Capítulo 12: O Peso das Decisões

O sol começava a se pôr, tingindo o céu de um dourado suave que parecia prometer tranquilidade, mas Cecília não conseguia se desprender da tensão que a tomava. Cada dia, cada momento, parecia se arrastar, enquanto o peso de suas próprias decisões a oprimia. A conversa com Eduardo, a confissão, a honestidade… ela não sabia o que fazer com tudo aquilo.

A noite anterior ainda estava viva em sua mente. Ela sabia que, ao abrir seu coração para ele, tinha dado um passo que não poderia mais ser desfeito. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de si gritava para que ela recuasse, para que mantivesse a distância. Era como se ela tivesse acabado de abrir uma caixa de Pandora que nunca mais conseguiria fechar.

Na manhã seguinte, o telefone tocou. Ela não precisou olhar para saber quem era. A voz de Eduardo, doce e paciente, ecoou na linha, e ela sentiu seu estômago apertar.

— Cecília, como você está?

Ela hesitou antes de responder, o peso da noite anterior ainda pressionando seus ombros.

— Eu... estou tentando processar tudo. Foi muito para mim.

Ele respirou fundo, como se entendesse a profundidade das palavras dela, e então respondeu com suavidade.

— Eu sei que não é fácil. E não quero pressioná-la. Só quero que saiba que estou aqui para você, para o que precisar.

Ela sentiu um desconforto inexplicável ao ouvir aquelas palavras. Pareciam boas, genuínas, mas ao mesmo tempo pareciam ameaçar a estabilidade que ela havia construído em sua vida. Tudo sempre fora sob controle, sempre com limites bem definidos. Eduardo estava começando a derrubar esses limites de uma forma que ela não sabia lidar.

— Eu não sei o que você espera de mim, Eduardo. Eu não sou boa em... em me abrir. Eu não sei fazer isso.

Ele ficou em silêncio por um momento, talvez ponderando a melhor forma de responder, antes de falar novamente, com uma calma que desafiava o turbilhão de emoções que ela sentia.

— Não espero nada, Cecília. Eu só quero que você saiba que pode contar comigo. Quando estiver pronta, eu estarei aqui, sem pressa.

As palavras dele ressoaram profundamente nela, mas uma parte de Cecília se rebelava. Queria voltar ao seu casulo, onde nada a surpreendia. Queria que as coisas fossem mais simples, onde o controle fosse todo seu. Mas, ao mesmo tempo, algo em seu interior sabia que se ela se fechasse completamente, perderia algo valioso. Eduardo poderia ser a oportunidade de encontrar algo novo, algo que ela nunca havia experimentado.

A decisão a atormentava. Ela sabia que precisava de tempo, mas o medo de perder a oportunidade estava sempre ali, silencioso e constante.

Ela terminou a conversa com Eduardo de forma cortês, mas guardou para si mesma a sensação de que algo estava se rompendo. Algo que ela não sabia se conseguiria remendar. Naquele momento, ela decidiu dar um tempo para si mesma, sem tomar decisões precipitadas, sem se pressionar. O problema era que ela sentia que, no fundo, não poderia mais fugir da mudança.

O restante do dia passou lentamente, com Cecília tentando se distrair com o trabalho, mas suas mãos, em constante movimento, não conseguiam se concentrar em nada. As reuniões se arrastaram, os telefonemas soaram distantes e as conversas pareceram sem vida. Ela estava completamente absorta em seus próprios pensamentos.

Ao cair da noite, após um longo dia, Cecília encontrou-se sozinha em casa. O silêncio estava mais pesado do que nunca. Ela se sentou no sofá, observando as sombras dançarem nas paredes com a luz suave da lamparina. A solidão que antes parecia confortável agora era sufocante. Ela sabia que estava à beira de uma grande mudança em sua vida, mas não sabia se estava preparada para abraçá-la.

A imagem de Eduardo veio à sua mente novamente. Seu rosto gentil, sua voz tranquila. Ele não tinha pressa. Ele não exigia nada, apenas queria estar ao seu lado. Era isso que a estava assustando: ele não a pressionava, ele a aceitava como ela era, mas isso parecia mais difícil do que qualquer exigência que ela já tivesse enfrentado.

Cecília levantou-se e caminhou até a janela. O mundo lá fora estava calmo, como uma paisagem congelada no tempo, mas dentro dela, o caos estava se formando. Ela queria tomar uma decisão, queria encontrar clareza, mas cada caminho parecia igualmente incerto.

Ela olhou para o telefone na mesa. Uma mensagem piscou na tela. Eduardo. Ela hesitou por um momento, mas finalmente tocou na tela.

"Cecília, só para lembrar, estarei esperando quando você estiver pronta para conversar. Não importa quanto tempo leve, você tem meu apoio."

Ela não respondeu imediatamente. Ficou ali, olhando para as palavras dele, até que uma decisão, ainda que tímida, começou a tomar forma. Talvez ela não estivesse pronta para confiar completamente, mas talvez fosse hora de começar a tentar. Talvez fosse hora de começar a deixar a vulnerabilidade tomar o lugar da proteção, ainda que de forma gradual.

Ela respirou fundo, sentindo o peso das palavras dele em seu coração. E então, sem saber exatamente o que isso significava para o futuro, ela respondeu.

"Eu acho que talvez esteja pronta para conversar."

A resposta não era definitiva, mas era um começo. O começo de algo que, Cecília sabia, mudaria sua vida para sempre. Ela não sabia o que o futuro traria, mas pela primeira vez em muito tempo, ela estava disposta a descobri-lo.

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