Capítulo 8: O Encontro

O dia amanheceu cinza, as nuvens pesadas, como se refletissem o estado de espírito de Cecília. Ela se viu olhando pela janela de seu apartamento, contemplando a chuva que caía suavemente. O som das gotas de água batendo no vidro a acalmava de alguma forma, mas não conseguia afastar o turbilhão de pensamentos em sua mente. Ela estava prestes a sair para encontrar Eduardo, e, pela primeira vez, não sabia exatamente o que esperar. Talvez fosse apenas uma conversa. Ou talvez fosse mais do que isso. Ela não estava pronta para responder a essa pergunta ainda.

Quando olhou para o relógio, percebeu que já estava quase na hora do encontro. Cecília fez um esforço para se arrumar de maneira simples, mas elegante. Queria que tudo parecesse natural, como se não fosse nada fora do comum, mas, ao mesmo tempo, sentia um frio na barriga que a deixava tensa.

Ela pegou o celular, verificou as mensagens, e viu o lembrete de Eduardo. "Nos vemos em uma hora." Era tudo o que dizia, mas de alguma forma, isso a fez se sentir ainda mais ansiosa.

Cecília respirou fundo e decidiu que precisava sair. Não importava o que acontecesse. Ela precisava dar um passo para fora de sua zona de conforto. O que mais ela poderia fazer?

O café da manhã foi rápido. Ela não estava com fome, mas um gole de café ajudou a acalmar a ansiedade que parecia crescer a cada minuto. Quando saiu de casa, o cheiro da chuva no ar a envolveu, trazendo uma sensação de leveza temporária. Ela odiava admitir, mas estava esperando ansiosamente pelo encontro, mesmo que uma parte de si ainda tentasse fugir da realidade de que não seria mais uma simples conversa.

O restaurante onde haviam combinado de se encontrar era pequeno, aconchegante, com uma atmosfera tranquila, como se o tempo ali se arrastasse lentamente. Cecília chegou alguns minutos antes e se acomodou em uma mesa perto da janela, observando a rua molhada e as pessoas correndo para se proteger da chuva. A sensação de estar esperando algo se tornou ainda mais palpável, e o silêncio ao redor parecia amplificado.

Então, ele chegou. Eduardo. Sua presença era discreta, mas tinha algo nele que sempre chamava atenção. Era a maneira como ele se movia, com confiança, e como seus olhos, que geralmente transmitiam calma, agora pareciam intensos, focados. Ele olhou para Cecília ao entrar, e seus olhos brilharam ao vê-la ali, esperando. Algo em sua postura relaxou quando ele a viu, como se finalmente estivesse no lugar certo.

— Olá, Cecília. — Ele sorriu suavemente, se aproximando e puxando a cadeira à sua frente.

Ela assentiu, tentando esconder a tensão em seu corpo, mas havia algo no sorriso dele que a fazia se sentir mais à vontade do que esperava.

— Oi, Eduardo. — Sua voz estava mais baixa do que o normal. Ela estava tentando manter o controle, mas era difícil quando ele estava ali, tão perto, tão presente. "Desculpe por ter chegado mais cedo."

Ele deu de ombros, sentando-se e pegando o cardápio. — Não se preocupe com isso. Eu também cheguei cedo. Estava ansioso para conversar.

Ela olhou para ele por um momento, sentindo o calor crescer no rosto, mas se forçando a manter a compostura. Não queria mostrar o quanto ele a estava afetando, mas algo dentro dela já sabia que seria difícil manter as barreiras que ela tanto prezava.

— Eu também... — ela hesitou, sentindo a necessidade de explicar algo que não entendia bem. "Eu não sou boa nisso, Eduardo. Em... falar sobre mim mesma. E você... você é diferente. Eu não sei o que estou fazendo aqui."

Ele a observou atentamente, como se estivesse absorvendo cada palavra dela. Eduardo sabia que não era uma simples questão de conversa. Havia algo mais ali, algo que Cecília não queria deixar transparecer, mas ele podia ver claramente. Algo que a tornava distante, algo que a fazia se fechar.

— Eu entendo. — Sua voz estava calma, como sempre. "Mas você não precisa se preocupar. Eu não estou aqui para te pressionar, Cecília. Só para te ouvir. Isso já é o suficiente para mim."

Ela mordeu o lábio inferior, sentindo o peso das palavras dele. Era difícil admitir, mas havia algo reconfortante em sua presença, algo que a fazia sentir que talvez, apenas talvez, ela pudesse dar uma chance. Não que estivesse pronta para isso ainda, mas a ideia de que ele não a estava julgando, de que ele a aceitava como ela era, a deixava desconcertada de maneiras que ela não podia controlar.

O garçom chegou e, por um momento, eles se perderam nas escolhas do cardápio. Cecília se sentiu estranhamente à vontade, e, mesmo assim, uma parte dela ainda se questionava sobre as intenções de Eduardo. Ele era genuíno? Ou estava apenas tentando algo que ela não conseguia entender?

Quando o garçom foi embora e a comida chegou, uma estranha sensação de silêncio se instalou entre eles. Não havia palavras, mas não parecia haver desconforto também. Era uma quietude confortável, uma paz que ela não sabia como lidar, mas que estava começando a aceitar, aos poucos.

— Eu sei que você tem medo, Cecília. — Ele quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas firme. "Eu vejo isso em você. Não vou forçar nada, mas eu quero que você saiba que eu estou aqui. Não para te pressionar, não para mudar nada. Só para estar ao seu lado, se você me deixar."

Ela olhou para ele, sentindo uma leveza em seu peito que ela não podia ignorar. Ela não estava pronta para dizer tudo o que ele queria ouvir, mas, por algum motivo, com ele ali, tudo parecia um pouco menos difícil de enfrentar.

— Eu... — ela começou, sem saber exatamente o que dizer. "Eu não sei o que você espera de mim. E isso me assusta."

Ele sorriu, um sorriso genuíno, como se já soubesse o que estava acontecendo dentro dela. Como se ele já soubesse o que ela ainda não queria admitir.

— Eu não espero nada de você, Cecília. Eu só quero que você saiba que, quando estiver pronta, eu estarei aqui. E isso é tudo o que importa agora.

Ela sentiu o peso de suas palavras em seu peito. Não era o que ela queria ouvir, mas talvez fosse exatamente o que ela precisava.

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