Capítulo 15: No Limite do Inesperado

O ar estava denso naquela tarde. A cidade parecia imersa em um silêncio pesado, como se estivesse retendo a respiração, esperando algo acontecer. Cecília caminhava pelas ruas movimentadas com a mente distante, os pensamentos ainda fixos nas palavras trocadas com Eduardo. Ela sabia que algo estava mudando, mas não conseguia entender o que exatamente era. Era como um enigma que ela se recusava a resolver, mas que, de alguma forma, a atraía cada vez mais.

Ela parou diante de uma vitrine, sem realmente olhar para o que estava exposto. Seus olhos refletiam uma confusão que ela não podia mais esconder. Eduardo estava começando a se tornar mais do que um colega de trabalho. Ele já era mais do que isso, mas Cecília não sabia como lidar com isso. Como lidar com a aproximação de alguém que parecia ver tudo em sua vida, tudo o que ela sempre tentara esconder?

O som do telefone a trouxe de volta à realidade. Ela olhou para a tela e, por um momento, hesitou. Mas, quando viu o nome de Eduardo, uma sensação que ela não conseguia identificar se instalou em seu peito. Um misto de curiosidade e receio.

Ela atendeu rapidamente.

— Cecília, oi. — A voz dele soou descontraída, mas havia uma suavidade nela que ela não conseguiu ignorar.

— Oi, Eduardo. — Ela tentou soar normal, mas a tensão estava evidente.

— Estava pensando... se você não estiver ocupada, que tal tomarmos um café mais tarde? Eu... quero te mostrar algo.

"Mostrar algo?", pensou ela, a dúvida tomava conta de sua mente. O que ele poderia querer mostrar? Ela não sabia se estava pronta para mais uma conversa com ele. Não sabia se conseguiria resistir a algo que parecia estar se formando entre eles. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de não ir também a incomodava.

— Eu não sei... — Ela estava prestes a recusar, mas a voz de Eduardo a interrompeu.

— Não é nada de mais, Cecília. Eu só pensei que seria bom. Não precisa ser agora, nem algo grandioso. Só um momento para nós.

A suavidade com que ele falou, a calma em sua voz, fez Cecília parar para pensar. Havia algo nele que a fazia querer ir, querer mais. Mesmo sabendo dos riscos, mesmo temendo a profundidade que poderia alcançar. Mas, por um momento, ela se permitiu ceder.

— Tudo bem. Eu vou. — A resposta saiu mais suave do que ela imaginava, como se fosse um alívio não só para ele, mas também para ela mesma.

Ele sorriu do outro lado da linha, e Cecília sentiu uma leveza em seu peito que não sabia que precisava. Eles marcaram o lugar e a hora, e, quando desligou, Cecília se pegou refletindo sobre o que acabara de fazer. Não sabia o que aquilo significava, mas algo dentro de si a dizia que essa decisão era inevitável.

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O café estava cheio, e a atmosfera era tranquila, como sempre. Cecília chegou um pouco antes de Eduardo e se sentou em uma mesa no canto, de onde podia observar tudo ao redor. Ela sentia seu coração bater com mais intensidade à medida que o tempo passava. Ela se perguntava o que exatamente ele queria mostrar, o que ele tinha em mente.

Poucos minutos depois, ele chegou. Eduardo estava sorrindo, como se tivesse feito algo certo, e seus olhos brilharam ao vê-la. Havia algo de confortante em sua presença, mas, ao mesmo tempo, algo de desafiador.

— Oi, Cecília. — Ele se inclinou para beijá-la no rosto, um gesto que parecia tão natural para ele, mas que fez Cecília se sentir levemente desconfortável. Ela tentou sorrir de volta, mas a sensação de estar à beira de algo desconhecido a impedia de relaxar completamente.

— Oi, Eduardo. — Ela tentou ser casual, mas havia um peso nas palavras que ela não conseguia esconder. Ele se sentou à sua frente, os olhos nunca deixando os dela. Era como se estivesse esperando por algo.

Ele pediu o café de sempre e, ao ser servido, recostou-se na cadeira. O silêncio entre eles parecia confortável, mas também carregado de expectativa. Ele olhou para ela, como se esperasse que ela começasse a conversa, mas Cecília não sabia por onde começar.

— Então, o que você queria me mostrar? — Ela perguntou finalmente, quebrando o silêncio que se estendia entre eles. Ela tentou soar despreocupada, mas seu coração estava batendo rápido.

Eduardo a observou por um momento, como se estivesse pesando suas palavras.

— Eu queria te mostrar algo que eu venho pensando há algum tempo... algo que talvez faça mais sentido depois do que conversamos. — Ele pegou um pedaço de papel da bolsa e colocou sobre a mesa. — É um projeto. Não é exatamente o que você está pensando, mas tem a ver com o futuro. O meu futuro. E, talvez, o nosso.

Cecília franziu a testa. O que ele queria dizer com aquilo? Algo sobre o futuro deles? Ela olhou para o papel, mas antes que pudesse falar algo, ele continuou.

— Eu quero que você pense nisso, sem pressa. O que quero agora é que você saiba que estou comprometido com isso. E que, de alguma forma, você também faz parte desse caminho, mesmo que não saiba disso ainda.

O coração de Cecília disparou. Eduardo não estava apenas falando de um projeto de trabalho. Ele estava falando de algo muito mais profundo, algo que a envolvia de maneira que ela não podia mais ignorar. O que ele queria de fato? O que ele estava sugerindo? Ela não sabia o que fazer com essa nova revelação, mas uma coisa ela sabia com certeza: a direção de sua vida havia mudado naquele exato momento.

E ela não sabia se estava preparada para o que viria a seguir.

O futuro deles, como ele dizia, estava prestes a ser decidido, e Cecília, pela primeira vez, não sabia qual caminho escolher.

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