o terror a três

O jogo mudou.

Eles não eram mais apenas três pessoas brincando com o perigo.

Agora… eles eram o próprio perigo.

E Helena queria testar isso.

— Vamos brincar? — ela sugeriu, os olhos brilhando com algo quase insano.

Lilith sorriu de lado, já esperando o inesperado.

Ezra, por outro lado, franziu a testa.

— O que você está tramando?

Helena não respondeu imediatamente.

Ela apenas olhou ao redor, observando os corredores vazios da nova escola. O cheiro de tinta fresca ainda pairava no ar, misturado com o som distante de passos e sussurros.

Era um colégio diferente. Novo. Organizado. Sem rastros de sujeira.

Mas até mesmo os lugares mais limpos escondem segredos.

E Helena queria encontrá-los.

Ela se virou para os dois.

— Vamos testar o quão podre esse lugar é.

Lilith arqueou uma sobrancelha, intrigada.

Ezra cruzou os braços, desconfiado.

— E como exatamente vamos fazer isso?

Helena sorriu lentamente.

— Vamos espalhar um boato.

Lilith inclinou a cabeça.

— Um boato?

— Sim. — Helena olhou para a escola mais uma vez. — Mas não qualquer um. Vamos criar uma verdade que ainda não existe.

Ezra e Lilith se entreolharam.

E então, o jogo começou.

Ezra e Lilith sabiam a resposta.

Helena estava vencendo.

Mas… isso importava?

Lilith se aproximou, encostando-se à parede enquanto Helena ainda segurava seu queixo. Seus olhos escuros brilhavam com algo indefinido, uma mistura de curiosidade e provocação.

— E se quisermos perder? — Lilith perguntou, a voz baixa.

Ezra riu, cruzando os braços.

— Acho que já estamos perdendo.

Helena inclinou a cabeça, os observando como se estivesse decidindo o que fazer com eles.

Era isso que eles eram para ela?

Apenas peças em um jogo?

Ezra gostava de pensar que não, mas a verdade… A verdade era um problema.

E Helena gostava de problemas.

— Se quiserem perder, então percam direito. — Helena disse, sorrindo devagar, perigosa.

Lilith sentiu um arrepio subir por sua pele.

Ezra estreitou os olhos.

— E o que isso significa?

Helena não respondeu imediatamente.

Ela simplesmente deslizou os dedos pelo braço de Ezra, depois pela cintura de Lilith, como se estivesse testando uma nova peça de um quebra-cabeça.

Lilith segurou o fôlego. Ezra se manteve firme, mas seus olhos traíam a expectativa.

Helena adorava aquilo.

Eles eram fortes. Mas estavam cedendo.

E, no fundo, eles gostavam disso.

— Significa que… — Helena se inclinou entre os dois, a voz quase um sussurro. — Agora vocês são meus.

Ezra engoliu seco.

Lilith sorriu.

E nenhum dos dois negou.

O tempo parecia andar diferente naquela noite. Entre os goles de bebida e as batidas da música, Isabela e Camila se viam presas em um jogo silencioso. Nenhuma delas recuava, nenhuma admitia, mas ambas sentiam o calor daquela presença ao lado.

Camila girava o próprio copo, o olhar preguiçoso, mas atento. Isabela fingia que não percebia, mas sua respiração levemente acelerada a traía.

— Parece que você me segue, hein. — Camila provocou, um sorriso brincando nos lábios.

Isabela bufou, inclinando-se sobre o balcão.

— Ah, claro. Eu, completamente arrasada, saí de casa pensando: ‘Vou atrás de uma desconhecida aleatória para atormentar minha noite’.

Camila riu, um som baixo, quase felino.

— Quem disse que está sendo um tormento?

Isabela apertou os olhos, sentindo a resposta no tom dela. Havia algo ali—não apenas uma brincadeira, mas um convite. E, por mais que tentasse, não conseguiu impedir um sorriso enviesado de surgir em seus lábios.

— Você sempre joga assim? — perguntou, fingindo desinteresse enquanto girava o próprio copo.

— Só quando encontro alguém à altura.

Silêncio.

A provocação ficou no ar, pesada como o calor daquela noite. O olhar de Camila desceu lentamente, percorrendo os ombros desnudos de Isabela, a curva do pescoço, os lábios que ainda guardavam um brilho sutil do batom vermelho.

— Se quer tanto minha atenção, é só pedir. — Isabela soltou, sem rodeios.

Camila arqueou a sobrancelha, divertindo-se.

— E se eu já tiver?

O coração de Isabela bateu mais forte, mas ela não demonstrou. Apenas ergueu o copo e tomou mais um gole, sem responder de imediato. Se esse era o jogo de Camila, então ela jogaria também.

— Se tem — ela disse, pousando o copo de volta no balcão —, o que pretende fazer com isso?

Camila sorriu, inclinando-se levemente para perto, o suficiente para que Isabela sentisse o perfume amadeirado dela misturado com o leve cheiro de cigarro.

— Acho que vou decidir no momento certo.

Isabela sustentou o olhar por um instante a mais do que deveria. Então, riu.

— Boa sorte com isso.

E se virou para pedir outra bebida.

Camila continuou ali, observando-a de canto de olho, o sorriso ainda presente.

A noite ainda prometia.

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