Capítulo 7: Entre o Medo e a Esperança

Os dias seguiram, mas a sensação de estagnação pairava sobre Cecília. As palavras de Eduardo ecoavam em sua mente constantemente. "Você não está sozinha." Era o tipo de frase que ela sempre temera, mas que, ao mesmo tempo, despertava algo em seu interior. Algo que ela não queria ver. Algo que ela não estava pronta para enfrentar.

Ela tentava se manter ocupada, mas o trabalho, embora essencial, não parecia ser o suficiente para afastar os pensamentos que a atormentavam. O foco da manhã era uma reunião importante que ela tinha com um cliente, mas até mesmo isso parecia sem cor, como se nada importasse tanto quanto o que estava se passando em seu peito.

Cecília se preparava para a reunião, mas o telefone na sua mesa vibrou. Era Eduardo novamente. Ela olhou para o visor e, por um momento, sentiu a pulsação acelerar. Não queria atender, não queria mais pensar nele. Mas o impulso de atender foi maior.

— Cecília? — A voz dele veio suave, mas com uma firmeza que ela não podia ignorar. "Eu sei que você está ocupada, mas eu realmente gostaria de ver você hoje. Não vou pressionar, mas apenas... conversar."

Ela mordeu o lábio inferior, olhando pela janela do escritório sem realmente ver o que estava à sua frente. A cidade lá fora parecia distante, como se tudo estivesse embaçado, fora de foco, menos a conversa que ela estava tendo agora. Não sabia o que responder. Ela sabia que não queria encontrar com ele. Não queria abrir mais um pedaço de si mesma. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela desejava. Algo mais profundo, que ela não entendia e nem sabia como controlar.

— Eu não sei... — Sua voz estava mais baixa do que ela imaginava. A hesitação, sempre presente, a consumia. "Eu não sei se isso é uma boa ideia, Eduardo."

Ele suspirou do outro lado da linha, como se estivesse esperando essa resposta, mas não parecia surpreso.

— Tudo bem — ele disse, com um tom mais suave. "Eu só quero que saiba que, se mudar de ideia, estarei esperando. Você não precisa dar uma resposta agora. Eu só... não quero que você se sinta sozinha, Cecília."

Ela sentiu um nó apertado na garganta. Não era a primeira vez que ouvia algo assim, mas a sinceridade em suas palavras era algo que ela não conseguia ignorar.

— Eu... vou pensar nisso — ela murmurou, sentindo o peso da promessa.

Ele parecia perceber que ela estava se forçando a dizer aquilo, mas não insistiu. Apenas agradeceu pela consideração e desligou.

Cecília ficou ali, com o telefone nas mãos, tentando absorver o que havia acabado de acontecer. Não queria que as palavras dele significassem o que ela temia. Mas, no fundo, ela sabia que ele não estava pedindo nada mais do que uma chance de estar ao seu lado, uma chance que ela ainda não sabia se estava pronta para dar.

A reunião finalmente aconteceu. Durante todo o encontro, Cecília mal conseguiu manter a atenção nas palavras do cliente. Seu coração e mente estavam em outro lugar, onde os pensamentos sobre Eduardo se misturavam com um crescente medo de abrir-se para alguém novamente. O medo de perder o controle, de se entregar a algo que poderia acabar machucando ainda mais. Ela estava acostumada a controlar tudo em sua vida — seus sentimentos, suas decisões, até mesmo suas interações sociais. Mas Eduardo parecia desafiar todas essas regras.

O final da reunião foi uma bênção. Assim que o cliente se despediu, ela se deixou cair em sua cadeira, exausta, mas não fisicamente. Era uma exaustão emocional que ela não conseguia controlar. O telefone em sua mesa ainda estava ali, silencioso, mas ela sabia que o toque dele viria. Sabia que, mais cedo ou mais tarde, ela teria que tomar uma decisão.

Ela sabia que, mais do que qualquer outra coisa, estava com medo. Medo de ser vulnerável. Medo de confiar novamente. E talvez, o mais assustador de tudo, medo de se apaixonar.

Era tarde quando ela finalmente decidiu dar o passo. Ela não sabia o que esperava, mas sabia que precisava dar uma chance a si mesma. Atendeu ao telefone e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, a voz de Eduardo a interrompeu, suave como sempre, mas com algo novo ali, algo que ela não havia ouvido antes.

— Cecília, você está bem? — Ele perguntou, um tom de preocupação em sua voz. "Eu... eu estava pensando... se você quiser, podemos sair amanhã. Só nós dois."

Ela sentiu o coração disparar, mas o controle estava ali, se fazendo presente. Não poderia ceder tão facilmente.

— Eduardo, eu não sei se isso é uma boa ideia. Eu... não sou boa nisso. Eu não sou boa em confiar nas pessoas.

Ele a interrompeu, com a voz mais firme agora, sem ser invasiva, mas cheia de certeza.

— Eu sei, Cecília. E eu entendo. Mas isso não é sobre confiança ou sobre forçar nada. Isso é sobre nós dois, aqui e agora, dando o primeiro passo para ver onde isso pode nos levar. Eu não vou te pressionar. Não se preocupe.

A sensação de alívio e medo se misturaram em seu peito, e por um momento, ela se sentiu vulnerável, mas não desconfortável. Era a primeira vez em muito tempo que alguém estava realmente ali para ela, sem exigir mais do que ela pudesse oferecer.

— Eu vou... — Ela hesitou, mas a vontade de sair daquele círculo vicioso era maior. "Eu vou te ver amanhã, Eduardo. Mas só se você prometer que isso será apenas uma conversa, sem pressões."

Ele sorriu do outro lado da linha, e ela soube que ele a compreendia, talvez mais do que qualquer outra pessoa.

— Prometo, Cecília. Só uma conversa. Nos vemos amanhã.

Quando a ligação terminou, Cecília ficou em silêncio, permitindo que a sensação de estar um passo mais perto da verdade se instalasse. Ela não sabia o que aconteceria, mas algo dentro dela dizia que estava prestes a mudar. O medo ainda estava lá, mas, pela primeira vez, havia uma pequena chama de esperança começando a acender dentro dela.

O amanhã chegaria, e ela sabia que não poderia mais fugir.

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