Capítulo 5: A Dúvida Começa a Crescer

Cecília ainda estava em sua cadeira, o telefone em mãos, o som do clique da tela apagando a última vestígio da conversa com Eduardo. Ela sentiu uma inquietação crescente em seu peito, uma sensação desconfortável que ela não podia simplesmente ignorar. Desde aquele telefonema, uma dúvida persiste, tecendo-se entre as brechas de sua fachada impenetrável. Eduardo havia deixado uma marca em sua resistência, e ela não sabia o que fazer com isso.

Ela olhou pela janela de seu escritório, os raios fracos da tarde filtrando-se entre as cortinas, mas nada parecia suavizar o turbilhão em sua mente. O silêncio ao redor dela estava pesado, quase como se o mundo estivesse à espera de sua próxima decisão.

O que ele queria dizer com aquela última frase? “Eu estarei aqui”? Como se ele soubesse que, no fundo, ela não estava tão intransigente quanto gostava de acreditar. O que ela estava realmente protegendo?

Ela levantou-se de repente, o movimento rápido e impetuoso, como se o ato de sair dali a pudesse libertar de suas próprias dúvidas. Caminhou até a porta, mas, antes que pudesse tocá-la, a campainha da entrada soou, interrompendo seu raciocínio.

"Eu não estou pronta para mais nada hoje," ela pensou, quase desejando que fosse uma falsa impressão. Mas, ao olhar pela janela da sala, viu a figura familiar. Não podia ser outra pessoa.

— Eduardo, o que faz aqui? — Ela não conseguiu esconder o tom surpreso, misturado com irritação. Não era apenas o fato de ele estar lá, mas o quanto ela já sabia que ele seria capaz de fazer qualquer coisa para estar por perto.

Ele estava à porta, uma leve expressão de impaciência no rosto, mas ainda com aquela calma característica que a irritava e a atraía ao mesmo tempo.

— Eu vi seu nome na lista de compromissos, Cecília. Achei que poderíamos conversar... pessoalmente. Sobre o que discutimos mais cedo.

Ela hesitou por um momento, os dedos ainda próximos à maçaneta, a sensação de que não havia escapatória. Por um segundo, ela pensou em negar. Mas algo dentro dela a impediu. Algo como um sussurro que dizia para dar a ele uma chance.

Com um suspiro profundo, ela se afastou da porta, permitindo que ele entrasse.

— Eu não quero conversar sobre isso — ela disse, sua voz tentando soar mais firme do que ela realmente se sentia. "Eu já deixei claro o que penso."

Ele a observou, mas não se intimidou.

— Eu sei que você acha que está protegendo alguma coisa. Mas o que você realmente está fazendo é criando uma prisão para si mesma. — Ele deu um passo à frente, mais uma tentativa de se aproximar dela.

Cecília sentiu o impulso de se afastar, de recuar para seu território seguro, mas seus pés estavam plantados no chão. Algo nele estava desarmando todas as suas defesas, e isso a deixava desconcertada.

— Eu não preciso que você me salve, Eduardo — ela retrucou com mais intensidade. "Eu me basto."

Ele se aproximou um pouco mais, agora ao seu lado, e ela teve a sensação de que o espaço entre eles estava diminuindo a cada palavra não dita. Era um jogo silencioso, uma dança tensa de aproximação e afastamento.

— Nunca disse que você precisava ser salva. — Sua voz estava mais suave, quase como uma admissão de que ele sabia que estava entrando em um terreno delicado. "Mas talvez você precise de alguém para não ter que fazer tudo sozinha. Você não acha?"

Cecília fechou os olhos por um momento, sentindo a pressão do que ele dizia. Ela se afastou, caminhando até a mesa e apoiando as mãos sobre a superfície fria.

— Eu escolhi minha independência. Eu não quero que ninguém me veja frágil.

Eduardo ficou em silêncio, observando-a, mas havia algo em seu olhar que ela não conseguia ignorar. Era uma mistura de compreensão e um toque de frustração. Ele queria entender mais, queria que ela o deixasse ajudar, mas ele sabia que forçar isso seria um erro.

Ele fez uma pausa antes de falar novamente, sua voz mais baixa, mas firme.

— Eu não acho que você seja frágil, Cecília. Eu só vejo uma mulher que tem medo de deixar as pessoas se aproximarem. Talvez porque, lá no fundo, você saiba que, se se abrir, vai ser difícil voltar atrás.

Ela olhou para ele, suas palavras se infiltrando em sua mente, desafiando a ideia que ela tinha de si mesma. As paredes que ela havia erguido com tanto esforço começavam a ceder, não por sua escolha, mas pela força de Eduardo, que não parecia disposto a se afastar.

— Eu não estou quebrando — ela disse, sua voz mais suave, mas ainda teimosa. "Eu apenas não preciso de ninguém."

Ele a observou por um momento, como se ponderasse suas palavras, e então deu um passo atrás, sem mais insistir.

— Tudo bem, Cecília. Eu só queria que soubesse que não precisa passar por isso sozinha.

Com isso, ele virou-se para sair, deixando um silêncio denso atrás de si. Cecília ficou em pé, seu coração batendo mais rápido do que ela gostaria de admitir, e, por um momento, sentiu um vazio. Como se ele tivesse deixado uma marca indelével.

E, no entanto, ela não sabia o que fazer com esse sentimento. Não sabia como lidar com a mudança que ele começava a trazer.

Este capítulo mostra o início de uma dinâmica mais profunda entre Cecília e Eduardo. A resistência de Cecília começa a mostrar sinais de ceder, mas ela ainda está em conflito com seus próprios sentimentos e defesas emocionais. Eduardo, por outro lado, está disposto a ficar e a entender mais, mas sabe que o caminho para que ela se abra será longo. A dúvida e a tensão aumentam, deixando ambos à beira de algo que ainda não sabem como definir.

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