O dia começou como qualquer outro para Maicon Alves. Ele caminhava pelos corredores do Colégio São Martinho com a mesma arrogância de sempre, cumprimentando as pessoas com sorrisos falsos e ignorando aqueles que considerava insignificantes.
Mas algo estava errado.
Desde a noite anterior, ele sentia um peso estranho nos ombros. Um desconforto crescente, como se alguém o estivesse observando o tempo todo. Quando olhava ao redor, não via ninguém. Mas o sentimento persistia, cada vez mais forte.
O que ele não sabia era que, naquela manhã, seu nome já estava em todas as conversas sussurradas pelos alunos.
Mensagens começaram a circular pelo grupo da escola. Vídeos, fotos, áudios. Todos revelando a verdadeira face de Maicon. O garoto que se achava intocável agora estava exposto para todos verem.
Ele agarrou o celular, abriu o grupo e sentiu o estômago revirar.
O primeiro vídeo mostrava ele discutindo com Maya no estacionamento escuro da escola. "Se você acha que eu vou ser pai dessa coisa, você tá louca," sua própria voz ecoava na gravação. "Se quiser ter esse filho, que se vire sozinha."
Outro áudio era ainda pior. Uma conversa entre ele e o próprio pai, o diretor.
— Pai, você precisa dar um jeito na Maya.
— Não se preocupe, filho. Se ela for esperta, vai entender o recado. Se não for… bem, sempre há formas de fazer alguém desaparecer.
Maicon sentiu a garganta secar. Ele olhou ao redor, esperando ver alguma reação exagerada, mas todos os olhares eram discretos, sorrisos maldosos escondidos por trás de celulares.
Ninguém estava surpreso.
Ele não entendia. Como aquelas gravações tinham surgido? Ele nunca as enviou para ninguém. Nunca falou sobre isso com mais ninguém além do próprio pai.
O celular vibrou novamente. Um número desconhecido.
"Você está pronto para a verdade, Maicon?"
Ele sentiu um calafrio subir pela espinha.
— Quem mandou isso? — murmurou para si mesmo.
E então, no meio do corredor lotado, ele a viu.
Helena.
Sentada casualmente na escada, mexendo no próprio celular como se não tivesse nada a ver com aquilo. Mas seus olhos... eles estavam fixos nele.
Maicon sentiu o coração disparar. Ele nunca tinha falado com aquela garota, mas havia algo nela que o assustava de um jeito inexplicável.
Ele desviou o olhar e correu para a sala do pai. O diretor precisava resolver isso.
Mas, ao entrar no escritório, seu mundo desabou.
A sala estava escura. As cortinas fechadas. O diretor estava sentado em sua cadeira, olhando para um envelope aberto na mesa. Suas mãos tremiam levemente.
— Pai… o que está acontecendo?
O diretor levantou o olhar, e pela primeira vez na vida, Maicon viu algo que nunca esperava ver em seu pai: medo.
— Eu não sei, filho. Eu realmente não sei.
Maicon sentiu um arrepio. Se até seu pai, um homem acostumado a controlar tudo, estava assustado, então algo realmente estava fora de controle.
E foi então que a voz dela ecoou pela sala.
— Eu avisei, não avisei?
Maicon e o diretor se viraram rapidamente. Helena estava ali. Sentada sobre a mesa do diretor, os pés balançando no ar como se não houvesse regras naquele lugar que pudessem impedi-la.
— Quem te deixou entrar aqui? — o diretor perguntou, tentando recuperar sua autoridade.
— Oh, diretor… — Helena inclinou a cabeça, sorrindo. — Você ainda acha que é quem manda neste lugar?
Maicon recuou um passo. Seu peito subia e descia rapidamente.
— O que você quer? — perguntou ele, sentindo a boca seca.
Helena piscou devagar.
— Quero ver até onde você aguenta a verdade.
E então as luzes piscaram, e a realidade se partiu.
Os quadros nas paredes começaram a derreter, como se fossem feitos de cera. A mesa do diretor parecia se alongar e distorcer. O ar ficou pesado, e um cheiro de podridão tomou conta da sala.
Maicon tentou correr, mas seus pés estavam presos ao chão.
O diretor tentou gritar, mas sua voz falhou.
E Helena, ainda sorrindo, apenas observava.
— Admita, Maicon. Você tem medo.
Maicon abriu a boca para protestar, mas então ele viu.
Olhando para o reflexo da janela, ele viu seu próprio rosto. Mas não era ele. Seu reflexo estava deformado, os olhos negros, a pele pálida e doente, como se algo dentro dele estivesse apodrecendo há tempos.
E então, o reflexo sorriu para ele.
E Maicon finalmente gritou.
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Capítulo 4 - O Destino de Maya
Enquanto Maicon e seu pai enfrentam a verdade obscura, Maya também começa a perceber que sua vingança pode ter um preço alto demais. Será que ela realmente sabe no que se meteu? Ou Helena ainda tem mais surpresas para revelar?
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Atualizado até capítulo 32
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