resposta ainda não estava clara, mas uma coisa era certa: o futuro que Eduardo lhe mostrava começava a parecer mais tentador do que ela imaginava.

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