O café passou rapidamente, mais rápido do que Cecília teria imaginado. As palavras trocadas entre ela e Eduardo foram simples, mas carregadas de um significado que ela ainda não compreendia completamente. A conversa fluiu com facilidade, mas algo parecia estar prestes a acontecer, algo que ela não sabia como lidar.
Quando a última xícara foi colocada sobre a mesa, um silêncio confortável se estabeleceu entre eles. Eduardo parecia tranquilo, quase como se estivesse esperando por algo, e Cecília, por sua vez, sentia que a pressão dentro dela aumentava a cada segundo.
— Cecília, — começou Eduardo, a voz baixa e séria, como se tivesse ponderado muito antes de dizer aquelas palavras, — eu sei que esse momento é importante. Para você, para mim... e para o que isso pode significar.
Ela engoliu em seco, sentindo que ele estava prestes a entrar em um território delicado. Ela não sabia o que dizer, e o simples fato de estar ali, ao lado dele, já fazia seu coração bater mais rápido.
— Eu não estou aqui para te pressionar, nem para esperar algo de imediato. Eu só... — Ele fez uma pausa, olhando para ela com um olhar que misturava sinceridade e algo mais. Cecília sentiu que ele estava revelando uma faceta de si mesmo que não havia mostrado antes. — Eu quero entender você. Quero saber o que você precisa. E, se for o caso, estar aqui para você.
O peso daquelas palavras caiu sobre ela com um impacto inesperado. Cecília não sabia como reagir. Por um momento, o tempo pareceu se arrastar, e ela se sentiu paralisada. Ela sempre soubera que havia algo mais entre eles, mas nunca imaginara que ele fosse tão aberto a isso. Ou que ele fosse tão... vulnerável.
— Eu... — Cecília começou, mas parou. Ela não sabia o que dizer. O medo, a insegurança, e, acima de tudo, a dúvida, a impediam de continuar. Ela havia vivido tanto tempo construindo paredes ao seu redor, tão determinadas a evitar qualquer tipo de complicação emocional, que a ideia de abrir mão de tudo isso, de se entregar ao que sentia, parecia assustadora.
Eduardo, percebendo seu silêncio, deu um pequeno sorriso compreensivo. Ele não a pressionou, não disse nada mais. Apenas permaneceu ali, esperando, respeitando o espaço dela.
— Eu sei que você tem suas razões, Cecília. E não estou aqui para fazer você mudar de ideia ou forçar algo que não esteja pronta para dar. — Ele disse com calma. — Só quero que saiba que, se quiser conversar, ou até mesmo se precisar de um ombro amigo, estarei aqui. Sempre.
A simplicidade de suas palavras foi o que mais tocou Cecília. Ele não estava tentando conquistar algo. Não estava tentando manipulá-la. Ele simplesmente estava ali. E isso a fez perceber o quanto ela havia se afastado de tudo e de todos. Ela havia se fechado tanto no passado, temendo o que as pessoas poderiam esperar dela, que havia esquecido o que significava ser vulnerável, ser aberta para algo novo.
Ela olhou para ele, os olhos marejados, sentindo o peso de uma sensação que ela não podia ignorar por mais tempo. Ela estava com medo. Medo de se entregar a esse sentimento, medo de se deixar levar. Mas também havia algo dentro dela que, aos poucos, começava a reconhecer. Algo que ela não sabia que ainda existia: a esperança.
— Eduardo... — ela começou, a voz trêmula, mas com uma sinceridade que ela nunca imaginara ter em momentos como aquele. — Eu não sei o que está acontecendo entre a gente. Eu não sei o que isso significa, e eu tenho muito medo de me entregar a isso. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim me diz que, talvez, eu tenha que tentar. Talvez eu precise tentar.
Ele a olhou com uma intensidade que fez o coração dela bater mais rápido. Não havia julgamento nos olhos dele, apenas compreensão e paciência.
— Você não precisa de respostas agora, Cecília. Nem de pressa. — Ele disse com a voz suave, quase como um sussurro. — Só... viva o que você está sentindo. Sem pressa, sem cobranças. O que quer que seja, eu estou aqui.
Cecília sentiu uma onda de emoções a invadir. Não sabia o que fazer com aquilo tudo, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentiu que talvez fosse possível deixar o medo de lado. Talvez fosse possível, finalmente, permitir-se sentir sem as barreiras que ela havia construído ao longo dos anos.
Ela olhou para ele e sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno. Não havia certezas, mas talvez o simples fato de permitir-se dar um passo fosse o que ela precisava. Para si mesma. Para ele. Para o futuro, que ainda estava em aberto.
— Obrigada, Eduardo. — A palavra saiu sem ela pensar muito, mas ela sabia que estava sendo sincera. Agradecia por ele ter sido tão paciente, por não a ter pressionado, por ter simplesmente estado ali. — Eu... vou tentar.
Ele sorriu de volta, e naquele sorriso, Cecília viu mais do que palavras poderiam expressar. Ela não sabia o que o futuro lhes reservava, mas sentia que, naquele momento, algo havia mudado. Algo dentro dela.
O café acabou, mas a conversa estava longe de terminar. O que aconteceria a seguir? Não se sabia. Mas, por uma vez, Cecília estava disposta a se entregar ao desconhecido. Estava disposta a viver.
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Atualizado até capítulo 27
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