A escola ainda estava em silêncio. O desaparecimento de Adriano pairava como uma sombra sobre todos.
Mas naquela noite, na sacada do prédio abandonado, outro jogo estava prestes a começar.
Helena se encostou no corrimão, olhando para o céu escuro. O vento balançava seus cabelos, e ela sentia os olhares sobre si.
Ezra e Lilith estavam ali, parados.
Mas algo havia mudado.
— Por que está tão quieto, Ezra? — Helena perguntou, sem tirar os olhos do horizonte.
Ezra hesitou por um segundo, então deu um passo à frente.
— Porque eu estou pensando.
— Isso é raro. — Lilith provocou, mas havia algo estranho em sua voz.
Ezra a ignorou.
Ele olhava diretamente para Helena agora.
E então, sem aviso, segurou o rosto dela com uma das mãos.
Foi rápido.
Foi inesperado.
E foi ousado.
— Você tem ideia do que está fazendo comigo? — a voz dele saiu baixa, intensa.
Lilith, ao lado, ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços.
— Então você finalmente decidiu parar de fingir?
Ezra não desviou o olhar.
E Helena?
Helena sorriu.
Porque aquilo era interessante.
— Eu não faço ideia, Ezra. — ela respondeu, seu tom levemente provocador. — Mas me conte… o que exatamente estou fazendo com você?
Ezra apertou o maxilar, como se lutasse contra algo dentro dele.
Lilith se aproximou, ficando ao lado dele.
— Não seja covarde agora, Ezra. Você sabe que não é só você.
Helena olhou de um para o outro.
Ah… agora estava ficando divertido.
Ezra suspirou, soltando lentamente o rosto dela.
— Isso não é um jogo para mim.
Lilith olhou para Helena, esperando sua reação.
Mas Helena…
Helena adorava um jogo.
— Então, o que é para você?
Ezra ficou em silêncio por um momento. Então, apenas sorriu de lado.
— Talvez você tenha que descobrir.
Lilith riu baixinho, balançando a cabeça.
— Eu gosto disso. Eu gosto de vocês dois.
Ela se aproximou de Helena, inclinando-se um pouco mais do que o necessário.
— E você, Helena? Você gosta da gente?
Helena adorava segredos.
Mas acima de tudo… adorava mistérios que nem ela mesma conseguia prever.
E aquilo, aquilo era um mistério delicioso.
Ela olhou de um para o outro, girando o pirulito nos dedos.
— Talvez eu tenha que descobrir.
Ezra sorriu.
Lilith sorriu.
E ali, sob o céu escuro, o jogo recomeçou.
A tensão pairava no ar como eletricidade antes de uma tempestade.
Ezra e Lilith estavam perigosamente próximos, e Helena?
Helena estava adorando.
Eles estavam jogando com ela.
Mas a pergunta real era: quem estava controlando o jogo?
O Primeiro Passo
— Vocês parecem tão certos de algo. — Helena finalmente quebrou o silêncio, mordendo o pirulito.
Ezra inclinou a cabeça, um sorriso nos lábios.
— E você parece fingir que não está envolvida nisso.
Lilith riu suavemente, aproximando-se mais um pouco.
— Eu não acho que ela está fingindo. Acho que ela só quer ver até onde podemos ir.
Helena levantou uma sobrancelha.
— E vocês? Até onde estão dispostos a ir?
Ezra e Lilith se entreolharam.
Não havia mais necessidade de joguinhos.
Ezra foi o primeiro a agir.
Ele segurou a mão de Helena, seus dedos deslizando entre os dela. Foi um toque firme, mas controlado.
Ele queria testar o quanto ela deixaria.
E Lilith?
Lilith chegou mais perto, seus lábios roçando levemente o ouvido de Helena.
— Você sempre está no controle, não está?
Helena sorriu.
Mas então...
Ela puxou a mão de Ezra e, ao mesmo tempo, segurou Lilith pelo queixo.
Os dois pararam.
Os dois prenderam a respiração.
E Helena, sem hesitar, sussurrou:
— O controle sempre foi meu.
Lilith sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Ezra entreabriu os lábios, surpreso, mas fascinado.
E foi naquele momento que eles perceberam…
Nenhum deles estava preparado para Helena.
Mas isso nunca os impediria de tentar.
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Atualizado até capítulo 32
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