Capítulo 13: O Encontro da Incerteza

Cecília acordou cedo no dia seguinte, o coração batendo mais rápido do que o habitual. A resposta que ela enviou na noite anterior ainda estava ecoando em sua mente, como um sussurro constante que ela não conseguia ignorar. "Eu acho que talvez esteja pronta para conversar."

Ela não sabia ao certo o que isso significava, mas sabia que não podia voltar atrás. A decisão estava tomada. E, mesmo que estivesse com o coração apertado, ela se deu conta de que a mudança que tanto temia parecia inevitável. Eduardo havia se tornado uma presença constante, um enigma ao qual ela não conseguia dar uma resposta clara.

Ela se arrumou sem pressa, mas a ansiedade em seu peito a fazia sentir que cada segundo era uma eternidade. Cada passo parecia um lembrete de que ela estava prestes a dar um passo grande demais. Cecília tentava se convencer de que ainda estava no controle, mas sabia que a linha entre o controle e a entrega era tênue.

Quando o telefone tocou, o som parecia ensurdecedor. Ela olhou rapidamente para a tela e viu o nome de Eduardo. Com um suspiro profundo, tocou na tela, a sensação de incerteza crescendo a cada segundo.

— Olá, Cecília. — A voz de Eduardo foi suave, mas com um tom de expectativa que ela não soubera como responder até aquele momento.

— Olá, Eduardo. — Ela forçou um sorriso, mesmo sabendo que ele não podia vê-lo. Sua voz estava mais calma do que ela imaginava, mas a tensão estava ali, em cada palavra.

Houve uma pausa, como se ele estivesse aguardando algo mais, mas ela não sabia o que.

— Eu... pensei sobre o que você disse ontem. Sobre talvez estar pronta para conversar. E se você estiver disposta, gostaria de nos encontrarmos. Podemos fazer isso de uma forma tranquila, sem pressa, sem expectativas. Só para... conversar, Cecília.

O convite era simples, mas, para ela, parecia carregar o peso de uma decisão monumental. Ela fechou os olhos por um instante, buscando clareza, mas o que encontrou foi um emaranhado de sentimentos conflitantes.

"Não posso fugir disso", ela pensou. "Não posso continuar me escondendo."

— Está bem. — A palavra saiu de seus lábios quase sem querer, como se tivesse se rendido a algo maior. Ela não sabia o que o futuro traria, mas sentia que precisava, ao menos, dar uma chance àquilo. À mudança, ao desconhecido, a Eduardo.

— Perfeito. Então, o que acha de nos encontrarmos em um café? Sem pressa, sem pressão. Só você e eu. — A voz dele estava tão calma, tão acolhedora, que ela sentiu uma pequena ponta de alívio, como se ele a estivesse conduzindo por um caminho desconhecido, mas com segurança.

— Sim. Um café está bom. — A resposta saiu mais firme do que ela esperava, e, de certa forma, isso a surpreendeu. Talvez fosse mais forte do que imaginava. Ou talvez estivesse apenas cansada de lutar contra algo que, no fundo, ela já sabia que queria.

— Que horas seria conveniente para você? — Eduardo perguntou, sua voz agora mais animada, como se já soubesse que ela havia dado o primeiro passo.

— Pode ser às três? — Cecília sugeriu, sentindo que a escolha do horário lhe dava um pouco mais de controle sobre a situação.

— Claro, às três. Eu vou estar lá, Cecília. Até logo.

Antes que ela tivesse tempo de responder, ele desligou. Cecília ficou olhando para o telefone por um momento, sentindo a adrenalina começar a diminuir, mas a ansiedade ainda era palpável. A conversa estava marcada. O encontro, inevitável. Ela não sabia o que esperar, mas sabia que, naquele momento, estava prestes a abrir uma porta que poderia nunca mais ser fechada.

O resto do dia passou em um borrão. Cecília tentou se concentrar no trabalho, mas sua mente sempre voltava ao encontro. Como seria? O que ela deveria dizer? E, mais importante, o que Eduardo esperava dela? Ela sabia que ele não queria nada além de um simples café, uma conversa. Mas, para ela, cada palavra trocada com ele parecia carregar mais do que o simples desejo de companhia. Era como se algo silencioso, mas poderoso, estivesse sendo tecido entre eles. E isso a assustava profundamente.

Finalmente, o momento chegou. O relógio marcava 14h50, e Cecília estava pronta para sair. Ela olhou uma última vez no espelho antes de sair de casa, tentando se convencer de que estava preparada. O que ela estava realmente esperando? Uma resposta? Uma conexão? Ou simplesmente o alívio de saber que, ao menos por aquele momento, as perguntas ainda estavam abertas?

Quando chegou ao café, viu Eduardo lá, sentado perto da janela, como se já estivesse esperando por ela. Ele a viu entrar e sorriu, o sorriso sincero, sem pressa, sem cobrança. Apenas uma expressão de acolhimento.

Cecília caminhou até ele, tentando manter a compostura, mas sentindo seu coração acelerar à medida que se aproximava. Ele se levantou quando ela chegou, e ela notou como ele parecia diferente do ambiente corporativo que ela conhecia. Ali, ele era simplesmente... Eduardo. Sem os papéis e os papéis sociais que ele desempenhava na empresa.

— Cecília. — Ele disse, como se estivesse dizendo o nome dela pela primeira vez, e isso a fez sorrir, mesmo que de forma tímida.

Ela se sentou, ainda com a sensação de estar à beira de algo. Eles se acomodaram e o silêncio entre eles foi confortável, nada forçado. Eduardo foi o primeiro a quebrá-lo, com um simples:

— Então, como você tem se sentido?

A pergunta era simples, mas em seus olhos havia uma intenção que ela não soubera responder de imediato. Ela pensou por um momento e então, finalmente, disse:

— Eu... não sei. Eu estou tentando entender tudo isso. E talvez, por isso, tenha hesitado tanto.

Ele a olhou com compreensão, o que fez seu peito apertar de uma maneira que ela não soubera como lidar. Não era só uma conversa. Era algo mais. Algo que ela estava começando a perceber que não podia mais ignorar.

O café foi apenas o começo. Mas Cecília sabia que o que aconteceria depois, ela não poderia controlar.

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